Frases de Adélia Prado

Cerca de 88 frases de Adélia Prado

As línguas são imperfeitas
pra que os poemas existam
e eu pergunte donde vêm
os insetos alados e este afeto,
seu braço roçando o meu.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Nota: Trecho do poema Em português.

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⁠Categorias

Não nasci assim mãe,
assim avó,
assim tia.
Já fui filhinha,
irmã,
fui coleguinha.
Única e singular,
já fui louçã.
Agora,
mal começa a manhã,
entra noite, sai dia,
sou só dona Maria.

Adélia Prado
O jardim das oliveiras. Rio de Janeiro: Record, 2025.

O que a memória ama fica eterno.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Nota: Trecho do poema Para o Zé.

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Entre as pernas geramos e sobre isso
se falará até o fim sem que muitos entendam:
erótico é a alma.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Nota: Trecho do poema Disritmia.

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Inserida por portalraizes

⁠Filme B

Colarinho sujo e gravata,
cabelo pintado e caspas.
O close capta a canastrice do crápula.
Tem uma traça no traje que ele veste
fazendo papel de rico.
Balança o lustre de lata
no teto de papelão.
Atores, rosas expropriadas de sua alma,
meu límpido espelho.

Adélia Prado
O jardim das oliveiras. Rio de Janeiro: Record, 2025.
Inserida por pensador

⁠Herança

Deus dirá para mim, quando eu morrer:
Toma, filha, a escritura deste lote de pedras,
a eternidade é tua
pra cheirar capim seco à margem da ferrovia,
ver teu pai dando guerra às saúvas
e escutar tua mãe cantando.

Adélia Prado
O jardim das oliveiras. Rio de Janeiro: Record, 2025.
Inserida por pensador

Esconder-se no porão, de vez em quando, é necessidade vital. Precisamos de silêncio e solidão, e, não, apenas os poetas. Senão, corremos o perigo de nos esvairmos em som, fúria e esterilidade. O campo para que a palavra se instale para o autor e para o leitor é o campo do silêncio e da audição.

(Em jornal 'O Tempo', 16 de outubro de 2010)

⁠O sempre amor

Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra-sabão.
Alegre ou triste,
amor é coisa que mais quero.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.