JOANA DE OVIEDO

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⁠Relógio quebrado

O tempo
O relógio se desvaneceu.
Quebraram seus ponteiros,
e os numerais se desfizeram
sob sóis desconhecidos.
Agora quem contará o tempo?
Esse intervalo de vida, sem alento,
quem sabe não existirá mais...
Tudo tornou-se corrompido.
Quem contará o tempo
no tempo que se perdeu?

Inserida por joanadeoviedo

⁠SÓ UMA PAUSA

A noite chegou...
Uma pausa
para os comerciais da vida
mas não para a vida.
Amanhã o sol vai voltar
e a vida tornará a sorrir
a moça da noite levará
o leite e o pão
após deitar-se na cama
no chão, no colchão.
O moço cansado
ao lar retornado
de angústia matar.
No leito, alguém
não verá os comerciais
da vida... da vida de ontem.
Ao amanhecer.
__Mas, o que é mesmo a vida?

Inserida por joanadeoviedo

⁠Pensando no tempo

No seu castelo solitário
Ela se olha no velho espelho
Em volta para o porão
Intocado de luz e cor
Nada reflete sua face em rubor.
Bem queria ela amadurecer
E em poucos dias poder viver
A sombra da mulher
Que um dia desejou ser.
E balbucia algumas palavras
Sem sentido, com gosto de nada
E na madrugada os vendavais
Sacodem em sua alma
Os tempos que não voltam mais.
Bem queria ela amadurecer
bem queria ela parar o tempo
e de novo amanhecer.
Não há sentido ver o tempo passar
Não há sentido que esse tempo não ousa voltar.

Inserida por joanadeoviedo

Se você sabe
o segredo da pérola,
sabe também das areias deixadas na concha!

Inserida por joanadeoviedo

⁠Por que prometer voltar,
Se o tempo não
se compromete a esperar?

Inserida por joanadeoviedo

⁠BORBOLETA

Vá borboleta
voa à toa sobre teu
campo de jasmim.
Brancos!

Deixa-me aqui
a tecer Teu vôo
nos olhos...
Singrando... sangrando!

Traz-me o casulo de ti
para quando a saudade doer
eu possa dizer que deixastes
a essência aqui.

Inserida por joanadeoviedo

__⁠Um brinde à noite!
É preciso saber anoitecer também.

Inserida por joanadeoviedo

⁠ Cansei de ser triste.
Sou apenas a areia carregando
a ostra, à espera da pérola.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Que seja a vida uma eterna noite de bailar.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Triste anda a minha alma
por que conhece bem
o caminho do calvário.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Ela tinha borboletas
na cabeça...
E as borboletas
Saíram voando infinito
a dentro Carregando
Um crânio colorido com asas.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Um dia o homem
Foi a lua
Era de noite
Levou flores,
Levou taças...
Contou para o mundo
Inteiro....
E a lua completamente
Nua estava minguante
Não cabia tanta gente
O homem era poeta!

Inserida por joanadeoviedo

⁠Você tocou profundamente
Meu coração
Feito vulcão.
Aqueceu...
E depois?
Feriu. E depois ?
Queimou e deixou
O peito gelido
Lá atrás, na casinha pequenina
Onde só o nosso amor cabia.
Hj não há mais o batente coração
O vulcão? Dormiu suas lavras
Na nota da melodia, onde não mais
O coração batia...
A nota Dó e só.
Lá!

Inserida por joanadeoviedo

⁠(Im) perfeição

Eu queria ser perfeita
Perfeita para você
Mas não deu
Você era tão imperfeito
Que não conhecia
Metade do caminho
Por onde eu passei
por você.

Inserida por joanadeoviedo

⁠O que tiver de ser já é,
Nós que ainda não
Sabemos.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Ninguém notou
a flor azul na noite escura.
Ela era negra!
naquele momento
crucial de sua tempestade.

Inserida por joanadeoviedo

⁠És o meu poema,
e a distância,
a pena!

Inserida por joanadeoviedo

⁠Entendi há muito
o seu adeus.
Só não consigo
pronunciar o meu.]
_____________
Balbucio...
Mas pronuncio
em êxtase o nome seu.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Mãe
Da minha alma o primeiro cobertor.
Minha primeira casa.
Eterno habitat do meu amor. .

Inserida por joanadeoviedo

⁠Uma força contrária nos retiram
um do outro.
E está tudo bem, sem choro nem "amém".
A força do Universo sabe de todos os porquês. Então, calo-me e saio a ouvir
as cançõesdas folhas secas ao vento.
Sabendo que assim possoser feliz outra vez, e de outras formas.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Não sei quando finda
Uma ou outra estação
Mas sei que é primavera
Quando muros se cobrem
De Heras e um botão de rosa
Aparece na janela.
E minha alma ri
Porque tão logo
Estará ali.
_Saudade das horas
em que as heras violam nos muros
Todos os espaços vazios
Então, vem me traz, outra vez
a primavera!

Inserida por joanadeoviedo

⁠E lá se foi o vento
da esperança
com outras lembranças
causar outros desalentos.
Esse vento que leva um tempo
não só bate as portas
fende-se janelas
e arrombam telhados
de sofrimento.
Mata a esperança
que já não é mais tão viva.
__E daí? o que se atenta?
É a vida! E tudo fica certo
depois, em seu devido lugar
onde deveria estar.
Fecham-se a abóboda
e as cortinas de um espetáculo
monossilábico, sem prosa...
Ninguém fala!
Para que?
E logo ali na casinha branca
uma rosa amarela se escancara,
linda e bela.
sem medo de nuvens,
sem temer o tempo
e o vento que talvez
um dia retornará.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Cada um defende
A sua verdade,
E isso não significa
Que o outro não pensa.
Só não pensa
como vc pensa
Porque ele não é vc.

Inserida por joanadeoviedo

⁠IN-TERVALO

A mim me basta
O primeiro e o último ato.
Os demais são intervalos,
Da pose para um retrato
do retrato que não tiramos
E a tinta a perecer, a escorrer
Sobre o papel borrado
Depois...
Sob um branco véu
De bolinhas brancas.
Teu rosto desfigurado
No papel do retrato.
É a vida um papel
Em sua complexidade de atos.

Inserida por joanadeoviedo

⁠De uma pequenina estrela sou o estilhaço.