Abismo
No silêncio da noite, a sombra se arrasta,
Um eco de risos, que a vida desgasta.
Caminhos desfeitos, memórias em dor,
Na dança da mente, o medo é o ator.
As horas se arrastam, como folhas ao vento,
Um peso no peito, um eterno lamento.
Olhos que buscam a luz da esperança,
Mas encontram apenas a amarga cobrança.
Sussurros de vida se perdem no ar,
Em um mar de tristeza, não há como nadar.
Os sonhos se quebram, como vidro ao chão,
E a alma, cansada, busca a salvação.
Mas mesmo na sombra, há um frágil fulgor,
Uma chama que arde, apesar da dor.
A morte é um ciclo, um fio que se estica,
E na amargura, a vida se critica.
Assim sigo em frente, entre lágrimas e risos,
Navegando os abismos, buscando os sorrisos.
E se a dor é um fardo que carrego em mim,
Que eu aprenda a dançar, mesmo assim.
Há uma sombra no palco,
os olhos vazios, o corpo de pedra,
repete as palavras como quem mastiga silêncio,
e a multidão segue, sem ver o caminho.
Há música no ar,
não de flautas,
mas de cordas gastas que rangem,
e eles dançam,
dançam como folhas no vento,
sem perguntar para onde os leva a corrente.
O abismo espera.
As bocas sorriem, as mãos caem,
há corpos que já se foram,
mas ainda seguem os outros,
com o brilho de uma fé cega
ou de um desespero antigo.
Quem os ouve, quem os vê?
Só o vento, que leva tudo
antes da queda final.
Entre o céu e a terra, tento começar,
Mas meu pensamento insiste em se espalhar.
Não sei bem o que quero expressar,
Talvez me falte a fé pra acreditar.
Mas uma força interna, que não sei explicar,
Faz meu peito esbravejar, faz palavras voar.
Sentimentos se agitam, uma leve emoção,
Por favor, meu coração, pulsa com paixão!
Nesta manhã sem sol, procuro o brilho no ar,
Mas a angústia vem me ofuscar, me fazer desencantar.
Por mais que as palavras tentem brotar,
A tristeza as veste, como o céu a chorar.
E como ontem, tudo parece sem sentido,
Eu peço a Deus, com o coração partido:
"Permite-me sair desse abismo, Senhor,
Não pulando, mas resgatando o amor,
Aquele que um dia me trouxe tanta alegria,
Delírio, talvez, mas era minha fantasia."
Eu sei que preciso continuar a andar,
Um passo de cada vez, no caminho a trilhar.
Este momento parado me afoga em solidão,
Mas Deus, me permita sonhar outra canção.
E mesmo que a voz emudeça, eu hei de seguir,
Com o céu como guia e a terra a me ouvir.
Que o sol volte a brilhar no meu caminhar,
E que, em cada passo, eu reencontre meu lugar.
A atração física, fogo que devora,
Um toque, um olhar, a carne que implora.
É desejo em chamas, queima e arrebata,
É o corpo que grita, é o instinto que mata.
Mas a atração mental, tempestade serena,
É profundidade que nos envenena.
É o cérebro que toca onde a pele não chega,
É a mente que invade, é onde a alma se entrega.
A física, tempestade, que arrebenta e se vai,
A mental, o terremoto que fica, que cai.
Uma é furor, um arrepio que se desfaz,
A outra, um abismo onde o amor se refaz.
No corpo, a atração é grito, é paixão,
No espírito, é silêncio, é a revolução.
A física nos chama com urgência, com pressa,
A mental nos prende, nos envolve, nos pressiona e confessa.
A atração física nos consome, nos queima,
Mas a mental nos conquista, nos acende e nos trema.
Do impulso ao abismo, do toque ao segredo,
É na mente que moramos, é ali que nos perdemos.
Há momentos em que me vejo,
não como o mundo me enxerga,
mas como sou, na essência crua.
Só, no abismo do próprio ser,
sinto minhas formas dissolvendo-se,
enquanto sombras me envolvem,
sussurrando angústias que crescem.
Luto, me debato contra o vórtice,
mas a cada golpe desferido,
afundo mais dentro de mim.
A Palavra e o Silêncio
Falo—e a palavra corta o ar
como lâmina sem rosto,
como flecha sem alvo.
Quem a escuta? Quem a sente?
Quem lhe dá forma dentro do peito?
Dizê-las é rasgar o silêncio,
como quem fere a pele da água
e espera que o mundo responda.
Mas o mundo nem sempre escuta.
Ou escuta mal,
como um espelho partido
onde o rosto já não se reconhece.
Escrevo—e a tinta sangra no papel,
mas o que digo não é o que fica,
o que fica não é o que sou.
Entre mim e o outro há um abismo,
uma distância que a voz não vence,
um eco que se perde na sombra.
