Frases de Adélia Prado

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Adélia Prado (1935-) é uma professora, filósofa e escritora brasileira. Poetisa e romancista, consagrou-se como a voz mais feminina da poesia brasileira. Com mais de 20 obras publicadas, já ganhou diversos prêmios literários, como o Jabuti e o Camões. Escreveu "Bagagem" (1976), "O coração disparado" (1978), entre outras obras. Em 2025, lançou "O jardim das oliveiras".

Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Nota: Trecho do poema Ensinamento.

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Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Nota: Trecho do poema Poema começado do fim.

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...me consola, moço.
Fala uma frase, feita com o meu nome,
Para que ardam os crisântemos
E eu tenha um feliz Natal!...

Ama e nem sabe mais o que ama. (Pranto Para Comover Jonathan)

Dor não tem nada a ver com amargura.
Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais.
É pra ensinar a gente a viver.

"Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta.
As sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa."

Preciso mentir um pouco para que o ritmo aconteça e eu própria entenda o discurso.

Então eu virei pra ela e falei assim: ah, nada, boba, também é assim, se der, bem, se não der, amém, toca pra frente.

Quem carrega o mar nos seus limites tem carinho com o mar.

Quero comer bolo de noiva,
puro açúcar, puro amor carnal
disfarçado de corações e sininhos:
um branco, outro cor-de-rosa,
um branco, outro cor-de-rosa.

As sensibilidades sem governo.

Aqui se passa fome, aqui se odeia, aqui se é feliz, no meio de invenções miraculosas.

O amor me fere é debaixo do braço, de um vão entre as costelas, atinge o meu coração é por esta via inclinada

Adélia Prado

Nota: Trecho de poema presente no livro "Bagagem", de Adélia Prado. Link

Desejo a máquina do tempo
para que não haja o havido
e eu recomece misericordiosamente.

Do livro "Os Componentes da banda"

(...) fiquei doida no encalço. Só melhoro quando chove.

Eu acho que Deus é uma projeção humana, é um desejo infinito que nós temos de adoração, e de algo que nos suspende com o sentido absoluto.

.Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.

Faça-se a dura vontade do que habita meu peito: Vem, Jonathan, traz flores pra minha mãe e um par de algemas pra mim.

Eu quero depois, quando viver de novo, a ressurreição e a vida escamoteando o tempo dividido, eu quero o tempo inteiro.

Pranto para comover Jonathan

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.