Luiselza Pinto
O ser humano nada mais é do que uma constante tentativa de diálogo com a intensidade máxima do próprio ser na vida; e, quando ele não dialoga primeiramente consigo mesmo, está apenas um difuso e frágil monólogo em direção à existência.
O corpo pode ser tão sincero quanto o pensamento, mas este sempre antecederá (ainda que apenas instintiva ou inconscientemente) àquele.
O espaço tempo de uma vida pode parecer limitado e breve, mas é ele que recebe o que lhe antecede e embasa o que lhe sucede.
Um dos mais importantes passos da consciência é saber a diferença entre carência e necessidade; mas é somente a maturidade (e não o espaço tempo) que fará uso da lacuna na direção do imperativo.
Entre a fidúcia e a dúvida, fico com esta, pois, para a minha certeza, enquanto vida eu tiver, sempre posso voltar.
Não vi ainda nenhum efeito especial que, em várias direções e múltiplos sentidos, me surpreendesse mais do que o ser humano.
Há um espaço tempo no qual Sistema Nervoso Autônomo somente fala: Ausência de Dor! Conforto! Prazer! Mas a subjetividade humana é uma comédia ou tragédia apenas ilusoriamente cognoscíveis.
Sabendo-se que o espaço e o tempo são entes conexos e inseparáveis, é erro (da necessidade ou ignorância) ou ilusão (da carência) supor que uma fita métrica eufemizará o que o relógio não houve resolver.
Os barcos que optaram não pela profundidade, mas pela amplitude do Oceano, tendem ao adernamento derradeiro em paz, pelo menos em relação às variantes da latitude e longitude do navegar.
Uma indenização monetária, para aquilo que tem valor e não preço, pode corresponder a um instituto exequível e válido mas que, em verdade, soa mais como uma ironia maquilada tentando eufemizar a dor.
O consenso nem sempre equivale à convergência de equilíbrios dinâmicos; ele pode ser uma maquiagem para a insegurança ou externalizar a consciência do valor do tempo.
Uma infinita cautela ainda é mínima quando se está na perigosíssima presença de quem nunca sorri com alguém, para alguém ou por alguém, mas apenas sorri de alguém.
Pode existir lógica, necessidade e razão para se abandonar um rato que já nasceu morto; mas não há qualquer beleza ou glória nisto.
Uma escolha pode ser a teia de grandes aborrecimentos e cansaços, mas nada agasta e enfastia tão profundamente quanto a incapacidade ou impossibilidade de optar.
As borrachas, com uma facilidade digna, apagam as meras presenças... Mas as companhias (De pessoas próximas, ou não, no espaço tempo) são, felizmente, indeclináveis.
O ser humano pode se distanciar totalmente daquilo que mais ama. Contudo, ainda que depois ele navegue pela máxima amplitude do Oceano, perderá em profundidade... A trilha talvez seja opcional, mas a chuva ácida vem para lembrar que o chão apenas foge do que (se) está; nunca do que (se) é.
São sempre temporárias (ainda que não frágeis) as coisas que têm razão de ser, mas não são a base e a razão do ser.
