Acorrentado
A crítica arrancou as flores imaginárias da corrente não para que o homem
viva acorrentado sem fantasias ou consolo, mas para que ele quebre a corrente e colha a flor viva. A crítica da religião desilude o homem, a fim de fazê-lo pensar e
agir e moldar a sua realidade como alguém que, sem ilusões, voltou à razão: agora
ele gira em torno de si mesmo, o seu sol verdadeiro. A religião é nada mais que o
sol ilusório que gira em torno do homem, na medida em que ele não gira em torno
de si mesmo.
Estou fugindo. Com sede. Não me pergunte. Procurando. Correndo. Não me pergunte. Acorrentado. Cansado. Não me pergunte. Começar um texto nunca foi tão difícil. Assimetrar letras nunca foi tão arduoso. Encaixar as palavras dentro dos espaços parece ser uma tortura e um peso que me submeto a levar por um tempo. Um, que em outros tempos eu nem queria lembrar. Vomitando. Sem chorar. Não me pergunte. Assustado. Sem ar. Não me pergunte. Achei em mim algo que respondia o que nem gostaria de entender. Não me leia.
Não tenha medo de seguir em frente, pois o passado tem que ficar acorrentado no passado, sem nos causar medos no presente de vivermos um lindo e triunfal futuro. Saúde e Paz!
Pássaro preso
não canta, lamenta.
Coração acorrentado,
não bate, só vibra.
Roney Rodrigues em "Cativeiro"
Tire as correntes do seu cérebro, elas estão pesando seus pensamentos. Um cérebro acorrentado é um coração fechado.
"Hoje tenho apenas um coração quebrantado, uma alma triste e um corpo cansado, acorrentado numa âncora de ilusões e palavras que foram sufocadas."
-Roseane Rodrigues
"O escravo das drogas vive acorrentado com as correntes da morte, que só o alforria para um leito no hospital ou uma sela de cadeia, apenas para fazer o estágio antes de descer a sepultura".
"Nessa estrada o Violeiro cego
Tem visto mais coisas que uma luneta
Mesmo acorrentado pela vil corrente
Entorpece o corpo e deixa a alma quente"
Senzala do amor
Acorrentado, não posso fugir,
Não há janelas, as portas fechadas,
É minha prisão, rústica e abafada,
Total é o desconforto, nada a contemplar,
Ouço lá fora, o canto dos pássaros,
Eu sei que estão felizes, livres a voar.
Liberdade, liberdade, ah! sonho meu!
Enquanto isso, eu estou aqui.
Somente eu.
Amanhece o dia, ouço movimentos,
Talvez humanos, ou desumanos, não sei.
Só sei que lá fora, o que me espera,
Não é minha amada, minha namorada, certeza não é.
O que me espera, nada desejado,
Somente a jornada,
Trabalhos, trabalhos!
Ah! Minha vida, será que eu vivo?
Não sei, nada mais sei.
Só sei que lá fora, me espera a lei.
A lei que tirou, minha liberdade,
Que também tirou, de mim minha amada.
Que não mais à vi.
Porém o amor,
No meu peito ficou,
Ninguém o arrancou,
Meu direito de amar.
Muito embora que a sorte,
Forte como a morte,
Me trancafiou,
Em masmorras de dor,
Na senzala de horror.
Porém, no entanto,
Fiz em meu coração,
Suave canção.
E um lugar reservado,
Pra abrigar minha amada,
A senzala do amor.
Pobre vagabundo!
Amordaçado, acorrentado, esquecido.
Parece rodeado pela morte.
Mas como Sansão cego, muito força escondida, ali se encontra.
Vezes ele quebra os grilhões, vem ver o sol, até sonha voar,
Mas logo volta a sua masmorra permanecendo no esquecimento momentâneo.
Acorrentados
Toda namorada,
esposa ou afins,
querem ter o amado,
acorrentado assim,
sempre a seu lado.
Todo dia e toda hora,
finais de semana,
pela eternidade a fora.
Se isso não acontecer
vem o grito que faz tremer:
- “VOCÊ ESTAVA ONDE?
COM AQUELA ZINHA?
E desculpas, nem adianta,
Porque a moça responde:
- NÃO QUERO MAIS SABER DE VOCÊ!
