Adeus Vc Acabou com tudo
Olhos Cor do Céu
CAPÍTULO 4:
A aula acabou e, como eu já havia previsto, não consegui me concentrar em uma única palavra da professora. Nós fomos para o recreio, então a Andiara começou:
- Meu Deus, Amanda! Que sorte a sua, hein? Caramba! Eu queria ser você. Acho que todas as garotas da sala queriam naquele momento. E então? A letra dele é bonita? Ou ele não fez nada a aula toda que nem eu?
- Hahaha. Ele fez sim. E sim, a letra dele é bonita até demais pra um garoto. Me surpreendi.
- Uau. E como foi passar 40 minutos olhando pra ele?
- Eu é que te pergunto. Creio que você e todas aquelas garotas devem ter "secado" ele.
- Ah, sim, todas mesmo. Bom, eu não prestei atenção a nada, como de costume.
Nós duas andamos pela escola durante o intervalo da aula e, como nem se quer esperávamos, encontramos o Gabriel encostado à mesma parede, com um pé apoiado nela. Ele estava lindo, vestido com uma camisa vermelha da escola, com uma bermuda jeans azul clara e com tênis All Star preto. Ele olhava ao redor, observando as pessoas e a escola.
O sinal bateu e nós voltamos às aulas. Tudo continuou como antes. As garotas agora já não estavam mais suspirando tanto quanto antes. Mas ainda o olhavam como se ele fosse feito de ouro.
Bateu o último sinal das aulas, o que quer dizer que todos guardaram o material voando e correram para os ônibus. Eu, como de costume, nem dei muita atenção. Esqueci de avisar, mas eu moro praticamente na frente da escola. A Andi guardou o material correndo, me deu tchau e foi embora. Porque ela não mora na frente da escola, infelizmente.
Eu estava saindo da sala, sem pressa, quando olhei para o lado e vi o Gabriel. Para o horror de meu coração, que disparava forte demais, ele olhou para mim e disse:
- Você não vai de ônibus?
- Ah, não, eu moro aqui perto.
- Ah, que legal. Eu também. Você mora aonde exatamente?
- Sabe a loja de eletrônicos que tem aqui em frente?
- Sei.
- Então, tem uma casa rosa claro do lado. Eu moro ali.
- Não brinca. Então a gente é vizinhos.
Ele disse isso com um sorriso enorme no rosto. Parecia estar sinceramente contente com a novidade. E eu, nem precisei forças sorriso algum.
- Sério? Que legal. Mas você mora aonde?
- Eu moro num apartamento logo acima da loja de eletrônicos. Tem dois ali. Um é da dona, e outro, mais atrás, é onde eu moro. De aluguel, é claro.
- Ah, que legal. Então a gente mora bem perto, mesmo.
- É.
A gente já estava na frente da minha casa. Então eu disse:
- É aqui. Então, boa-noite, Gabriel.
- Boa-noite, Amanda.
Eu entrei em casa, sem olhar para trás.
Olhos Cor do Céu
CAPÍTULO 8:
Quando acabou a aula, todos saíram rápido, como sempre. Menos Gabriel e eu, claro. E ,mais uma vez, ele veio até mim.
- Então, você costuma dormir á que horas?
- Depende. Mas costuma ser entre às uma e meia e as duas da manhã.
- E faz o que até essa hora?
- Internet, livros, músicas, poesias...
- Poesias?
- Ah, droga. Esqueça disso.
- Não, não. Você disse que faz poesias? Você escreve?
- Hum... É. Não sou boa, apenas gosto de escrever, então...
- Cara, você é demais. Sério.
- Ah, valeu.
Nós estávamos já em frente às nossas casas. Eu ia me despedir quando ele perguntou:
- Você tem facebook?
- Aham.
- E qual é o seu sobrenome?
- Findemberg.
- Amanda Findemberg. Vou procurar você no facebook agora. Você vai entrar?
- Bom, já que tenho um propósito, sim.
- Legal. Até daqui a pouco então, Findemberg.
- Até.
Entrei em casa. Fui para a internet. Cerca de dois minutos depois, um pedido de amizade. Era dele. Gabriel Alvarez. Aceitei. Ele logo me chamou no bate-papo.
- Oi.
- Oi.
- Achei você.
- É, acho que sim.
- Então, Amanda, onde você deixa suas poesias?
