Abismo
..e que mesmo diante de um abismo,
nós possamos ser fortes,
pés fincados no chão
para que nada nos
derrube.
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"A Sabedoria é um Cativeiro com Vista para o Abismo"
Salomão avisou há milênios: quem aumenta o saber, aumenta a dor.
Nietzsche entendeu o recado e transformou solidão em criação.
Maquiavel fez da frieza uma defesa. Greene, uma arte.
Os estoicos aprenderam a não se romper, mesmo quando tudo os feria por dentro.
E eu?
Eu sou introspectivo.
Minha solidão não depende da presença ou ausência de ninguém — ela é estrutura.
Detesto quem invade meu silêncio como se fosse um vazio, quando na verdade é onde eu me reconstruo.
Porque pra estar comigo, tem que suportar a profundidade sem se afogar.
A sabedoria me isolou — não por arrogância, mas porque poucos aguentam a lucidez crua sem disfarces.
Não é orgulho.
No Abismo do Silêncio
Num canto escuro da alma caída, Ecoa a dor que não foi compreendida.
A tristeza sussurra em cada vão, E aperta o peito, sem dar perdão.
A depressão chega sem avisar, Como um vento frio a soprar devagar.
Rouba o riso, esvazia a cor, Transforma o amor em cinza e dor.
Um coração partido, sem direção, Sangra memórias em cada pulsação.
Entre os escombros da destruição, Perde-se a fé, perde-se a razão.
O medo se arrasta, sorrateiro e lento, Molda o silêncio, distorce o pensamento.
E a covardia, vestida de calma, Envenena os sonhos e cala a alma.
Surge a tragédia em forma de adeus, Rasgando os céus com gritos seus.
E resta o vazio, frio e calado, Onde antes um ser inteiro tinha habitado.
Um segundo, e todo seu mundo despenca em queda livre em um abismo revestido por estiletes!
Cortes se multiplicam e o sangue se mistura as lagrimas...
Fantasmas dançam ao som dos meus medos
Nesse dia todos os planos se esvaíram!
Toda a segurança e confiança se reverteram em pó!
Só restou a angústia que sufoca e a dor que me consome sem dó!
Espero o impacto final da queda, mas esse abismo não tem fim!
Sinto estar caindo por meses!
As lâminas estão ficando maiores e mais afiadas e já quase não resta carne para se dilacerar
Das primeiras feridas já sai pus! E a escuridão e a solidão escutam inertes meus gritos de desespero!
Sinto a vida passar e escorrer entre meus dedos!
Tais olhos que um dia trouxeram o conforto jamais conhecido
Hoje refletem o pior pesadelo! Destruindo-me, não vejo saída e nada tem graça!
Depois que do amor somente veio minha maior desgraça!
As vezes acho que não vou conseguir, fico a beira do abismo quase caindo, mas sempre DEUS me dar forças de levantar a cabeça e no final sempre acabo conseguindo o que quero, ainda bem!!!”
Seu olhar, outrora inocente, tornou-se o eco do nada, uma escuridão tão densa quanto o abismo de um buraco negro, cujo magnetismo me arrastava irresistivelmente para a perdição.
Teu vulto no abismo
(Eliza Yaman)
Vejo teu vulto em cada espasmo meu,
como se a dor tivesse voz e forma.
És o espectro que nunca se perdeu,
a febre que me consome e transforma.
Teu beijo é ausência que me dilacera,
fantasma doce em meu sistema orgânico.
E eu, poeta, sou víscera sincera,
sangrando versos num delírio pânico.
Hoje eu aprendi, entendi, senti,
Há dores que nos levam ao abismo da alma,
Nem a morte da alma eu venci,
Uma figura angelical alada,
Me leva, leva a minha dor,
O que sinto pode contaminar um oceano,
Ja morri mil vezes por ter acreditado no amor,
Quem merece tamanho engago?
Perdi o meu coração duas vezes,
Para a morte, e para o meu amor,
Não epserava da vida esses revezes,
Não encontro no vazio do peito a cura da dor,
Mas ainda bem, fiquei sem coração,
Fiquei sem acalento, perdia a audácia,
Nâo me resta o medo de perder o perdão,
Pois minha vida foi uma falácia,
Eu te perdoo, eu morro, mas eu te perdoo,
Eu morro por perdoar e não saber confiar,
Eu morro por perdoar e não saber paziguar,
Eu mato quem eu fui, o que senti, eu te perdoo
''Não foi a traição que mais me doeu, foi quando me prometeram o mundo e me atiraram no abismo logo em seguida''.
