Abismo
Uma coisa ruim puxa outra coisa ruim; porém, uma coisa boa puxa outra coisa boa. 🌀
Um abismo chama outro abismo. — Sl 42.7 🕸️
"A ingratidão é o eco de um favor lançado ao abismo: onde esperávamos o som do reconhecimento, o tempo devolve apenas o vazio de um gesto esquecido."
Bastou o encardido encontrar o ponto fraco do povo — esse abismo sutil entre a religiosidade e o fanatismo — para politizar as igrejas.
A religiosidade, quando saudável, nasce da consciência da própria fragilidade.
Ela é ponte: liga o humano ao divino, o erro ao arrependimento, a culpa ao perdão.
Já o fanatismo é muro.
Ele não aproxima; separa.
Não ilumina; incendeia.
Não convida ao amor; convoca à guerra.
Entre uma coisa e outra existe um terreno perigoso: o ego travestido de fé.
É ali que discursos políticos encontram abrigo, não para servir, mas para dominar.
Quando a fé deixa de ser transformação interior e passa a ser instrumento de poder exterior, o altar vira palanque — e o púlpito, trincheira.
Não é a política que contamina a fé; é o coração que, seduzido por certezas absolutas, troca o Evangelho pela ideologia.
O problema não está em cidadãos que creem participar da pública — isso é legítimo.
O problema começa quando a fé deixa de ser farol moral e se torna escudo partidário.
O fanático não se percebe capturado, acredita estar defendendo Deus, quando, na verdade, está defendendo homens.
E homens passam.
Projetos passam.
Mandatos também.
Mas o dano causado quando se confunde Reino com governo terreno atravessa gerações.
Talvez o maior sinal de maturidade espiritual seja justamente este: saber que Deus não precisa de cabos eleitorais, nem de militantes inflamados, mas de consciências coerentes.
A fé que se ajoelha não precisa gritar.
A fé que ama não precisa esmagar.
A fé que é verdadeira não teme perder espaço político, porque jamais dependeu dele para existir.
ALMA NA JANELA
A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.
Lu Lena
Mergulhei no teu abismo e descobri que não era queda era pertencimento. Encontrar-me no teu fundo foi, finalmente, deixar de ter pressa de votar a superfície.
Niilismo é olhar para o abismo e se jogar dentro. Humanismo é olhar para o abismo, cuspir nele e construir uma ponte por cima.
Vivemos o auge da ironia evolutiva: o autismo, historicamente definido pelo abismo na comunicação, tornou-se o novo pré-requisito para o palanque digital. Nunca tantos 'incapazes de se comunicar' falaram tanto para tanta gente sobre como é difícil falar.
Quando olhar para o abismo tenta te paralisar, lembre-se: a ponte só existe porque alguém ousou construí-la.
Quem escolhe lançar pedras,
cava o abismo do próprio coração.
Mas quem estende as mãos,
abre caminhos de compaixão.
As pedras não constroem,
elas ferem, destroem, afastam.
Mas mãos estendidas levantam,
curam, unem e restauram.
Não perca tempo com o covo; quem vive de intriga cava o próprio abismo. Foque no Pai, porque só o Céu recompensa caráter.
O seu olhar é um mar revolto: por cima, a onda da mentira que tenta me enganar; por baixo, o abismo de quem está pedindo socorro e não sabe como dizer.
Eu reconheço o abismo de onde saí e as quedas que levei, mas hoje estou de pé. A vida é dura, mas graças a Deus fui mais forte que o vício. Me libertei do cigarro e do álcool sem precisar da ajuda de igrejas hipócritas; minha fé é direta com o Criador e minha força veio da minha própria vontade de viver.
✝️ Se o vaso está cheio de água mundana, derrame-a no abismo e renove-o com a água pura do evangelho.
📖 Efésios 4:22–24
Floresce e resiste as estações
do tempo na Mata Atlântica,
a Rainha-do-abismo nesta terra
de Santa Catarina romântica.
