Abstrato
SONETO EM SENSAÇÕES
Amor é abstrato, figura do coração
É tal qual perfume grassando o ar
Promessa e jura apoiada no altar
Quando dois olhares num só são
É sentimento, que nunca é em vão
Traz sonho e nos faz assim sonhar
Faz picada no anseio, pra caminhar
Um desejo nutritivo para a emoção
Amar do amor vai além, é o gostar
Espírito numa perfeita comunhão
Dança que põe o sangue a dançar
Nesta atração há poesia e canção
Que invade o peito e põe a tilintar
E aos sentidos traz varia sensação
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
ABSTRATO
Corri para me perder, me perdi para encontrar tudo o que desejava.
Andei só por andar, por entre pessoas que pensam ainda estarem vivas.
Sucumbi ao bem para me tornar mal de corpo, alma e coração;
Sofri para sorrir e acabar deitado no chão.
Despi-me de tudo para que assim o nada pudesse me completar.
Fiz de mim mesmo morada da tristeza e do caos, para desta forma ser mais um imortal
Que morre com facilidade;
Triste do homem que conhece a verdade.
Os templos vagam pelas ruas de terra onde as pedras ficam sempre nos sapatos.
Sou bipolar e não nego, faço do céu inferno e na água não navego;
Prefiro os versos, estes sim são sinceros e acima de tudo, eternos.
Do homem ou da mulher nada espero, do matrimônio sou réu e quem sabe até refém.
Os animais falam as línguas incomunicáveis de fato, os saltos tampouco são altos;
Mas a saúde dos seres vivos é escassa como as latas da dignidade.
Os papos estão sempre cheios, mesmo que de arrogância e ignorância;
As lanchas andam nas ruas e os ônibus nas lagoas.
As pessoas vão quase sempre sobre rodas, pouca gente se incomoda com a moda
Mesmo quando ela é retrógrada.
A primeira luz do incansável pensamento abstrato, substrato ou concreto encaminha-se sob a tendência do caloroso coração o desejar do seu encantado refúgio repousar.
A última semente do vasto campo se faz com as rosas entre duas mãos. A perfumar aquele cujo nela tocar.
Meus demônios
São monstros da minha solidão.
Tão abstrato o mundo inteiro é precipício...
Sem fundamentos absolutamente o nada...
ABSTRATO
Nosso amor
Tornou-se abstrato.
Maltrato a rima.
Parece difícil
Pior...
Até no seu pensamento
Torno-me abstrato
Me mato.
Já fui gato
Retrato
Imediato
A jato.
Hoje, abstrato
Fato
Ingrato
Rato.
Seu trato
Fez-me abstrato.
Eu não acompanhei
Os fatos
Por isso me mato.
Maltrato a rima.
Mas não me furto
A difícil tarefa
De lhe trazer à mente.
E dizer que meu amor
Abstrato
Vai além deste conceito.
E, a cada dia
Te quero mais.
Deus não tem figura nenhuma, ele é igual o espaço abstrato absoluto.
Deus é a circunferência, o homem é o eixo, Deus é a vida o homem é o movimento, assim como não pode existir movimento sem vida, tampouco pode haver vida sem movimento.
Deus é o homem invisível e o homem é Deus visível.
Deus é a verdade em essência, para se conhecer essa verdade é mister rasgar o véu da falsa aparência, Deus é a essência, nós somos a substância.
Deus - homem. Do uno veio o nascimento
da natureza.
Esposa e companheira, e unindo o Deus a Deusa, a vez primeira, vibrou no espaço a vida em movimento!!!
Escorre lágrima
Escorre lagrima passada,
Pingue no chão seco do tempo,
E faça desenhos abstratos,
Sem sentidos,
Sem desejos.
Escorre lágrima presa,
Já é hora de se libertar de meus olhos,
Mostre-se que já não é mais a mesma,
Tão salobra e saudosa.
Escorre lágrima seca,
Que apenas arde os olhos como terra,
Pois já não demonstra a dor que carrego,
Nem o peso que você carrega.
Escorre lágrima verdadeira,
E espere que alguém como eu também te entenda,
Sabendo que desenha a dor de algo,
Que perdeu, que nunca teve, que apenas almeja.
Escorre lágrima minha,
Agora doce pela alegria desse absurdo,
Entendendo que muito sem deus é nada,
Mas pouco com DEUS é tudo.
