Açúcar
Meu amor não é feito de açúcar. É feito de verdades. Açúcar se desfaz facilmente com água e o que era doce fica sem sabor. Verdades, às vezes, são amargas... Mas aí é só botar um pouquinho de açúcar.
Sou um pedaço de confusão sendo levada pelas águas
Sou o que chamam por aguada, me falta açúcar e tenho pouco sal,
Sou a chuva enlatada, a fruta consumida.
Sou um circulo entre retas, a cegueira com visão,
Demorei a perceber...
Que a vida é como um rio,
Correndo em uma só direção.
Dora constrói pirâmides. Uma de ovos, outra de queijo, uma de açúcar, outra de farinha de trigo. Dora, como mãe Rosa, como todos, vem de milênios e é quase feliz." (Estranhos na noite, romance, 1988)
Cidade Maravilhosa
Rio do bonde pão de açúcar
Rio do samba e do tambor
Rio das praias Rio da serra
das histórias de amor
do piscinão de Ramos
Rio do Arpuador
Rio da Barra da Tijuca
Rio da rua do ouvidor
Rio do Maracanã
Rio da Beija Flor
dos fogos de copacabana
Rio que supera a dor
Da Rocinha da Mulata
da ilha do Governador
Do Vasco do Flamengo
do Fogão do Tricolor
da garota de Ipanema
do carioca da gema
Rio do Cristo Redentor.
O amor, ao contrário do que muito se pensa, nem sempre é açúcar ou mel. Quando ele lhe cega totalmente a rasteira que ele lhe dá é tão sutil e ao mesmo tempo tão dolorida que você precisa de dias e mais dias para descobrir o que causou sua queda.
-Um café bem quente, forte e sem açúcar, por favor.
-Engraçado isto.
-O quê é engraçado?
-Uma menina tão jovem como você ter estes gostos, amargos.
-Ah sim, fiquei assim depois que fui magoada, depois que bebi o amor, conheces?
Talvez a última mente jovem liderada pelo doce açúcar, pela doce sutileza do drama junto ao café amargo derramado no assoalho antigo. Ela seguiu um caminho diferente – diferente do caminho traçado pelas jovens comuns – que a fez caminhar em uma direção sutil e magnífica, delicada o bastante para afastar o interesse dos jovens comuns. Uma compatibilidade de rimas, linhas, palavras rabiscadas que tornam-se vivas e vividas. Ler suas frases acaba se tornando um vício, vê-la cultivando pequeninos sonhos, pequenas memórias, pequenas esperanças e pequenos prazeres. Ao sentir o aroma desta rosa deslumbrante. Que fascínio! Um grande mistério, palavras incógnitas me prendem até o fim. Neste jogo de letras, que antes embaralhadas fiquei viciada, não consigo mais sair. Algo dentro de mim, me força a continuar, conhecê-la mais afundo, compreendê-la, talvez seja eu uma idiota, talvez eu esteja sendo incoerente, uma tola com xícaras na mão que se afunda cada vez mais em melancolia e nostalgia.
Sonhos de Açúcar
Meus sonhos, todos
são feitos de açúcar.
Eu até, sou feita de açúcar!
Uma doçaria imensa
de amarguras.
Uma Hipoglicemia
constante de vida!
Meus sonhos se esvaem
ao amanhecer da chuva.
Meus sonhos,
são feitos de açúcar!
Um sorriso torto, um abraço dado. Uma xícara de café com uma pitadinha de açúcar. Três passos a diante, uma sombra se mexe. A cadeira cai com um súbito pulo. Risadas e risadas em meio à surpresa do encontro repentino. Três despedidas, uma mesma saudade. Quatro beijos, todos infinitos. Nove toquinhos no braço, noventa olhadas na mão à procura de vestígios de amor. Um olhar ao redor, uma vida se passando aos olhos. Algumas falas, o mesmo sentimento. Um sofá, duas pessoas. Um só amor.
