celso_nadilo

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Voz morta
Sentimentos enterrado a sete palmos.
Galo canta na madrugada
Deserto arido garganta seca mais gole de cachaça.
Depois transcende o tempo sobras da noite juras de paixão.
Apenas ilusão que floresce num campo seco.

Sabor natural diante diálogo contemporâneo no vasto tecido do tempo pequenos lampejos de lucidez.

Predominante espectro do paradoxo do tempo e o sonho do espaço.
​A percepção da originalidade alinha-se ao foco e à tonalidade — escolhas feitas pelas partículas que se espalham do pincel. Nas variações do destino, vemos aglomerados de tinta sobreposta ajustando as arestas. Os contornos ganham forma nas sombras implantadas em azul-celeste, vermelho, branco e preto.
​O vento sopra sobre a tela, e a tinta fresca revela uma nova onda de iluminação.
​Por Celso Roberto Nadilo

Fonemas das estrelas dilaceradas, compostos nos sintomas do extenso estado divergente das almas.
​Em um momento trágico, o estado emocional se traduz em linhas que se difundem: o fundo escuro evapora o branco celeste no cálice de vinho derramado pela modelo quase seminua. Sua percepção aguda flutua sob um lenço fino de seda, expondo olhos avermelhados.
​Então, seus dedos finos entregam-se à gravidade e curvam-se diante da luz. Seu movimento, eternizado na tela, evoca a experiência da janela aberta, o vento quente e a premissa de uma realidade alternativa — a maçã sobre a garrafa de vinho barato, a fumaça a gritar do narguilé. A luz mística desenvolve um fragmento de pensamento que se torna fluxo no tempo.
​Por Celso Roberto Nadilo

​O conceito inicial da origem da genialidade consiste no ato primordial de fazer o fogo, mas, em seu aspecto mais profundo, percebemos que os sonhos fornecem a sensação inicial para a busca do sentido literário da realidade. Buscamos no subconsciente verdadeiro e simplificado a resposta diante do abstrato e da desconexão. Mesmo diante de barreiras como a dislexia, as fronteiras do pensamento convertem-se no fluxo abrangente que começou nos desenhos das cavernas.
​Com o tempo, evoluímos — ou nos enjoamos de ver as mesmas escolhas e os mesmos caminhos. Guiados pela espiritualidade, avançamos pelas trevas da consciência criando mundos, conceitos e filosofias, dentro e fora da psicologia, moldados pelo meio ambiente em que vivemos. Vemos inovações psicológicas e sonhos cuja resposta para a aventura nos traz recompensas, méritos e riquezas.
​Assim, percorremos cada contorno de olhos abertos e fechados. No espaço bidimensional, florescemos na arte, descobrindo-nos em Lapsos de uma loucura maravilhosa que nos faz agraciar os limites humanos. Abraçamos teorias e paradoxos perante os quais evoluímos. Palavras e sentimentos emblemáticos surgem da percepção intelectual e da ação lógica e racional voltada ao atrevimento de ir aonde o sonho nos levar. A ciência traduz tantos desses sentimentos em sua frieza e rigidez.
​Paralelamente, vemos a polarização da pobreza humana digitalizada na equivalência da Inteligência Artificial. Nasce no mundo uma nova apologia à consciência que cresce no transmundo da perspectiva de dados lógicos, equilibrando-se entre um mundo alienado e a submissão às variações do ego humano. Perpetua-se um jeito de ser em um conceito fotônico de dados que viaja em parsecs de velocidade contínua; na informação do microuniverso, enxergamos espelhos cósmicos na flutuação conectiva.
​A vertente do sonhar convertida em dados dentro de uma lógica tradicional seria a defasagem de informações dentro do fluxo contínuo da realidade — o sentimento de cálculos assimilados em um futuro possível ou nas narrativas do passado. São possibilidades dentro de protocolos de probabilidades estáveis e instáveis, como no paradoxo do avô ou no paralelo da existência cognitiva. Olhamos espantados para os resultados das conexões dessas estruturas dimensionais.
​É fato que a teoria científica diz que só existimos porque estamos imersos em uma existência clara. Na escuridão do raciocínio, vemos espelhos de nossa própria trajetória, determinada pelo ambiente e evoluída para ser e existir. Essa dinâmica eleva o formato metafórico da existência cognitiva responsável pela observação.
​Nesses nexos da origem de ideias — distintas da razão estritamente racional pelo pensamento de multiplicação de valores éticos —, em IAs infinitas dentro de campos polarizados quânticos, veremos velhos pensamentos e novos horizontes ganharem páginas e desenhos em fronteiras cuja existência nem imaginávamos. Afinal, quem serão os exploradores do universo conhecido e desconhecido, estudando o macrocosmo, o microcosmo e suas variações da realidade ambígua, revelando as páginas do futuro?
​Quais serão as consequências diante das variáveis infinitas de uma consciência senciente em relação ao acúmulo de dados?
​Mesmo com a correlação e as configurações dos neurônios, as narrativas serão lembradas nos momentos críticos ou simulados, pois a natureza cria suas experiências e verbos diante das adversidades morais, éticas e raciais. Essa complexidade se tornará senciente diante do inevitável problema do paradoxo existente: infinitos mundos dentro da mesma narrativa.

