Luiselza Pinto
O chão e a morte não são espaços tempos a se buscar, evitar ou temer. A lembrança das suas existências deve apenas ser uma firme aliada no maturar da sinceridade que lhes intermedeia.
Para cada instante da vida, eu morreria uma infinidade de vezes, tão bom é ser estar aqui... Morrerei apenas uma vez. Nesta equação diferencial e integral, o benefício tende ao infinito e o custo a zero.
Navegue-se em águas doces ou salgadas... O vento atravessa os cantos da Terra qual a esculpir um ser que é a convergência de todo espaço tempo do estar.
Nunca foi tão acessível saber... E jamais foi tão complexo admitir quando (não) se deve, quando (não) se pode e quando (não) se quer.
É necessário que a morte seja maior do que a vida, pois somente assim aquela se ilude pelo (f)ato de não ter existido além de si mesma.
Talvez inexista um paraíso sensitivo perfeito no (a)mar das vontades sem freio porque estas emergem, em parte, por instintos que não podem ser totalmente compreendidos e/ou utilizados pela razão.
Saber do que (não) me potencializa é o passo fundamental para que eu decida sobre a intensidade do meu (não) envolvimento.
Há muitos erros novos a serem cometidos; é verdade... Mas, sendo agora tão diferente do que estive antes, não me esquivaria de repetir uma única das minhas falhas de outrora.
Quando alguém percebe que a vida é a única coisa que (temporariamente) possui, começa a não se deixar prender pelas grades da angústia, da raiva ou do medo.
Quando a esperança é firme, consciente e alegre, a espera não se faz tediosa, iludida ou angustiante.
É através das vidas que nascem e morrem que o espaço tempo se somatiza para tangenciar padrões de (in)finitude.
A esperança nunca se perde ou se esconde por ela mesma. As sensações de desencontro ou inacessibilidade surgem, às vezes, de alguém não lha procurar no endereço certo.
Enquanto a travessia no deserto não tem fim ou se continua a chuva de ácido sulfúrico concentrado, que cada um se energize e resguarde à própria maneira.
A sua lembrança paira irremovível e soberana... Tento fazê-la apenas um presente e jamais uma prisão.
A força da gravidade convida a água a descer pelas encostas... Há quedas e ascensões, curvas (não) retas; e o Oceano.
