As Coisas Nao Acontecem por Acaso
O destino me guia para uma direção e cada dia que passa eu me modifico. Eu já não sou a mulher tensa de janeiro, a confusa de fevereiro, a pedra preciosa de março, a independente de abril, a evoluída de maio, nem mesmo a triste de junho, a esperançosa de julho ou a radiante de agosto. Eu sou a mulher de setembro e ela é um misto das anteriores e ainda mais, guardando mistérios dentro de si como uma flor que pouco a pouco desabrocha. Conforme os meses passam eu vejo a menina do fundamental me acenar de longe, a moça do ensino médio desejar boa sorte, a acadêmica da faculdade de direito me jogar um beijo, orgulhosa da pessoa que me tornei. Elas vão ficando para trás e eu vou seguindo em frente... até a próxima versão de mim
Eu não sei como nem por qual motivo eu me vi cantarolando "Always" do Erasure e pensando nele e querendo, desejando estar com ele e beijá-lo até perder o fôlego. Fiquei aflita com isso, confusa, estranha...Porque meu corpo queima de dentro para fora quando penso nele e parece ser quase impossível conter esse incêndio dentro de mim. Então eu já nem quero fugir e quero é sair correndo para os braços dele e me sinto tão idiota por isso!
Ele beijava minha boca, meu corpo e entardecia lá fora. O sol beijava o mar, eu não conseguia tirar minhas mãos dele e pensei em como não havia outro lugar no mundo onde eu quisesse estar. Naquele momento não havia concursos, processos urgentes, telefones tocando, dramas familiares ou ansiedade. Só havia nós. O mundo todas desaparecia enquanto eu o abraçava e eu pensava que não queria soltá-lo nunca mais.
Eu não consigo viver sempre na corda bamba da incerteza. Eu sou feita de certezas, de pontos de exclamação e de pontos finais quando necessário. Seu excesso de pontos de interrogação foi até fofo no início, mas, com o tempo, esgotou. Com o tempo, me esgotou. Não se pode viver em cima do muro pelo resto da vida, Humpty Dumpty, porque, quando chega a hora, é preciso saltar sem hesitar.
Minha mãe, uma mulher simples, uma riqueza imensa...
Os ensinamentos que o tempo não apagou
Minha mãe dizia:
"Guardem na memória e no coração esses almoços de família."
Naquela época, talvez não déssemos a essas palavras toda a importância que tinham. Quase todos os domingos nos reuníamos ao redor da mesa, principalmente quando recebíamos a visita dos meus irmãos mais velhos, que moravam em São Paulo. Era algo tão natural, tão comum, que parecia que aqueles encontros fariam parte da nossa vida para sempre.
Hoje, aqueles almoços já não acontecem como antes. Ficaram as lembranças, as histórias, os rostos e a saudade. E só agora compreendo a profundidade daquele conselho: ela sabia, talvez por experiência própria, que os momentos mais simples da vida podem se transformar nas nossas maiores riquezas.
Às minhas irmãs, ela costumava dizer:
"Guarde o que comer e não o que fazer."
Ou seja, não deixassem para amanhã aquilo que poderia ser feito hoje. A comida poderia ser guardada para o dia seguinte, mas as louças sujas não deveriam ficar acumuladas na pia até amanhã.
Era uma maneira bem-humorada e inteligente de ensinar organização, responsabilidade e zelo pelo lar.
Uma expressão simples, bem ao jeito dela. Mas vejo hoje que carregava também uma lição sobre generosidade, desapego e a importância de valorizar aquilo que recebemos, em vez de viver acumulando ou cobrando.
Também me lembro de uma noite da minha infância. Eu tinha muito medo de dormir no escuro. Minha mãe, percebendo meu medo, sentou-se ao meu lado e me ensinou uma oração que, segundo ela, havia aprendido com sua madrinha:
"Nesta cama eu me deito e nela eu me levanto. Peço à Virgem Maria que me cubra com o seu manto e, com ele, estarei coberto. Não terei medo nem pavor, das coisas deste mundo e das que de outros forem."
Aquela oração me trouxe segurança. Talvez ela não imaginasse que, muitos anos depois, eu ainda guardaria tão viva na memória aquela cena: minha mãe ao meu lado, ensinando-me uma oração para que eu pudesse fechar os olhos sem medo.
Hoje percebo que, enquanto me ensinava a rezar, ela também me ensinava a encontrar conforto na fé, a enfrentar meus medos e a sentir que nunca estava sozinho.
São essas pequenas coisas que fazem uma vida permanecer dentro de outra.
Uma escada e uma luz que formam estrelas para caminhar em meio a essa escuridão...não se limite apenas á escuridão; se agarre às estrelas, vale a pena brilhar!
Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.
Quando escolho fechar os olhos, a escuridão floresce espinhos em meu coração que não consigo ver, apenas sinto e a escuridão de não ver vai se transformando em alívio...um vazio inexplicável pois esse vazio parece doce e, no fim ainda é um vazio abissal.
Posso não chorar mais com as lágrimas mas meu corpo chora; ao senti-lo pesado quando tento resistir ao choro de lágrimas.
Estou cansada de não fazer nada mas é como se eu pudesse fazer e não quero assumir a responsabilidade e é aqui que a culpa e distância consiste o cansaço.
Quem conhece Jesus come pão com água e dá glória a Deus, mas quem não o conhece, até comendo picanha, murmura.
Não queira ser uma pedra de tropeço no caminho de um homem avarento, porque os avarentos são capazes de tudo.
A Bíblia não diz que Davi cantava bem, mas sim que ele tocava bem. Portanto, não se deixe enganar pelo tom de voz de alguém, pois só Deus sabe o que realmente habita no coração dessa pessoa.
Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não louvar, eu louvo. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não orar, eu oro. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu desistir, eu não desisto.