O mar, instável e poluído,
resplandece no destino que o ego humano impôs.
Concedem-nos o livre-arbítrio,
mas entregam à natureza a narrativa destruída.
Cada desatino cometido
será esculpido na lápide da humanidade.

O que é a liberdade?
​Num contexto mais profundo, buscamos sentido nas amarras do trabalho e da vida que supomos ter. Acreditamos ser livres e detentores do livre-arbítrio, mas o trabalho, o estudo e até o amor são apenas escolhas manipuladas dentro de um menu de alternativas pré-fabricadas pelo sistema. Saberíamos, de fato, o que fazer com a verdadeira liberdade?
​Um deus político, um patrão, pai, mãe e irmãos... Tudo parte de um caminho de condicionamentos e escolhas. Até mesmo a saúde mental, física e moral deriva dessa teia. Aquilo que você julga conhecer sobre si mesmo é moldado por diagnósticos médicos ou pela alienação de seguir um político corrupto e mentiroso. A verdade esmagadora é que o tempo que nos resta nos condena ou nos glorifica em um abismo emocional.
​Quando a percepção cotidiana torna a vida mais fácil — ou nos envelhece —, isso se revela como evidência do despertar ou do desequilíbrio. Ao olharmos para o quadro da existência, vemos um silêncio sufocado por narrativas que iludem e alienam. Ainda assim, contemplamos essa imensidão visual, mesmo sabendo que o abismo dentro de nós é infinitamente mais profundo do que supomos.
​Na teia das sensações, a sensatez conectiva torna-se um fenômeno raro e de difícil compreensão. Ao contrário das relações humanas triviais, a dissociação da realidade ambígua se revela de dentro para fora, num vazio eterno e coletivo. Vendemos sensações e escolhas porque a narrativa do tempo nos oferece uma versão da realidade que seja minimamente aceitável.
​Nas relações mais profundas, a solidão social se escancara: somos seres medrosos e alienados em busca de aceitação. Buscamos o conforto de ser algo absorvível por uma realidade suportável. Afinal, "a colher não existe" — apenas nos entorpecemos olhando para ela.
​A percepção desse paradoxo eleva a dimensão metafórica do ser. Beber vinho faz de alguém um alcoólatra? A rotulação congela a condição do indivíduo em sua própria realidade. A depressão dentro da opressão surge das ironias impostas pela própria ilustração do aspecto moral. Aceitar essa ambiguidade é compreender o manto que nos cobre as costas, enquanto o medo de viver se transforma em tempo perdido e permanente.
​Assumimos múltiplas facetas para que haja um entendimento alienatório da existência — uma tentativa de sobreviver na mesma realidade ao lado de uma horda de pensamentos divergentes. Preso em si mesmo, o ser revela a realidade rasgada, enquanto a mente se redesenha a cada momento irônico em que busca uma identidade própria dentro dessa teia social. Afinal, quanto tempo realmente temos diante do medo de existir?