Toda noite tem a sua estrela, todo dia tem a sua nuvem, todo doce tem sua colher de açúcar, todo amargo tem seu limão, todo salgado tem sua pitada de sal, todo mendigo tem seu papelão, todo rico tem seu conversível ... e eu tenho nada, e só terei quando tu se apresentar a mim, minha futura mulher.
E o meu café amargo que você sempre esquecia que estava sem açúcar…Do que eu mais sinto falta, é do seu sorriso tímido me dizendo que as pessoas não entenderiam nunca a nossa conversa, e que antes de te conhecer melhor eu já sabia que tanta aproximação assim iria resultar nisso. Nessa coisa sem nexo, parece brincadeira de criança, parece roda gigante da qual parou na metade de seu percurso giratório. A gente parece a crítica de um crítico e um programa sem graça de sábado que passa na televisão depois da meia noite. Mas mesmo com todas essas disputas de quem é mais idiota que a outra, eu vejo seus olhos meio vermelhos de tanto chorar e dizendo que ninguém, absolutamente ninguém quer ver a gente tão junto.
Se for para vender sonhos, que sejam os de farinha e açúcar.
Vivemos em uma sociedade estagnada a vender barato o que não tem preço. E como diria um Alguém que fala mais alto do que eu: vivemos tentando comprar sem se vender. Nossa sociedade criou o seu peso e sua medida, criou um sistema de trocas para que fosse possível criar-se um comércio, e a grande commodity do momento somos nós, humanos, mercadoria em estado bruto.
Nobel criou a pólvora e sentiu-se realmente um grande mal-feitor, apesar da boa intenção, mas ele deveria descansar em paz, e deixar esse peso para um senhor rabugento que criou os humanos, ou para o precursor da idéia infeliz de posse. Creio que de tudo que os humanos pensam possuir, sua grande aquisição foi a estupidez. Querem possuir construções, objetos, animais, e outros animais de sua espécie. E depois de possuí-los, sua vida torna-se monótona, e em meio ao tédio que é a vida desses animais, eles passam a competir por quantidade, qualidade, agregando um valor alto a seus brinquedos projetados por seu instinto humano. E quando tudo isso se torna realmente valioso, são os objetos que passam a possuí-los. Pode parecer ficção científica, mas a realidade que é realmente inacreditável. O mundo que os humanos criaram está contra eles, e estabeleceu-se o caos.
A coisa está tão feia, que tudo vale ouro, a nova moda é vender seus sonhos, e sabe-se lá o que se compra com esse dinheiro depois. Desprendendo-se de toda hipocrisia, todos devem ser capazes de encontrar algum pequeno negócio feito por tolice. Quantas carreiras não foram trocadas pela administração, dá dinheiro! Ou por aquela que irá garantir um cargo na empresa do papai, dá dinheiro! Dinheiro que depois gastam com analistas por serem eternamente atores, jogadores de futebol, cineastas, e dançarinos frustrados. Mas, nem tudo é tão barato quanto uma casa no Guarujá.
Quantas vezes os homens se trocam por papéis que não pagarão satisfação enlatada,
Extra! Extra! Vendem-se sonhos, pureza, dignidade, consciência limpa, honestidade, esperança, atitude, o pai, a mãe, o filho. Seus valores também têm valor ($).
O planeta aquecendo e os homens congelando: a comida, os sonhos, e os sentimentos.
Vendem o que é passível de lhes causar uma tal felicidade, e compram maneiras de se auto-destruirem, seus corpos, suas almas e suas aspirações. E totalmente decadentes os humanos se projetam perfeitos, criando padrões de beleza e de vida que escravizam pessoas, e não as deixam perceber que esses animaizinhos primitivos vendem seu conteúdo para comprar uma bela embalagem. Propaganda é tudo.
O café sem açúcar é igual os momentos amargos de um amor insensível. Quando ingerido, sentimos na alma a ternura sucumbir.
Quer viver bem e feliz?
Ore a Deus e para de consumir açúcar!
O que tem uma coisa a ver com a outra? Nada, mas essas duas atitudes irão mudar sua vida pra melhor!
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