Na nebulosa dilacerada, sutilezas são... Celso roberto nadilo
Na nebulosa dilacerada, sutilezas são expostas como barreiras profundas. Escolhas dentro de escolhas, em puras e respectivas alucinações, dão a sensação de um palco massivo e agressivo nas profundezas do espaço.
Na colônia do asteroide Phobos, satélite de Marte, repousa uma tecnologia extraterrestre. As colônias atravessam o cosmo conhecido e o desconhecido; novas bactérias são expostas a experiências para a obtenção de oxigênio, enquanto, na compacta consciência de embriões congelados, clones despertam para viagens temporais.
Em posições distintas do tempo — onde a urgência é analisada, rotulada e julgada aceitável —, surge o horizonte da humanidade, que celebrou modificações corporais e mentais. Neste contexto, como um joguete no núcleo da expansão espacial, vemos colonos e visionários: figuras abastadas cujo único intuito ao ir para Marte era deter a maior riqueza do mundo.
Dentro da ironia da história, chegamos à Lua e depois a Marte. Chineses com suas maravilhas tecnológicas e russos com sua superação inigualável; a formação técnica transcende com nanobots e com a fogueira do século. Mentes são conectadas em tempo real em um ponto do universo, operando na velocidade do microcosmo — a mente digitalizada, congelada nos laços do tempo e do espaço, transcendendo as barreiras humanas e suas limitações conectivas e físicas. Trata-se de um entendimento alienatório para a totalidade da exploração espacial: evoluímos sonhando.
Nesta odisseia, Terceul compreende os parâmetros da gravidade não apenas como ondas sintéticas do movimento centrífugo, mas como a própria vértebra do universo. A gravidade é um efeito sublime da natureza, sem moléculas próprias, uma condição magnânima da finitude nascida do núcleo planetário e da formação galáctica.
Paralelamente, a lua Europa, com suas criaturas fantasmas e vulcões no gelo extremo, abre as portas para um mundo enigmático. Contudo, a pressão massiva da água revela que fomos moldados por sonhos em um mundo fanático. Afinal, ainda seremos humanos após tantas contradições corporais e mentais? Ou nos tornamos parte de uma realidade simulada — uma simulação gráfica projetada para nos manter em um presente contínuo?
Ou talvez seremos apenas contos descritos em um papiro digital, inscritos na parede de uma caverna cosmológica contando a história da humanidade... assim como a Voyager 1 e a Voyager 2, cujos registros de viagem transcendem a própria existência de seus criadores.