Inspirando também a acontecer
do amanhecer ao anoitecer.
Manhã de Sol e noite enluarada,
Porque tu és flor enraizada
e filha de cada novo alvorecer
desta Pátria nascida libertada.
Não preciso te dar este poder
porque ele é teu desde nascer.
Sanhuda para ser o teu abismo
de flores nativas para que
se perca com indomável ímpeto
em plenitude em retribuição,
E me coloque em iniciação
no teu pomar selvagem de adoração
Evanescer por dentro e ser o ardor
crescente em transbordamento,
o prazer lúdico e elegante,
da cobiçança em chamamento
do desejo romântico e fúrio
intrincados ao mesmo tempo.
Para não dar chance de escolha,
tornar-me a rebeldia mais louca,
e querer ter nas mãos as rédeas
da sagrada intimidade perturbadora.
Assim para que meus beijos feitos
dos ingazeiros dos rincões distantes
da nossa América do Sul profunda
beije o teu corpo bonito e o cubra.
Um homem faz o que tem que ser feito.
E às vezes isso significa
atravessar o próprio abismo
sem garantia de ponte.
Significa calar o orgulho
quando ele grita,
erguer-se quando a alma pesa toneladas,
e sorrir para os seus
mesmo quando por dentro
há tempestade.
Um homem faz o que tem que ser feito
quando o mundo desaba
e ele decide ser teto.
Quando todos correm,
ele permanece.
Quando todos acusam,
ele assume.
Quando todos desistem,
ele constrói —
nem que seja com as próprias mãos feridas.
Porque ele entende algo raro:
não é sobre força física,
é sobre suportar o invisível.
É sobre carregar responsabilidades
que ninguém vê,
engolir lágrimas que ninguém percebe,
e ainda assim continuar.
Um homem faz o que tem que ser feito
porque sabe que o caos precisa de ordem,
e alguém precisa ser rocha
quando o chão desaparece.
Ele não age por aplauso.
Age por princípio.
E no silêncio da noite,
quando o mundo dorme,
é ali —
na consciência intacta —
que ele encontra sua coroa invisível.
Porque o verdadeiro homem
não é aquele que impõe poder.
É aquele que suporta o peso
sem perder a alma.
Entre as palavras e o mundo
que as recebe
há sempre um abismo...
Um rio escuro, fundo, largo,
onde poucos ousam entrar,
e menos ainda conseguem nadar
sem se afogar nas próprias sombras...
Interpretar virou um esforço raro,
um músculo atrofiado
num tempo em que tudo
precisa ser rápido, raso e imediato...
Separar fato de opinião
tornou-se um labirinto estranho,
onde muitos tropeçam,
confundindo seus medos e traumas
com verdades
e suas certezas frágeis
com argumentos...
Há gatilhos emocionais pendurados
como armadilhas invisíveis
em cada palavra que se lê ou escuta...
Eles disparam antes do entendimento,
empurrando a razão para fora do caminho...
A polarização cavou trincheiras profundas,
pontos cegos viraram muralhas,
e qualquer nuance é assassinada
antes mesmo de nascer...
O TDAH coletivo,
fabricado pelo excesso de telas,
transformou mentes em páginas
que vivem sendo atualizadas
e nunca realmente lidas...
O viés narcisista ampliou seu império,
ou seja:
se não reflete o meu mundo,
se não confirma meu umbigo,
não serve, não presta, não existe...
A lógica perdeu espaço,
o pensamento analítico
virou peça de museu,
onde poucos o visitam...
E assim,
falar e escrever,
esse direito tão humano
e tão legítimo,
não garante mais compreensão...
Porque entre a boca e o ouvido,
entre a mão e os olhos,
há um rio imenso e profundo...
E nem todos sabem nadar.
Entre a fala e a escritura
há a audição e a leitura...
E nem todos sabem ouvir e ler.
✍©️ @MiriamDaCosta