COMO PODE SER O AMOR ABSTRATO?
Como pode ser o amor abstrato
se posso tocá-lo, senti-lo, penetrá-lo?
CONCRETO/ABSTRATO
Eis aqui minha solidão
que desorganizadamente teima em existir.
Eis aqui minha guerra
que caleidoscopicamente procura ideal.
Eis aqui minha lucidez
que meramente quer ser visível.
Eis aqui meu amor
que inutilmente permanece acordado.
Eis aqui o imprestável
que interessa a muitos.
Eis aqui a limitação
do que é possível.
Eis-me aqui desarticulado - ironicamente vivo:
o poeta que não sabe amar inventando uma realidade.
Suponho me entender
desentendendo-me
s u b i t a m e n t e ! . . .
Já relacionei o amor com Deus e o mundo
do abstrato ao mais palpável
Descobri que o amor é compatível com tudo
contudo, é incomparável
A arte é o belo, e o belo é abstrato, e tudo quanto reluz me parece ouro, e tudo que posso penso, mas logo vem o desejo de reluzir também.
A paixão é um estado transitório e abstrato que nos leva a outro mais nobre e mais concreto, ou não!
Sonho abstrato e riqueza insana
Fragmentos de ideias
Bagunca organizada
De cores incolores
Que nao altera o produto
Da ordem dos fatores
Sonho abstrato
E o pleno ignorar
Do eixo em movimento
Na geometria circular
Com seus simbolos pintados
Que nao conhece o odio
E nao sabe o que e amar
Meu silêncio quase abstrato.
Do que eu mais precisei foi de conforto, emocional. Na vida as coisas são tão difíceis, mas escrever me salva a alma, como se o mundo estivesse a espera da minha escrita, e as pessoas estivessem gritando de vontade me ler, “Escreva, Escreva, Escreva!!”. Mas como se isso fosse possível, quando ninguém mesmo me conhece, nem eu própria sei de onde vim, ou pra que exatamente estou aqui. Mas na corrida que eu sempre me perco, há de ter alguém me esperando, há de ter alguém pra me dar um apoio emocional, ou ofensivo.
Eu espero para que todos durmam, mas na maioria das vezes eu durmo primeiro, pois não vejo a hora de chegar em casa e me deitar para me desligar da realidade, as pessoas que já não tem mais prazer em viver deveriam ser chamadas de “anti-vida”, sim, as que perderam totalmente a vontade de levantar e continuar.
Mas mesmo que o mundo acorde sempre de manhã, eu sempre vou ter amor, seja lá de quem for, ou meu próprio, sei que nasci para poucas coisas, e elas são, escrever, amar meus filhos que ainda pretendo ter, e amar o mundo com sede de viver, mesmo sendo fingimento, talvez alguém um dia consiga se acostumar com essa rotina de quem é feliz, e por se acostumar tanto, nem perceba que já se é feliz verdadeiramente, sem mentiras.
Um dia na casa mais bonita da cidade, a gente vai se encontrar, eu vou ficar em silêncio, como de costume, é o que eu mais faço, fico em silêncio, e vamos ter uma conversa silenciosa, eu e você, vida.
Vamos discutir esse estado tão vazio em que meu coração e alma se encontra, quero um dia poder ter forças pra mostrar ao mundo que a minha opinião também quer ser reconhecida, apesar de ser injusta, mas o amor que carrego comigo é para os outros, estou disposta a amar qualquer ser, a ponto de perdoar até a mim mesma. A ponto de amar uma criança e cuida-la e cria-la para ela mesma, e souta-la no mundo, depois que já se acostumou tanto comigo a ponto de me chamar de velha careta.
Sou um tanto quanto careta, na verdade beber e fumar sozinha e coisa de quem é meio viciado em solidão, eu gosto só do que me interessa, e que fique bem claro, eu odeio gírias, e tudo que se está na moda, e tudo que todo mundo usa. Adoro a diferença que alguns tem prazer em fazer, adoro contestar em silêncio, beijar na chuva e beber sozinha, sim, sem ninguém, já não basta ter que aguentar as minhas próprias opiniões formadas em relação a tudo, e todas são absurdas, sobre o amor eu já nem sei, como se já não bastasse eu, eu não me aguento quase sempre, tenho antipatia por mim mesma. E fico absurdamente feliz quando encontro alguém mais perdido que eu.
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