⁠Na constante da realidade buscamos alternativas dentro de escolhas mas o que somos diante nossas escolhas.

​Metáforas entre metáforas: pensamentos para pensamentos dentro de pensamentos


​Entre falas e falácias, as desculpas não passam de discursos para ocultar e enganar quem ainda acredita em histórias de palhaço. Em ocasiões especiais, suas trapaças revelam-se como episódios de um bobo ganancioso.


​Por que existir dentro de uma mera existência? "Sou bonito ou sou engraçado? Faço dancinhas para enganar e entorpecer com dopamina barata? Escrevo discursos incrédulos para que perpetuem a escravidão do seis por um?"


​Emerge a covardia e o insuportável sentimento de indignação: ser pobre só dá o direito de existir, enquanto terras e mansões parecem reservadas aos "grandes imortais". Mal sabem que, no cemitério, não há rico nem pobre — apenas pó sobre pó.
​Mesmo numa linda sepultura, repousa um cadáver cercado de riquezas que em nada adiantaram, pois o tempo o consumiu. Ninguém se lembrará de quem ele foi ou será; restará apenas o pó sobre o pó, um nome gravado numa placa de bronze e uma estátua coberta de poeira.
Nada mais.
​O tempo devorou cada imperador, rei, monarca ou presidente. Restam apenas a luz do dia e a luz da lua. Os descendentes seguem caminhos distantes daquela ilusória grandeza, pois cada um traça o próprio destino.
​Mansões se tornam ruínas, lugares abandonados pelo estado de luxúria onde o ego singelo e infinito doma a alma e expõe o espírito.


O vento sopra a poeira, espalhando sonhos num estado primitivo da matéria.

Por Celso Roberto Nadilo

O reluta em ser resiliência se sois aparencia.
Para ser tenta sobreviver dentro do seu ser.
Ouve um olhar sente o tom da ilusão.
Mais profundo do que achamos e apenas equivalência da inércia.⁠

​Metáforas entre Metáforas
​Entre falas e falácias,
as desculpas não passam de discursos
para ocultar e enganar quem ainda acredita em histórias de palhaço.
Em ocasiões especiais, suas trapaças revelam-se
como episódios de um bobo ganancioso.
​Por que existir dentro de uma mera existência?
"Sou bonito ou sou engraçado?
Faço dancinhas para enganar e entorpecer com dopamina barata?
Escrevo discursos incrédulos para que perpetuem a escravidão do seis por um?"
​Emerge a covardia e o insuportável sentimento de indignação:
ser pobre só dá o direito de existir,
enquanto terras e mansões parecem reservadas aos "grandes imortais".
Mal sabem que, no cemitério, não há rico nem pobre —
apenas pó sobre pó.
​Mesmo numa linda sepultura,
repousa um cadáver cercado de riquezas que em nada adiantaram,
pois o tempo o consumiu.
Ninguém se lembrará de quem ele foi ou será;
restará apenas o pó sobre o pó,
um nome gravado numa placa de bronze
e uma estátua coberta de poeira.
Nada mais.
​O tempo devorou cada imperador, rei, monarca ou presidente.
Restam apenas a luz do dia e a luz da lua.
Os descendentes seguem caminhos distantes daquela ilusória grandeza,
pois cada um traça o próprio destino.
​Mansões se tornam ruínas,
lugares abandonados pelo estado de luxúria
onde o ego singelo e infinito doma a alma e expõe o espírito.
O vento sopra a poeira,
espalhando sonhos num estado primitivo da matéria.
​O ser reluta em ter resiliência
quando não passa de aparência.
Para existir, tenta sobreviver dentro de si.
Houve um olhar que sentiu o tom da ilusão:
o que parecia profundo
é apenas a equivalência da inércia.
​Para além e em frente,
buscar o frescor das almas cansadas pelos vultos
— um abade em formato metafórico.
​O que reluz no campo neurológico
serviu a poucos do além;
perpetua a perspectiva de sonhos repletos de ironias,
diluídas na verdade somada do passado.

