Luiselza Pinto
Não é amar a vida, além da liberdade, atrever-se à perigosa correnteza, quando aquilo que mais se ama permanecer do lado em que a ousadia já está.
Há mais conserto para os pecadores do que concerto para os perdedores porque a derrota cobra várias faturas.
Não é fácil cortar vínculos abstratos com tesouras reais, pois unidades distintas não se anulam; derivam-se sem que possam se integralizar.
É tão bom estar na vida que, às vezes, quase caio na tentação de pedir um pouco mais... Contudo, não é justo pedir ao Universo dois presentes pela mesma festa.
É a consciência, que baila entre o estar e o ser, que permite a estranha louca sensação de se viver num contínuo monologar e dialogar consigo mesmo.
As retinas navegam por campos inviáveis às papilas gustativas... O ser humano se medeia entre a amplitude e a profundidade.
Para a dança do sol, entre o nascer e o se pôr de todas as horas, a única música possível à vida é estar bem.
Se, de outrem, talvez a primeira impressão seja a que fica, de si mesmo, a última sensação consciente é o que se leva... Por ser incerta a hora da travessia derradeira, é bom estar navegando no que se ama.
Pode-se viver com relativa paz num lugar sujeito a terremotos; mas ninguém constrói equilíbrio permanente num chão sempre em guerra.
Para tudo que, direta ou indiretamente, alguém pede, existe o sim E o não. Para aquilo que não se pede há o morrer OU algo maior do que o viver: O superar(-se).
Um dos maiores presentes que alguém dá à própria liberdade é aprender a julgar (f)atos e não pessoas.
Todos os meus problemas acabaram depois que nasci; e, antes de atravessar a ponte das rosas que viveram, somente tenho umas várias muitas questões a resolver.
É inútil tratar dores infinitas e irremovíveis raciocinando a longo prazo. Estando limitado no espaço tempo, o ser humano, às vezes, precisa se reinventar todos os dias.
Para quem tem certeza de que o barco ou segue com todos ou afunda com todos, a primeira coisa a fazer é evitar discussões inúteis.
Porque um sol, um céu, um som e um sal não seriam o bastante, o Universo presenteou a vida com estrelas, pessoas, músicas e sabores diferentes.
Antes do eventual nascer das interrogações ou do medo, é a perplexidade que pavimenta o único caminho a se seguir.
Resta muita coisa àquele que, depois de se lhe haver subtraído tudo acima do nível do estar (inclusive), ainda possui um chão para cair.
Aborrecimento? Reclamação? Tristeza? Depois da minha morte pensarei em refletir sobre essas coisas...
O ser humano não escolhe onde nasce e é limitada a opção de onde morrerá. Mas ele pode escolher (em existência, vida e (sub)consciente), com (alguma) consistência, onde renascerá.
Porque o Oceano é maior que as braçadas individuais, o ser humano (se) inspira e expira por navegar em horizontes intangentes.
É infinito o peso da cruz (inevitável) alheia, quando não se tem nenhuma. Há cinco maneiras estritas de (se) equacionar isso: (Não) Fugir. Ou amadurecer.