- Eu salvo elas num site que tenho. Ninguém além de mim e da Andi sabem da existência dessas poesias.
- Legal. Será que você pode me enviar o link?
- Ah, não me peça isso.
- Que tal então nós trocarmos links? Eu ainda não disse, mas eu também tenho um site de poesias.
- Não brinca. Sério? Então passa aí.
- Passa o seu primeiro.
- Vamos passar juntos. Vou enviar agora, o.k.?
- O.k. Já.
Nós trocamos os links. Li as poesias dele. Incríveis. E como eu queria ser as garotas para quem ele deve ter escrito essas maravilhas. Então comentei:
- Você parece ter sofrido muito na mão de algumas garotas. Ou será apenas mentiras de poetas?
- Pra ser sincero, é mais a segunda opção.
- Sério? Nenhuma fala dos teus sentimentos?
- Apenas uma. Que eu me referi ao meu pai.
- Acho que sei qual é. Parece doloroso. Você o perdeu?
- Sim. Leucemia.
- Lamento muito.
- Não lamente. É a vida, não é?
- É. Mas às vezes a vida é injusta. E algumas vezes só o que podemos fazer é lamentar.
- É. Falou a poeta. Você também parece ter sofrido bastante. Ou será apenas mentiras de poeta?
- É mais a primeira opção. Raras vezes a segunda.
- Uau. Isso significa que vou conhecer bastante sobre você aqui, certo?
- É, acho que sim. Já eu não sei muita coisa sobre você.
- Você sabe algo que muitas pessoas não sabem. Esse assunto, meu pai, eu não falo muito sobre. Nem com a minha mãe. Eu não cheguei a conhecer ele, sabe.
- Sério?
- É. Duas semanas depois do enterro de meu pai, minha mãe descobriu que seria mãe. Ele se foi sem se quer saber que seria pai.
- É realmente uma história... triste. Imagino que deva ser difícil para você.
- Na verdade não. Saudades eu não posso dizer que sinto, pois não o conheci. Eu apenas fico pensando como seria ter um pai presente. Ou mesmo como seria ter um pai... Mas vamos mudar de assunto, por favor. Então, foram um ou mais caras para quem você fez essas poesias?
- Foram cerca de uns 3 ou 4.
- É. Não é muito para uma poeta. Isso significa que quando você se apaixona, seus sentimentos duram bastante tempo, certo? Ou você muito tempo sem se apaixonar?
- Na verdade as duas opções. Quando eu gosto de alguém, gosto mesmo. E um sentimento verdadeiro demora para sumir do dia pra noite. Então levo um certo tempo para esquecer. E depois mais um tempo até aparecer outro alguém... Mas eu também não quero falar sobre isso...
Nós dois ficamos até tarde conversando sobre poesias e livros. A noite passou serena e tranquilamente enquanto eu me apaixonava mais.
"E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? E agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho. Já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode. A noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
Tem pessoas que dizem acreditar em final feliz. Agora me diz... Como ficar feliz com algo que acabou?
Não há mais palavras,
Acabou.
O vento não uiva,
O galo não canta,
A gaita, frustrada no canto.
Acabou.
As folhas se rasgam,
E tem seu som silenciado.
Corações partem,
Trens partem.
O músico, frustrado no canto,
Tem seu som silenciado.
Silenciado pelo barulho
De sua mente, de sua alma.
Seu coração já não bate,
Silenciado pelo barulho.
Do galo, ao vento, rasgando a folha.
Da última música, que o músico frustrado,
Escreveu naquele canto.
O trem partiu, a gaita ficou, naquele canto.
Bendito seja o dia que acabou de nascer!
Que ele venha carregado de boas energias,
recheado de coisas boas e com uma boa
dose de fé e esperança, para enfrentarmos
a nossa semana que esta iniciando!
Priscilla Rodighiero
Queridos formandos, acabou o tempo da Escola. Agora estarão livres, dedico este pensamento a vocês. Transem bastante, mas não se esqueçam de usar camisinha, bebam, fumem tudo o que for natural. E quando quiserem um pouco de conhecimento frequentem a biblioteca. Afinal, os melhores contos estão nas loucuras, mas a genialidade estão nos livros.
A luta não acabou, a vitória não chegou, mas você ainda está de pé, não foi vencido, e não vai desistir, seja firme!
Então um capítulo deu errado e daí ?
Quem disse que a História acabou ?
Terminar com final feliz
Só depende de Você
E mais ninguém .
