Luiselza Pinto
A inteligência pode evitar a raiva. Mas somente a genialidade elevada ao infinito consegue passar incólume frente à repugnância inata.
A perfeição dificilmente entende que é também o outro lado que varre a rotina para longe do irretocável.
Estamos todos no mesmo nível, ainda que por estradas humanas diversas... Mesmo que uns estejam no lugar mais profundo do Oceano e outros na montanha mais alta, inexiste quem, direta ou indiretamente, não se apoie no chão da Terra.
É benéfico e natural que as pessoas tenham opiniões diversas ou iguais. Mas é aconselhável a prudência com alguém que passou do livre desejo de polarização individual para a exigência de bolharização social.
Não consegue ser inato aquilo que emerge mais pela necessidade de fuga do que pelo desejo de prazer.
Todos os entes têm futuro. Mas vincular o próprio ao alheio, às vezes é (con)sentir a troca de horizontes por limites.
A pressão pode ser muito excitante e (re)construtiva... Mas a opressão anuvia a diferença entre aquilo que nasce da carência ou surge pela necessidade.
Pouquíssimo há tão difícil, para o desejo consciente, do que seguir aquilo que apenas a necessidade do subconsciente ordena.
Pedi-lhe uma sensação; foi-me dada a perplexidade. É possível uma outra? Apenas a (dolorosa) vontade de manter distância...
Apenas uma solidão capaz de assustar até a própria morte possui o tamanho do amor que sinto por você.
Em algumas situações, a distância prudente é a única maneira de se ter uma esperança sem ansiedade ou pedidos.
Nada pode ser mais contrário à liberdade do que um pensamento único, pois mesmo que o corpo não viva entre grades, a mente se encontra numa prisão.
Quando a esperança e o amor são infinitos, a confiança é (irreversivelmente) nula e o fiel da balança é o pescoço, pondere(-se) a complexidade de amar e esperar à distância.
A esperança é a última que morre. Mas, se assentada na volatilidade inútil, ela pode ser a primeira que mata.
É difícil respirar por um só lugar quando aquilo que se deseja é mais amplitude do que profundidade.
É da maturidade compreender que, às vezes, a esperança e o seu objeto estão em lugares diversos. É da lucidez entender que somente a plena confiança em si mesmo(a) pode tornar isto palatável.
Supostamente contrariando um paradoxo do raciocínio humano, do nada "absoluto" pode emergir um Universo. Entretanto, nas proximidades das Leis de Newton, há nadas "relativos" que geram somente angústia e/ ou confusão.
Um oásis de tranquilidade, quando situado numa zona de guerra permanente, tem apenas uma calma irreal, instável e temporária.
Alguém terá andado (bastante) quando souber a diferença entre isolamento voluntário e solidão forçada e quando conseguir dialogar com o silêncio tanto quanto o faz com as palavras.
