Abismo
Balada do Teu Abismo
Quando mergulho
na profundidade
das tuas lágrimas
vejo as marés vazias
ouço o mar das tuas artérias
nessa viva e rutilante maresia
gotejam os descalços poentes
nas agitadas marés do teu rosto
onde a textura do amor desliza.
Sob o clarão telúrico
afixo a minha fervente âncora
à balada do teu abismo.
Conheci a intimidade do abismo
ouvi a sua conivência profunda
segredava-me imortais pesadelos, a sua respiração estava perto da minha e vagarosamente atravessei a escuridão.
Já ajudei pessoas a emergir do abismo, mesmo quando eu próprio nesse momento, estava no fundo desse abismo.
"....mas, se o que você quer é cair no abismo;
Vá a pé, devagarinho, sem pressa.
-Pois tudo que é da vontade costuma se cumprir."
☆Haredita Angel
Não há naufrágio mais medonho do que o do Pobre que naufraga no abismo das misérias, pelo prazer em comemorar a morte de um Rico.
Quem se precipita no Abismo dos Julgamentos, só encontra facilidade em condenar Pecados que Diferem dos Seus.
Vagueando pelas Profundezas do Abismo dos Julgamentos, acabei descobrindo não haver Pecados mais Fáceis de Condenar do que os que Diferem dos Meus!
Os que se precipitam no abismo das panelinhas não percebem que o Filho do Homem é especialista em vasos.
No abismo das panelinhas só se precipitam os que ignoram que o Filho do Homem é Especialista em vasos.
O Abismo da Polarização é tão medonho que os que nele se precipitam dificilmente voltam — aprendem a odiar o caminho de volta.
Sem naufragar no abismo das próprias misérias, ninguém conseguiria comemorar o infortúnio de alguém.
Mas, se parar para pensar, essa comemoração revela mais sobre o vazio de quem celebra do que sobre o destino de quem caiu.
É como se a dor alheia funcionasse como anestesia momentânea para a própria carência.
No entanto, a alegria construída sobre a queda do outro é sempre frágil: dura pouco, envenena devagar e nunca preenche.
A verdadeira libertação não está em aplaudir a ruína do outro, mas em resistir ao impulso de medir a própria vida pela infelicidade alheia.
VIVER É UM RISCO
Era uma vez
Um homem sem lei
Talvez um menino
Ao certo, não sei
Lhe faltava muito juízo
Parecia não temer o perigo
Costumava dizer
Que "viver é um risco"
Passarinho sem ninho
Pousava em qualquer lugar
Gostava do mais fácil caminho
Pois não sabia onde queria chegar
Trazia informação, calor, música, e poesia
Mas era tudo pura covardia
No fundo ele sabia o que fazia
Um precipício para mulheres a quem seduzia
Confessou que seu "único" medo era sofrer
Pode ser que tenha sido isso...
Só esqueceram de lhe dizer
Que sua armadilha gerava seu próprio abismo.