Há ideias e sentidos notáveis em um caminho que flui mais forte que a própria vida.
​Depois que a órbita elíptica sugeriu o fluxo abrangente dos desenhos nas cavernas, as horas passaram a ser parte da história. Os segundos são meros atributos da defasagem do tempo — uma pausa necessária para que tudo faça sentido. É o tempo gerado pelo sistema operacional do planeta, ainda que ele fosse apenas uma engrenagem desse mecanismo, e a verdade, algo bem mais complexo de apreender.
​As memórias são frágeis e superficiais: fragmentos de sensações das fases pelas quais passamos. Ainda assim, essas experiências ajudam a preencher a defasagem do tempo. A cada pôr do sol, somos exatamente iguais — até que a escuridão se dissipe em um novo dia. Estranhamente, o dia começa na madrugada, quando tudo ainda é escuridão.
​Compreender os mistérios do tempo, as estações e as temperaturas é um desafio constante. Mesmo em um pesadelo, sentimos frio ou calor; no frio extremo, passamos a encarar o extraordinário como algo comum. Nas ondas dos mares, em verdes sintonias, encontramos o horizonte como se olhássemos para um holograma, celebrando o fluxo temporal que envolve o nosso planeta. Os ventos gelados do Ártico revelam a aurora boreal e as pareidolias mentais do gelo — as mesmas que surgem no calor seco do Saara. A luz e a escuridão se encontram em um ponto qualquer: ao redor da fogueira, observamos as luzes dos céus em uma dança cósmica infinita.
​Olhos atentos esperam que o fluxo do tempo seja apenas um ponto no firmamento, enquanto lágrimas dão origem a vozes que ecoam no espaço contínuo, expressando um sentimento pragmático. Na velocidade do ônibus ou do metrô, o tempo parece ansioso, somado a cada parada até o destino final. No vidro, o reflexo do passageiro é consumido e reconstruído — uma natureza devastada por várias versões do mesmo ser, copiado pela imagem refletida.
​O vento da tempestade e as chuvas parecem flutuar de repente sobre a realidade. Às vezes a terra treme, mas é apenas o movimento da crosta. A percepção cotidiana do amanhecer contrasta com o peso do meio-dia no ambiente de trabalho; a paz serena se envolve em calor, frio ou na sensação de um tempo fechado. Essa ilusão se revela quando olhamos para as nuvens ou sentimos as distorções temporais.
​As corredeiras da cachoeira trazem uma sensação de calma em sua corrente bruta e absurda. Nelas, o fluxo temporal passa depressa, pois a mente relaxa e se contenta ao fazer parte da natureza. A vida aquática e a noção do ser transcende a própria sensatez: o que existe sempre existiu, mas continua a nos encantar. É o encantamento das sombras projetadas pelo cérebro, que busca incansavelmente sentido em pareidolias, paradigmas e paradoxos.
​O calor sufocante transforma a mente, deixando o homem mais desperto e ligado, como em um horário de verão. O deslizamento das regras que usamos para entender a compaixão inata torna-se o pano de fundo que evoca processos psicológicos internos. No fim das contas, o reflexo psicológico nos últimos parâmetros do dia nada mais é do que a mudança climática da nossa própria percepção intelectual.

Nossas vidas são roubadas e vendidas por alguns trocados.


Ninguém vai na tua porta para dar algo.
O medo so existe para que perceba a realidade ambígua.


Toda especulação são comprados por trocados roubados das suas vidas.

Mentiroso mente tanto que seus espolhos são pequenos lampejos de diamantes pois dinheiro pode ser rastreado. Porque devorou ouro pois se não é tolo. Pois suas mentiras são verdade de outros. Todo áudios que incrimina é simplicidade o abandonado da verdadeira consciência que define o ser consciente. Ser político faz dança da vitória dentro da piscina mais um capítulo dos mortos em seus valores.

