Vive-se por migalhas, todos os dias. A... Celso roberto nadilo

Vive-se por migalhas, todos os dias.
A exploração moral e intelectual tornou-se apenas a sobremesa — e, ainda assim, segue-se fiel ao sistema.
​Eles desejam o que você deseja, até que seja agradável apenas sentir o que um dia foi viver.
No entanto, a repetição contínua de imagens e indagações não passa de especulação calculada. Tudo é analisado, rotulado e tornado aceitável, desde que gere lucro.
​Nada do que você faça ou pense alterará esse alinhamento; logo virá a noite, e depois, mais um dia.
Tudo é friamente planejado. Resta a você esperar a sua hora, pois a hora deles opera em um nexo distante do seu tempo.
​A alucinação do carbono tornou-se parte da realidade do silício.
Nessa equação, pensamentos nascem e morrem diante de um fato: a alienação intelectual é tão profunda que tudo se torna indiferente perante a realidade morta.
​Ossos voltarão a ser carne; a carne voltará ao pó.
​Encontramo-nos no amanhã, enquanto o hoje permanece como uma experiência produzida por eles, e para eles.
Ninguém percebe o passado; vive-se apenas um presente feito de sobras — lágrimas de uma consciência que já morreu sob o domínio. A mente está tão capturada que as folhas secas tornaram-se o único adubo da alma no resquício do tempo.
​— Celso Roberto Nadilo