O que é a liberdade? ​Num contexto... Celso roberto nadilo

O que é a liberdade?
​Num contexto mais profundo, buscamos sentido nas amarras do trabalho e da vida que supomos ter. Acreditamos ser livres e detentores do livre-arbítrio, mas o trabalho, o estudo e até o amor são apenas escolhas manipuladas dentro de um menu de alternativas pré-fabricadas pelo sistema. Saberíamos, de fato, o que fazer com a verdadeira liberdade?
​Um deus político, um patrão, pai, mãe e irmãos... Tudo parte de um caminho de condicionamentos e escolhas. Até mesmo a saúde mental, física e moral deriva dessa teia. Aquilo que você julga conhecer sobre si mesmo é moldado por diagnósticos médicos ou pela alienação de seguir um político corrupto e mentiroso. A verdade esmagadora é que o tempo que nos resta nos condena ou nos glorifica em um abismo emocional.
​Quando a percepção cotidiana torna a vida mais fácil — ou nos envelhece —, isso se revela como evidência do despertar ou do desequilíbrio. Ao olharmos para o quadro da existência, vemos um silêncio sufocado por narrativas que iludem e alienam. Ainda assim, contemplamos essa imensidão visual, mesmo sabendo que o abismo dentro de nós é infinitamente mais profundo do que supomos.
​Na teia das sensações, a sensatez conectiva torna-se um fenômeno raro e de difícil compreensão. Ao contrário das relações humanas triviais, a dissociação da realidade ambígua se revela de dentro para fora, num vazio eterno e coletivo. Vendemos sensações e escolhas porque a narrativa do tempo nos oferece uma versão da realidade que seja minimamente aceitável.
​Nas relações mais profundas, a solidão social se escancara: somos seres medrosos e alienados em busca de aceitação. Buscamos o conforto de ser algo absorvível por uma realidade suportável. Afinal, "a colher não existe" — apenas nos entorpecemos olhando para ela.
​A percepção desse paradoxo eleva a dimensão metafórica do ser. Beber vinho faz de alguém um alcoólatra? A rotulação congela a condição do indivíduo em sua própria realidade. A depressão dentro da opressão surge das ironias impostas pela própria ilustração do aspecto moral. Aceitar essa ambiguidade é compreender o manto que nos cobre as costas, enquanto o medo de viver se transforma em tempo perdido e permanente.
​Assumimos múltiplas facetas para que haja um entendimento alienatório da existência — uma tentativa de sobreviver na mesma realidade ao lado de uma horda de pensamentos divergentes. Preso em si mesmo, o ser revela a realidade rasgada, enquanto a mente se redesenha a cada momento irônico em que busca uma identidade própria dentro dessa teia social. Afinal, quanto tempo realmente temos diante do medo de existir?