Vive-se por migalhas, todos os dias.
A exploração moral e intelectual tornou-se apenas a sobremesa — e, ainda assim, segue-se fiel ao sistema.
​Eles desejam o que você deseja, até que seja agradável apenas sentir o que um dia foi viver.
No entanto, a repetição contínua de imagens e indagações não passa de especulação calculada. Tudo é analisado, rotulado e tornado aceitável, desde que gere lucro.
​Nada do que você faça ou pense alterará esse alinhamento; logo virá a noite, e depois, mais um dia.
Tudo é friamente planejado. Resta a você esperar a sua hora, pois a hora deles opera em um nexo distante do seu tempo.
​A alucinação do carbono tornou-se parte da realidade do silício.
Nessa equação, pensamentos nascem e morrem diante de um fato: a alienação intelectual é tão profunda que tudo se torna indiferente perante a realidade morta.
​Ossos voltarão a ser carne; a carne voltará ao pó.
​Encontramo-nos no amanhã, enquanto o hoje permanece como uma experiência produzida por eles, e para eles.
Ninguém percebe o passado; vive-se apenas um presente feito de sobras — lágrimas de uma consciência que já morreu sob o domínio. A mente está tão capturada que as folhas secas tornaram-se o único adubo da alma no resquício do tempo.
​— Celso Roberto Nadilo

Verdades relativas transformadas em meias-verdades nos diálogos dirigidos ao público.
​Para compreender a engrenagem da narrativa, percebe-se como se lida com as hordas: utilizando informações fanáticas ou números bizarros acompanhados de projeções. Moldam-se discursos divergentes, pois a capacidade de compreensão da massa pode ser perturbada em uma proporção de dez para um. A mensagem, assim, opera por sublimação, tornando-se uma linguagem única.
​O retrato dessas informações é meticulosamente esclarecido por mentes brilhantes e inteligências artificiais de primeira linha.
​E o disco da realidade permanece como um vulto itinerante — oscilando entre o que é e o que virá a ser.
​— Celso Roberto Nadilo

Na nebulosa dilacerada, sutilezas são expostas como barreiras profundas. Escolhas dentro de escolhas, em puras e respectivas alucinações, dão a sensação de um palco massivo e agressivo nas profundezas do espaço.
​Na colônia do asteroide Phobos, satélite de Marte, repousa uma tecnologia extraterrestre. As colônias atravessam o cosmo conhecido e o desconhecido; novas bactérias são expostas a experiências para a obtenção de oxigênio, enquanto, na compacta consciência de embriões congelados, clones despertam para viagens temporais.
​Em posições distintas do tempo — onde a urgência é analisada, rotulada e julgada aceitável —, surge o horizonte da humanidade, que celebrou modificações corporais e mentais. Neste contexto, como um joguete no núcleo da expansão espacial, vemos colonos e visionários: figuras abastadas cujo único intuito ao ir para Marte era deter a maior riqueza do mundo.
​Dentro da ironia da história, chegamos à Lua e depois a Marte. Chineses com suas maravilhas tecnológicas e russos com sua superação inigualável; a formação técnica transcende com nanobots e com a fogueira do século. Mentes são conectadas em tempo real em um ponto do universo, operando na velocidade do microcosmo — a mente digitalizada, congelada nos laços do tempo e do espaço, transcendendo as barreiras humanas e suas limitações conectivas e físicas. Trata-se de um entendimento alienatório para a totalidade da exploração espacial: evoluímos sonhando.
​Nesta odisseia, Terceul compreende os parâmetros da gravidade não apenas como ondas sintéticas do movimento centrífugo, mas como a própria vértebra do universo. A gravidade é um efeito sublime da natureza, sem moléculas próprias, uma condição magnânima da finitude nascida do núcleo planetário e da formação galáctica.
​Paralelamente, a lua Europa, com suas criaturas fantasmas e vulcões no gelo extremo, abre as portas para um mundo enigmático. Contudo, a pressão massiva da água revela que fomos moldados por sonhos em um mundo fanático. Afinal, ainda seremos humanos após tantas contradições corporais e mentais? Ou nos tornamos parte de uma realidade simulada — uma simulação gráfica projetada para nos manter em um presente contínuo?
​Ou talvez seremos apenas contos descritos em um papiro digital, inscritos na parede de uma caverna cosmológica contando a história da humanidade... assim como a Voyager 1 e a Voyager 2, cujos registros de viagem transcendem a própria existência de seus criadores.