Quando nos tornamos conscientes do mau que existe em nós, seria o mesmo que observar o abismo que existe em nosso coração, quando olhamos o vazio que nele há, como um espelho, o Abismo reflete o que somos, olhamos para ele, e ele olha para nós. Existe beleza em fascinar o vazio, quando, mesmo por alguns instantes, soltamos a sombra ocultada pela máscara, podemos ter um vislumbre do potencial escondido, podemos imaginar o bem e o mau que somos capazes de cometer, quando a máscara quebrar e não houver correntes que segure seu outro lado, a verdadeira natureza do indivíduo será revelada.
Entre o Coração e o Vazio
Há um abismo entre a boca e o coração,
um espaço onde os sons nascem e morrem
antes de alcançar o ar.
A língua repousa como um animal adormecido,
com medo de morder a própria carne.
Ele caminha entre rostos como quem atravessa um campo minado,
sabendo que cada gesto pode ser a explosão
que revelará a dor que carrega.
Prefere a distância à confissão,
prefere o eco vazio ao risco de ser visto.
As noites tornam-se longas
quando se guarda demais.
Os pensamentos crescem como raízes cegas,
procurando saída por frestas
que nunca se abrem.
O corpo aprende a calar antes da mente decidir,
uma disciplina antiga, quase cruel,
como um monge que jejua até esquecer o sabor.
O coração se torna um cofre de ferro,
sem chave e sem promessa de resgate.
Há uma ciência amarga em fingir normalidade,
em sorrir como se nada fosse urgente.
A arte de sobreviver está em parecer intocado,
mesmo quando por dentro
a própria alma se despedaça em silêncio.
Afastar-se é mais fácil do que explicar.
A ausência não exige justificativa,
apenas se instala como neblina,
apaga contornos
e esconde o que nunca foi dito.
Mas o que se evita pesa.
É um fardo que se acumula nos ombros,
uma sombra que cresce e acompanha os passos,
lembrando que todo silêncio é também
um grito sufocado.
O funeral acontece sob um céu pesado,
o cheiro de flores murchas e terra úmida
envolve os que choram com um peso invisível.
Ele observa de longe, sem se aproximar,
como se a morte fosse apenas mais um lugar
de onde é melhor se manter distante.
O caixão desce lentamente,
e todos ao redor murmuram despedidas
que ele jamais conseguiria dizer.
Os sinos soam como o eco de tudo que ficou preso,
e naquele instante,
ele percebe que enterra junto o que nunca teve coragem de oferecer.
Ele caminha sozinho pela rua deserta,
o corpo frio como pedra,
e pela primeira vez entende que não é o mundo que o abandona,
é ele que se abandona ao vazio
até que o próprio coração pare de chamar por socorro.
el abismo adentro de mi
sonhei que te encontrava
e nele você me queria
mas ainda em sonho,
o sono me acometia
e nele você me encontrava
e nele você me queria
mas dele eu não voltava
em terra firme eu te perdia
Almas Mais Escuras
As almas mais escuras não estão no abismo,
Não queimam no inferno, nem vivem no exorcismo.
Elas andam entre nós, silenciosas e caladas,
Ocultas na rotina, em vidas disfarçadas.
São sorrisos falsos, olhares vazios,
Corações que carregam segredos sombrios.
Na multidão, se perdem, invisíveis, sutis,
Suas dores profundas, sem fim, sem perfis.
Carregam fardos pesados, invisíveis ao olho nu,
Em um mundo de sombras, onde a luz não vem, não flu.
Masculinam sorrisos, mascaram o tormento,
Navegam em mares de dor, sem alento.
Cada passo é um eco de angústia e temor,
Almas perdidas, sem brilho, sem cor.
Silenciam seus gritos, sufocam seus ais,
Vivem entre nós, mas se sentem jamais.
Não é o inferno que as consome, mas a vida cotidiana,
Onde suas sombras dançam, uma dança insana.
As almas mais escuras estão ao nosso lado,
Caminham em silêncio, num eterno fado.
A queda me fragmentou, e cada pedaço virou sinal; o abismo me engoliu, mas renasci sabendo que o vazio também sustenta; o fogo queimou minhas certezas, e agora caminho com a chama dentro; as sombras me fecharam portas, mas descobri que elas carregam mapas secretos; o vento me arrancou, e aprendi que soltar é aprender a voar sozinho.
—Purificação
No Abismo da Alma, cada fragmento se torna lâmina de coragem, cada sombra revela estradas ocultas, e cada silêncio desperta a força que corrói e constrói o destino.
— Purificação
