A Hora da Verdade
Cristo
Suponho que tinhas a impetuosidade
Do homem que nasceu Santo.
E que podias mandar e desmandar
Da ordem natural das coisas.
E é sabido que o fazias.
Pássaros de barro voar.
Meninos malvados caírem mortos
E secos diante da tua ira.
Deus entre o mal nascido por escolha
Pobre e revolucionário.
Do contrário o que pregam é heresia.
Ou serei eu a única herege?
Porque fico ensimesmada
Ante tamanha contradição.
Não que eu não acredite em tua Divindade.
Deusdade.
Mas, convenhamos Senhor
Morrer por um mundo torpe?
Desigual até ultrapassar limites
De aceitação pacífica e cômoda.
É ultrajante.
Ver caminhar entre rios de dinheiro.
A corja maltrapilha e esfomeada.
Os excluídos do bojo da abastança.
É, no mínimo, insofismável.
De que morreste em vão.
Ou não?
Tenho sido anacrônica
Por voltar atrás em busca
De conceitos e preceitos
Que não casam mais na nossa dura realidade.
Fria e calculista.
Do mercado capitalista.
Que utiliza seu nome para gerar fartura
De dinheiro, não de almas.
Vendem sua fala que torceram
Para enganar o incauto.
Duvido que falavas em divisões
Desiguais.
Aconselhando-nos
A não nos importarmos com os pobres
Pois o mundo sempre os teria.
Não consigo imaginar um Deus
Criando um mundo para povoá-lo
De miseráveis.
E vê-los chafurdar na lama
Por puro prazer.
A desigualdade Senhor, é filha
Da cobiça
Do desmando dos lá de cima.
Que acham que podem posar de
Donos e posam sem escrúpulos
De curadores de almas e feridas
Da humanidade esquecida
Dos direitos básicos da vida.
E se foi por ela que morreste,
Então por que tardas tanto?
Senhor, em voltar.
Já é sem tempo, pois o teu mundo
Degringolou
Tudo piorou.
Tens de vir para ficar.
Não morrer mais pendurado
Pelos pecados.
Mas ficar eternamente entre nós.
Pois o que pregam é tão distante.
Da verdade;
Que nós deixam errantes.
E incrédulos.
Da tua sorte.
Da tua escolha de morte.
Capital mais que INICIAL
Sou homem já feito
Do Brasil eleito
Cantador maior.
Mas já fui pequeno
Pelejei
Vaguei de porta em porta.
Hoje sou "palqueiro"
Mas já fui terreiro
Jogando gude
Peteca
Um guri sapeca
Levado da breca.
Já bati com a cara no muro
Do mercado exigente
Hoje os holofotes me iluminam
Sorridente
Com os dentes tratados
Mas já fui telhado
De vidro partido
Hoje sou fluído.
De luzes coloridas.
Onde eu vim parar
Cantando pro mundo eu venci o baixo astral
Já fui quase nada
Hoje sou um Grande Capital
Mais que Inicial.
Voo de classe primeira
Durmo na suite presidencial.
Porque de menino
Virei homem grande
Virei na verdade um grande capital
Mais que Inicial.
O som da verdade soa em nossos ouvidos assim como o som da morte, todos sabem que vão morrer, mas sempre estão tentando fugir dela.
Geralmente quem distribui a verdade, pouco pode consolar. A verdade costuma ser fria, reflexiva, dolorida, sem véu. É causa, não efeito.
Nunca jogue fora o que existe de verdade na sua vida,por um simples momento de mentira...abençoados sejam
Eu creio!
Um sorriso me disse,
Ao notar que de meus olhos vertiam água,
Que se pudesse voltar atrás,
Enxugaria minhas lágrimas.
Que não imaginava causar aquela dor,
Que em mim, então causaria,
E que nunca mais em toda sua vida,
Esse coração novamente despedaçaria.
Eu creio!
Estou farto da verdade apenas dita.
Aquela que se molda em qualquer situação.
Estou cheio das meias verdades prometidas.
Essas são mentiras.
Quanta flexibilidade às peculiaridades.
Aquilo que se cala é omissão.
O que se fala é denúncia.
Perguntas são logros.
Não tenho mais ponto de vista, tenho certeza de pensamento.
É o que assimilo em foco sobre o que sinto.
Então, não prometas nada. Não sou mais expectador.
Se quiseres minha admiração, atue sem adereços.
Não digas nada, viva o espetáculo.
E beije, ou me deixe, ao vento.
Antes só, e incompreendido, do que mau acompanhado e vivendo uma vida de peças teatro, fingimentos, falácias e mentiras.
As pessoas tendem á trocar o 'certo' pelo 'duvidoso'... aparentemente o 'sabor da aventura' é mais excitante que 'o prazer da estabilidade'.
As pessoas tem medo daquilo que elas não entendem. As pessoas preferem explicar aquilo que elas não entendem por meios transcendentais, divinos... Pensar é algo que dá medo.