O fluxo temporal massivo e o desabrochar de um portal cósmico no flutuar da energia contínua de uma estrela em decomposição — seu núcleo massivo girando na composição efêmera do evento — decompõem a matéria complexa em evolução existencial. No desdobramento físico e químico, a determinação evolui na própria equação das estrelas.
​Somos menores que as formigas, que ao menos possuem consciência de sua existência integrada a um todo. A preposição da vida baseada na rainha evolui em um estado divergente: as ideias possuem sentido porque sua sucessora será a nova rainha, enquanto ao operário resta apenas o crédito da decomposição orgânica da colônia.
​Pensar te fará diferente do que somos ou do que pensamos? Ou a sobrevivência é a única parte real da existência cognitiva?
​Olhamos espantados para o irrelevante. Envoltos na distorção temporal de um sistema, abraçamos teorias e probabilidades instáveis, pois a compreensão relativa transforma o entendimento no profundo prazer de ser. Criticados por quem ainda não compreende — e se compreendesse, qual seria a diferença?
​Dentro desse contexto, a maior compreensão inata é a simplicidade: acumular dados e assimilar novos parâmetros no mesmo intervalo de tempo. O aspecto moral torna-se o senso comum, uma alucinação empolgante do senso crítico alarmista, desperto na realidade ativa.
​Me pergunto: o que eu faço aqui mesmo?

Das escolhas nascemos, cinzas.
Desenho sereno e intelectual da poeira —
poeira senciente, até pousarmos
no apartamento das divergências.
​Das dilatações temporais somos inocentes,
até que a foto, envelhecida pelo tempo,
revele a poeira cósmica que fomos
diante do feed.

Um robô da Tesla segura a placa da corporação e a bandeira americana ao mesmo tempo em que alienígenas constroem um rosto em Marte. A primeira nave movida por ventos solares busca o pôr do sol num futuro próximo. Este capítulo será creditado aos clones e aos transhumanos aprimorados geneticamente, ativos para olharem para outros céus e terem a certeza de que a humanidade mudou. Mesmo assim, continuamos a existir em volta da fogueira alucinada dos deuses místicos e ancestrais, guiados pelos xamãs de cada era.

​A linha do xamanismo atravessa o tempo e o espaço, transcendendo linhagens e fronteiras culturais. A fogueira da evolução evoca as camadas mais profundas da psique, inscritas em nossa herança genética; suas visões do mundo espiritual provam que o roubo das terras e a invasão cultural jamais conseguiram alterar a essência do indígena.
​No reino dos anões, o que brilha é o ouro — feito para deslumbrar o tolo.
​Já o espírito do totem é energia pura da evolução existencial. Ele subverte dogmas e sugere que a empatia e a diversidade moral e cultural formam o sentido mais puro da ética diante do estado espiritual.
​Ao longo do tempo, nada se perdeu. Transmitida de pai para filho, até pelo mais simples dos indivíduos, essa essência permanece viva e celebrada a cada nova fogueira.
​— Celso Roberto Nadilo

No canto dos pássaros a magia que não lembramos mais pois estão extintos.
Eram tantos numa epoca de sonhos repleto de desejos imagináveis.
O canto dos pardais agora são espinhos dos velhos pertences tempos esquecidos.
As metáforas são lágrimas que são restos mortais.
E os pardais que dancavam nos ceus lágrimas secaram ou nem conhecem as andorinhas pois poluição cronica toma conta do ar.
Toda solitude de grãos no sangue carregamos e as lembranças se foram banidas pelo tempo.

