JOANA DE OVIEDO

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⁠De todo o broto que gerou
Ficou a folha
De toda a folha que secou e caiu
O caule, nu, se mostrou
Despretensioso
Entre a flor,
Mas que erguia
A cor de tudo
Que a raiz submersa
Na terra, produziu.

Inserida por joanadeoviedo

⁠A tristeza é como estar desabrigado no inverno
e não poder contemplar cor nenhuma,
nem um brilho de estrelas.

Inserida por joanaoviedo

⁠Mesmo quando sentir que vai cair, o faça com elegância,
e sera apenas como vc estivesse apenas se levantando.

Inserida por joanaoviedo

⁠Atravessei as fronteiras
do desconhecido
até me encontrar comigo.
Degladiei com medos
imaginários que só eu sei.
Mas sobrevivi. Venci.
Não me declinei.

Inserida por joanaoviedo

⁠Caixa de pó

Seguro a caixa de pó de arroz
Como se guardasse prata, ouro e só.
Na falta do cheiro que inexiste
Ficou triste o tempo agora.
Apesar de as nuvens fazerem
No céu os mesmos desenhos
Tingem em nossas mentes
Momentos felizes de outrora
Em que os rostos pintávamos
De juventude
Mas o tempo e sua amplitude
Vai apagando nossas glórias
Fazendo da memória uma caixa
Vazia de pó e só.

Inserida por joanaoviedo

⁠Bela vida

A vida é bela
A vida é vela que se apaga
E que acende ao cantarolar das fadas.

A vida é bela!
É aquarela
É a cor do pincel
Da cor do céu,
as tintas com que se pinta.
__A vida é bela!

Inserida por joanaoviedo

⁠Fotografia no túmulo

Oh, quanto eras bela!
Chegaste à formosura
da juventude
E em uma aquerela
pousaste,
feito asas de borboletas
resequidas aos ventos!
Os olhos ainda é da juventude.
Paraste o tempo em plenitude
e recortaste o olhos de sua mãe
a pele do teu pai sobre as narinas!
E então pousou-se sobre um sepulcro
onde as aves revoam em vultos
cantoralando, quase um cordel
de rimas que se alcançam o céu.
Eras, pois a formosura da irmã
que antes de envelhecer
te oferecias o afã. da música sepulcral
a oferecer-te sob o véu.
E foi assim o tempo
com teu lamento de pássaros
em arrulhos, diferente do teu barulho
que agora deixa-te no silêncio.

Inserida por joanaoviedo

DEVIAS⁠

Devias vir me abraçar
Devias!
Devias, nesta noite,
comigo fitar o luar
Até que o sol voltasse.
Devias vir sem teres
Ido embora ou a qualquer
Lugar.
Devias!

Inserida por joanaoviedo

⁠BIPOLARIDADE

A casa do artista é seu recôndito secreto,
onde busca sua arte nos porões
e também no alto da infinitude.
É um subir,
e um constante

d
e
s
cer.

Inserida por joanaoviedo

⁠Sono

Não perturbe o sonos dos que dormem
Porque talvez amanha mesmo há de acordar.
Nina-os com uma flor e um pequeno sussurro
Do teu falar.

Não derrame sobre a tumba a lágrima
Quente dos teus olhos
Em que faz nascer abrolhos
No recôndito berço a descansar.

As sombras! Bastam-lhes as sombras
De arvores antigas e as raízes das urtigas
Tateando-lhes o rosto!

Nada é preciso senão a entrada triunfal
Do paraíso.
Deixem-nos dormir em paz.

Inserida por joanaoviedo

⁠Eu sou a louca.

A que coleciona borboletas
transparentes e pretas na gaiola mágica
Sou a ninfeta que cortou
os cabelos de Maria Antonieta,
para ouvir de mansinho o tic tic da tesoura trágica.
Sou a desgraçada
Que veio ao mundo sem nada,
assim como Jó que veio do pó e,
ao mesmo pó hei de regressar,
sem tempo para re-pensar.
Eu sou a ostra da sereia
que hospedou areias e devolveu-lhe pérolas belas!
Eu sou a descomedida, a vida, ou a morte
que leva quem está desprovido de sorte.
Eu sou!
O que voou nas asas do serafim
ao encontro do seu próprio fim.
Mas também o que pousou nas entranhas
e de uma forma estranha decolou.
Eu sou a sina que assina tal sorte!
A vida vivida... A morte!

Inserida por joanaoviedo


DEVOLVA-ME
(E foi assim que um poeta virou livro. Inspirou outro poeta)


__Devolva-me as palavras doces
e as mais puras gargalhadas...
que te tocaram-lhe os ouvidos!
__Devolva-me !
__Devolvam-me os beijos que com sofreguidão te dei.
__Devolva-me!

As carícias que só eu soube (ou não soube),
mas que desenhei em seu corpo
as marcas da felicidade efêmera.
__Devolva-me!
E se quiseres, te devolverei também os beijos e os abraços.
__Conceda-me uma noite apenas!
E daquela estrada, peço que me retornes de onde parti contigo,
Pois não sei mais voltar, estou perdida.
__Devolva-me!
__Devolva-me a direção do caminho!

Inserida por joanaoviedo

⁠Os iguais são também diferentes,
ainda que iguais,
pois é a essência que existe verdadeiramente,
e não a roupagem da essência.

Inserida por joanaoviedo

⁠Não sabes quem sou e eu não sei quem és.
Talvez nunca saberemos, e fica a ruminação
do quem será, como seria?
E isso remete a nós mesmos,
do quanto não sabemos que somos,
cada qual perguntando de si próprio,
se deslocando ao outro.
Seria uma forma de projeção
em busca da nossa real essência,
da qual nem sobre ela temos o poder
do verdadeiro encontro?

Inserida por joanaoviedo

⁠Consciência
não tem coautoria.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Como as pessoas são fortes quando desejam algo ardentemente!
Até mesmo desistir ou persistir.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Quando será o futuro
se ontem ele era hoje?

Inserida por joanadeoviedo

⁠Para assistir a vida passar
basta olhar o vento
que a folha farfalha,
nas calçadas enfeitadas.

Basta olhar-se no espelho
o desenho a modificar
o rosto roto de tanto sonhar.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Eu, olhando a vida!
E a vida olhando para mim
cada qual com suas indagações:

Quem é?
Para que veio?
Por que?

E nós nos entreolhando perplexas!

Inserida por joanadeoviedo

⁠Como as pessoas são fortes
quando deseja algo ardentemente!
Até mesmo persistir.
Até mesmo desistir.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Ninguém tem culpa por não amar,
Assim como ninguém tem culpa de amar.

Inserida por joanadeoviedo

⁠Uma pausa para os comerciais
da vida.
_____________

Boa noite

Inserida por joanadeoviedo

⁠És meu verbo amar

Conjugando o verbo amar
para quando voltares
eu não esquecer de te ler
bem devagar.

Inserida por joanadeoviedo

⁠SOBRE MEUS FILHOS

Só Deus tem o original!

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Inserida por joanadeoviedo

⁠Ninguém nunca soube
quem ela era exatamente.
Era imensa, era intensa,
por isso em nenhuma memória coube.

Inserida por joanadeoviedo