Correntes
Acorrentado, amordaçado
Não há como fugir
Acorrentado, amordaçado
Ficarei mesmo aqui.
Todos os lados são iguais
Já contei várias rachaduras
Os toques são frios,
Será meu fim nesta cela escura.
Grito...mas só eu me escuto.
Os ouvidos foram tampado
Não querem se mexer
Já velam, estão de luto.
Ficarei presa no meu próprio corpo
Sem muito o que fazer
Até um ser se compadecer
Esperarei com o meu coração envolto.
Minha boca sangra
Minhas mãos e pés sangram
Ficarei vazio, franzino
Ninguém me aclama.
O esquecido,morreu
O sozinho, morreu
O renegado, morreu
O próximo,eu.
Correntes me envolveram
Faço delas companhia.
Ficarei mais um pouco aqui
Nesta cela escura e fria.
Tenho um amigo famoso mineiro, acorrentado pela mulher é manipulado, castrado parece um cachorro desdentado, sem papo, vivendo apenas e infelizmente como um cão são Bernardo, tenho um amigo famoso, mineiro as vezes farinheiro, farofeiro de álcool ele entende peste cachaceiro.
Tenho um amigo famoso mineiro, mentiroso cara de pau farofeiro, conta mentira daquele que mente e nem sente, tenho um amigo famoso mineiro, ele é daora as vezes encrenqueiro, tenho um amigo famoso mineiro, manipulado parece que foi capturado, essa é a história do famoso mineiro.
Brasil, povo acorrentado
Acorrentado? Sim, das mais variadas maneiras, pois sistematicamente compete a uma má gente os flancos de asneiras, o elo da corrupção grita alto no colo da nação, a vontade, os sonhos, as oportunidades estão em colisão, medo, inconsistência, inclinação perversa, natureza adversa da própria estrutura, tal qual canalizada de uma armadura difícil de quebrar, a maneira de pensar, individualizada, o braço fraco nunca enxergado, numa pequena viagem versatilizando o quadrado, entre Amazônia e morros, no agro e na indústria, saneamento e cultura, senso educacional e a saúde febril, segurança e justiça, a desigualdade, a vulgaridade do meu Brasil, anelado, forte e grande céu, nossa terra do leite e mel, possuem um elo marginal, acorrentar o seu povo neste vasto quintal, porém ratifico, o anseio mora lado a lado, e acredito não ser condenado por essa aberração, incapacidade devastadora da corrupção, ainda que sangre, a reação é necessária, quebrar os elos, sai da janela fechada, sua e minha mente não podem ser acorrentadas.
Giovane Silva Santos
marcas do passado
Vivo como um presidiário
Perseguido oelo passado
Perdido acorrentado
Vivo como um zumbi
Sem sentido sem razão
Viver não me dar mais emoção
Vivo no engano
Mas com esperanças de te ver
E novamente viver
Mais intensamente
E colocar na mente
Somente
Você
Bem amada (o)
Quero falar-lhe e não sei o que dizer em meu afastamento! Que me sinto acorrentado às horas, como prisioneiro infeliz, contando-as, minuto a minuto, à espera do momento de solidão. longe dos homens e das coisas, para aproximar-me de você...? Que a vida para mim é vazia e sem sentido, como um fantasma errante... Que essa distância, tirando-a de mim, é um martírio tremendo, ao qual não sei por quanto tempo resistirei...?
Não sei o que lhe diga; como lastime a tristeza que me invade; como chore o tempo que estivemos juntos; como desejo estar perto de você! Vou dizer-lhe principalmente isto: amo-a(o) muito mais agora, porque a conheço mais, também. À distância, esta saudade enorme vai tecendo o fio de sua presença a meu lado e já vejo comigo, a todo o momento, uns olhos tristes que me disseram adeus chorando, a boca linda que me beijava tanto, o corpo voluptuoso que me ensinou a pecar, a voz serena em que se apoiavam minhas palavras apaixonadas e os braços macios que me abraçavam com força!
Pego seu retrato e coloco-o à minha frente, para saber que esta tristeza que me aflige agora tem uma razão de ser, pois você de fato existe e me ama também muito!
Responda-me depressa, mande-me um pouco de você, pois assim talvez alivie um pouco a tortura de amor.
Já não suporto de tanta saudade!
Seu(sua), sempre...