Às vezes são lâminas,
abrem sulcos na carne do tempo,
fazem sangrar quem as ouve.
Outras vezes, são leves demais,
tocam, mas não ficam,
morrem antes de nascer.
Quisera eu que a palavra fosse ponte,
mas tantas vezes é muro,
ferro, pedra, ruína.
Tantas vezes, o que fere não é o grito,
mas o silêncio depois dele,
o vazio onde o sentido se afoga.
E no entanto, insisto.
Porque dizer é resistir à solidão,
é lutar contra o escuro do não-entendimento,
é desafiar a noite com um nome,
mesmo que ninguém o repita.
Percebeu como os dias passam por você rapidamente. É na correria da busca do conhecimento que apressa-se a liberação do selo que lacra o livro, declarando o fim dessa era.
Palavras Não São Só Palavras
Se ao menos pensasses
nas palavras que lançam dos teus lábios
como flechas nuas,
sem rumo,
sem compaixão...
Se soubesses o peso
de cada sílaba que despejas,
em corações que só querem abrigo...
Se tivesses o dom
de desenhar as palavras
sem fazê-las sangrar
em quem te ouve e te ama...
Se teu olhar não moldasse
pensamentos frágeis,
se tua voz não ditasse
verdades que rasgam...
Se, ao menos,
guardasses em silêncio
o que não constrói,
o que não consola...
Se tuas verdades
não viessem cruas
nos momentos
em que o outro
mal consegue respirar...
Demorei —
mas hoje entendo:
palavras não são só palavras.
São pontes ou abismos.
Cura ou cicatriz.
Amor ou fim.
Para o ser humano desperto, que integra a sua natureza, a IA é ponte.
Para o ser humano adormecido, vivendo apenas para o externo, a IA é abismo.
Eu escolho ser desperto!
Ecos do Nada
Prometeram sentido — tarde demais.
O altar já estava em ruínas,
e a fé, como um fantasma que jaz,
sorria com suas mentiras finas.
Ergui minha alma como quem cospe sangue
em direção ao céu rachado.
Mas só ouvi o eco que nunca responde
e o silêncio, de novo, ensurdecido e alado.
A moral — um teatro de bonecos partidos,
pendurados em cordas de culpa e dor.
Choram por virtudes que nunca existiram,
rezam por um bem que fede a horror.
O tempo é uma piada repetida
contada por cadáveres em festa.
E a verdade? Uma prostituta envelhecida,
sábia demais para ainda ser honesta.
Nada é profundo. Tudo é abismo raso.
E quem ousa olhar… afunda.
Pois pensar é morder o próprio atraso,
e viver, uma doença sem cura, vagabunda.
Sinto-me vazia.
Uma solidão tão grande que me faz ter medo do universo. Qual o motivo de tanta tristeza? Escolhas erradas que me levam a felicidades momentâneas. Se me deito, lembro que nada é real, apenas mais um erro. Um erro ao qual me apaixono cada vez mais, em uma descida direto ao sofrimento, mas eu curto cada segundo, como se fosse o último.
"Quanto maior o equilíbrio, mais próximo da luz e mais flexível a alma.
Quanto menor o equilíbrio, mais próximo do abismo e mais endurecida a alma."
"Jamais devolva as pedras que lhe atiram. Antes, recolha-as, examina-as e com elas constrói teu castelo. Logo, aquele que lhas atira terá ao redor de si um abismo e tú, por sua vez, terá construído uma fortaleza"
Os comentários sinceros,
nos impulsionam.
Os comentários falsos,
podem estar nos empurrando
para um abismo.
Eu sou o cordão rompido do umbigo
Estou na seiva do mandacaru
Sou a respiração de um povo sofrido
Eu sou a cena do assalto ao amor
Sou uma canção cantada por índios
Uma visão que teve um xamã
Eu sou a bera do abismo
A esquiva da dor
Eu sou a quebra do ismo
Um bicho solto eu sou
Sou a escuridão
A anti matéria
Um coração pulsando na selva
Sobrevivente vivendo na guerra
Alma vivente, o bruxo das ervas
Eu sou o fogo do mundo e as cinzas
Sou eu quem gira o mundo
Eu sou os prazeres da vida
Eu sou um tesouro perdido
Fui eu que me perdi
Sou eu a saída
"Se à noite numa estrada sem iluminação você tiver a ciência de um grande buraco no caminho, e uma pessoa que você ama muito estiver indo na direção daquele abismo, o que você faria? É por isso que anunciamos com amor Jesus Cristo ao próximo."
Anderson Silva
As pessoas só chegam à beira do precipício ou caem nele quando ignoram todos os conselhos e advertências de Deus para não avançar naquela direção. E só não conseguem sair dessa situação quando também ignoram as mãos de Deus estendidas para ajudá-las.
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