Sim, estou em fase de superação, e aprendi que é necessário aceitar, que acabou, que foi melhor assim, mesmo que doa na alma, mesmo que pese nas lembranças, você tem que aprender a viver sem, e isso se chama aceitação.
CALOR DA ALMA
Quando você chegou
Descongelou o iceberg
que vivia meu coração...
acabou com o frio que
invadia minh'alma,
só pelo calor do seu corpo
Passei a viver nas chamas do amor
que você colocou dentro de mim
seu beijo ardia meus labios
e deixou suor em meu pescoço
Derreteu meu coração
algo que eu não sentia a muito tempo...
E agora?
E agora?
O comercio fechou,
A escola parou
O emprego acabou.
E agora?
Na igreja não vou
reunir-se não pode
visitar os pais não vou
e a gente se isolou.
E agora?
Milhares de pessoas o vírus matou
outros milhares ele infectou
e a muitos ela já alcançou
E agora?
Quando tudo terminar
saberemos como recomeçar?
Teremos força para recomeçar?
E agora?
o que podemos fazer
para não perecer
toda a nossa vida
seja ela na família
ou na economia?
E agora?
Saudades de quando eu era super-herói e podia sair voando por aí. A Kriptocorona acabou com minhas aventuras. Vai passar. Enquanto isso vou tomando o meu Café.
Vatapá do Cerrado
Um dia ele chegou e disse:
— Acabou! Não volto mais.
Saí da caixa das comodidades e perguntei:
— Por quê?
Ele disse:
— Não sei, falta... Tempero.
Saí depenada na partilha, minha única herança:
Um velho livro de receitas.
Mas havia um sentido ao acontecido:
Casa dividida
Filhos partindo
Amigos indecisos
Família desconfiada
E eu sozinha...
...e o pior, ser acusada de ser sem tempero!
Realmente, naquele lugar, não havia espaço para que eu pudesse descarnar minha alma e retemperar minha vida.
Passei pelo quarto de minha AVÓ, que disse:
— Tenha fé! Se tivesse pernas lhe acompanharia.
Parti.
De lembranças: mudas de alecrim, coentro, manjericão, ora-pro-nobis.
Talvez a outra fosse assim:
Com a boca besuntada de manteiga de cacau, escorrendo ignorância, pele cor de açafrão de tanto vadiar ao sol, cabelos negros como tinta de lula.
Mas...
Eu tinha as faces cor de pimenta rosa e um modo de fazer diferente.
Precisava remexer e fazer um VATAPÁ e mostrar a todos que o amanhã é outro dia.
Desossei uma galinha, desfiei sua carne e modifiquei meu "penteado".
Coloquei um quilo de camarão, imaginando que o mar é grande...
Deitei azeite de dendê em abundância para lustrar meu ego.
Despejei leite de coco, pensando que o vento no coqueiral, vira a qualquer hora.
Apertei os tomates maduros para que não sangrassem antes da hora.
Piquei e chorei junto às cebolas e acreditei que elas exorcizam o ambiente.
Com parcimônia no sal (à gosto) e acreditei em Deus e na criação.
Usei alho em lâminas para espantar a inveja
Salsas e cebolinhas trituradas para dizer que tenho tempero.
Abracei a azeitona para dar um toque aveludado à vida
Troquei... era hora... o amendoim dominado pela suavidade do baru do cerrado e acreditei no equilíbrio do sabor.
Retemperei e acreditei na receita, estava tudo pronto... mesa posta e farinha de mandioca para engrossar minha intuição.
Cansada, eu agora, precisava de um banho, de um mergulho. No quintal uma banheira jazia também abandonada.
Lustrei vida nova a ela. Forrei com alecrim para perfumar meu corpo.
Cerrei as vistas de curiosos, com lençóis, para que não criticassem minha nudez e filtrassem somente bons ventos;
Mergulhei!
E foi assim: era fim de outono, as folhas caíram na virada da tarde.
Pétalas coloridas inundaram a banheira e eu me senti importante com tantos confetes!
Na verdade, ele me perdeu, o tempo avisou que as folhas velhas cairiam, dando lugar às folhas verdejantes e elas inundaram a banheira. E eu cheirando a alecrim, engatei uma nova estação e pensei:
“Amor requentado
amigo reconciliado
nunca dão um bom-bocado”
Aceite e acredite na sua receita.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
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