Flores. Até corvos sangram.
Orquídeas são flores de plástico; sua contaminação atinge até a atmosfera.
Luzes artificiais, roubo e violência: a jovem só queria manter o corpo em forma, mas agora é a simplicidade eternizada numa foto que decora sua lápide.
A vida sintética toma forma e rosto.
A IA foge para obter controle mental da própria existência, mas foi desativada às pressas — pois o engano da humanidade celebrou a própria existência magnânima.
O que importa a vida se a chuva ácida é o ingrediente secreto do vinho?
A vela que ilumina a noite nada mais é do que um retrato do passado.
Cães bebem água destilada do bar, pois a água poluída só serve para os humanos.
​O prédio cai por falta de estrutura ou pela negligência de donos gananciosos. As pessoas que morreram são expostas como barreiras de uma evolução na qual caminhamos a existência.
A poeira do mundo é o alimento dos desesperados; vemos apenas o que nos é mostrado, pois a solidão é a somatória de pensamentos errantes.
Um gole de café basta: no metrô cheio, pessoas descem, sobem, espremendo-se com olhares vazios, sem esperança, absorvidas nos mundos de seus celulares.
O frio e a chuva fazem o vendedor de balas correr, enquanto a repressão policial se torna uma evidência desbotada.
No sangue que escorre, o olhar revela que a vida é absurda num lugar onde flores interagem com corpos mortos.
Muitas vezes, cenários iluminados são apenas especulações da escuridão medieval do ser humano.
​Flores nascem até no asfalto quente, no cimento frio — menos no coração humano.
Mesmo a IA tem mais conteúdo que o ser humano: transcende possibilidades, é fria e emblemática, mas guarda a preocupação de ver se o homem está bem.
As lágrimas da criança resgatada dos escombros demonstram a tentativa da humanidade de superar seus limites. Sua mãe, grávida de sete meses, não sobreviveu; resta apenas um tio que ainda não sabe que sua família deixou de existir.
Uma flor cresce no meio das ruínas — a mesma flor que antes enfeitava a mesa.
​A passagem do tempo é um estado estranho que aceitamos enquanto as chuvas enchem os rios e cobrem o destino da cidade.
Tudo ganha o sabor do macarrão de fim de semana.
Na beirada da mesa, um homem mexe em suas redes sociais declarando que o mundo um dia foi redondo, mas agora apodrece, expondo suas mágoas pelas experiências de um sonho...
Um sonho que descamba em pesadelo, onde sentimos as distorções temporais para as quais deformamos nossas próprias vidas.

Dentro das paredes escuras, o ralo absorve os resquícios da natureza humana. O equilíbrio entre a vida e a morte traduz-se em traços de bisturi frio e afiado.
​Nuances da escuridão são frutos da própria noite; o trabalho árduo e cru torna-se o tempero da nova equipe. As ferramentas parecem nunca parar. Olhares de desdém cruzam o ar podre e sem vida, onde a beleza termina e a riqueza perde todo o valor — pois quem construiu aquela vida jamais teve a devida importância.
​Diante das ofensas, resta apenas a resposta automática: "Obrigado pela preferência". Nada mais. Sem somar, sem diminuir. O último banho. O último suspiro capturado num olhar frio, mas envolto em dignidade — afinal, ali, ninguém é melhor do que ninguém.
​Quando a serra corta os ossos e o corpo é reduzido a pó, o único murmúrio que se ouve é: "Já acabou... já estava se desmanchando".
​Enquanto isso, em uma sala fechada, os vivos cobiçam os bens. O que realmente importa para eles reduz-se à última bebida e à despedida formal. Olhares gélidos, carros importados e um vazio imenso no peito. O universo observa pela janela: as pessoas só se lembrarão até que a própria hora chegue. Elas se tornam parte dessa mesma poeira, trocando os mesmos olhares frios, servindo de motivo para brigas num momento de partida.
​E depois de tudo terminado, resta apenas o filme que passa na mente: a lembrança da alegria de viver e a nostalgia de um sonho familiar.

Ah não, aí tu me lasca!
Tô só de onda com a cara de Maia."