Antonio Costta
Não me tornei maior
nem melhor que ninguém;
sou apenas o somatório
das coisas que a vida me ensinou.
Quem faz propaganda de si mesmo
é porque suas virtudes não foram suficientes para ecoar na multidão.
Não vivo correndo atrás de fama;
há muito escritor famoso
escrevendo uma literatura
de péssima qualidade.
Um poema só valerá apena
se ele provocar no leitor
sentimentos de enlevo,
de indignação,
de alegria ou de dor.
Mesmo que a vida
seja guerra renhida
não tenho raiva da vida;
pois a vida é preciosa
e merece ser vivida.
TRAGO POESIA...
Trago poesia nos ossos,
trago poesia na carne,
trago poesia na alma,
em tudo que penso, que faço.
Meus sonhos são feitos de poesia,
meus desejos são versos escritos,
meu tesouro não cabe nos bancos...
Trago guardado no peito
Como se fosse um segredo
revelado ao pé do ouvido.
Canto meu canto profundo
poesia pra mim e pro mundo.
Meu canto de pássaro pequeno
canto bem cedo, ao sereno,
qual rouxinol, patativa,
cantando, a seu modo, a canção
que deixa minha vida mais viva,
minh'alma amorosa, cativa,
e mais humano este meu coração.
Que importa ninguém me escute,
Ninguém me der atenção?
Eu continuarei a cantar
como uma cigarra do campo
que canta, intensa, seu canto
até sua vida acabar.
A vida merece respeito,
jamais deve ser suprimida;
pois é preciosa de mais
para que não seja vivida.
(Poema para ser lido depois de minha morte)
Não me venham colocar nome de praça,
não me venham colocar nome de rua;
só quando o poeta morre é que tem graça?
Reconhecem seu valor em terra sua?...
A realidade que vivemos é tão crua,
um desprezo diário que não passa;
somente quando morre se atenua,
é que essa dor se esvai feito fumaça.
Quem tanto ama a sua terra, tanto canta
as belezas do torrão que lhe encanta,
com todo amor que no seu peito encerra...
Não deveria ser mais valorizado?
Mas só depois da morte é que é lembrado
como alguém que enalteceu a sua terra.
O tempo levou meus cabelos,
levou-os tão de repente;
Que importa os cabelos que foram?
Inda tenho poemas na mente.
