25 anos
Vinte anos atrás...
O teu rosto não sai da minha cabeça, principalmente quando tocam aquelas músicas cheias de magia atemporal,
Chego as vezes a sentir o teu cheiro no ar de tanto pensar naquilo que vivemos com tanta intensidade,
No intervalo da escola quando nos achávamos pelos corredores era tão bom,
Tudo era tão simples e real, parecia até um sonho,
Quando você teve que partir com a sua família para outro estado eu não consegui segurar as lágrimas e a saudade por muitos anos, cheguei a implorar a Deus pelo meu coração ser entregue com a tua volta, mas fiquei sem respostas,
O gosto dos teus beijos ainda me visitam, as nossas mãos juntas quando estou de olhos fechados me intrigam, fomos embora um do outro por coisas da vida, mas o sentimento que eu vive com você nunca deixou de me abraçar.
Onde estás?
Sinto a tua presença, você acordou há vinte cinco anos e eu sinto suas batidas do coração,
Por onde andas que ainda não apareceu para continuarmos a viver o nosso amor de vidas,
A distância machuca, mas saber que você reascendeu me dá esperança,
Não sei em que lugares te procurar, não sei em que rua ou estrada vamos nos achar, só posso afirmar que vai ser lindo quando nos reencontrarmos neste plano de vida.
Haruto, o Peregrino de 93 Anos*
No vigésimo dia da minha caminhada pelo Caminho Francês, no sentido contrário a Santiago de Compostela, em direção a Saint-Jean-Pied-de-Port, avistei ao longe um peregrino caminhando em minha direção.
À medida que nos aproximávamos, percebi, pelos seus passos, que se tratava de um homem bastante idoso. Quando nos encontramos, fiquei impressionado. Com a coluna levemente curvada, apoiando-se em apenas um bastão, usando botas, um chapéu de estilo japonês e uma mochila com um saco de dormir preso a ela, transmitia serenidade e determinação.
Estávamos próximos ao topo dos Pireneus. Eram cerca de onze horas da manhã de um dia muito frio. Eu seguia para Logroño, enquanto ele caminhava em direção a Nájera, em uma etapa de aproximadamente 30 quilômetros.
Com a ajuda de um aplicativo tradutor, perguntei-lhe se era do Japão. Sorrindo, confirmou com a cabeça. Apresentei-me como português, residente no Brasil havia quase cinquenta anos, e perguntei seu nome.
— Haruto.
Perguntei de onde era.
— Osaka.
Em seguida, quis saber sua idade.
— Ontem completei 93 anos.
Fiquei sem palavras.
Então ele explicou:
— Quando meus filhos começaram a me dar pequenas tarefas para ocupar um idoso, eu lhes disse: "Enquanto eu tiver pernas, vou caminhar para não dar trabalho a vocês." Já faz cerca de vinte anos que não paro de caminhar.
Perguntei se os filhos não se preocupavam com ele.
Ele respondeu com sabedoria:
— Eles é que deveriam se preocupar consigo mesmos. A vida nas grandes cidades, longe da natureza, tira das pessoas a alegria de viver.
Também contou que já havia caminhado por todos os continentes, exceto a África, por causa do calor intenso e da pouca infraestrutura.
Conversamos por cerca de quinze minutos. Ao nos despedirmos, desejei-lhe uma boa caminhada e alertei sobre as longas e perigosas descidas que enfrentaria.
Sorrindo, ele respondeu com um antigo provérbio japonês:
"Caia sete vezes. Levante-se oito."
Ele fez uma reverência com a cabeça. Eu ergui a mão e disse:
— Que Santiago nos proteja.
Naquele instante compreendi que a verdadeira juventude não está na idade, mas na vontade de continuar caminhando.
O senhor Haruto, aos 93 anos, tornou-se um dos maiores incentivos da minha vida para jamais desistir dos meus próprios caminhos.
Peregrino Nino Carneiro
Mamãe
Você está morta há 27 anos agora
E eu preciso te dizer
Que eu não sou mais o velho Aldo
Que você costumava conhecer
Também você costumava dizer que
Eu não era totalmente adulto
Mas todo dia, quando eu
Ouvia
Você dizendo isso
Meus sentimentos ficavam muito magoados
E eu também ficava muito chateado
Eu já era um homem naquela época
Você não me deixava ter
Amigos
Você também costumava me dizer
Que eu não sabia me socializar
Com as pessoas
Mas você também nunca me deixou
Ter
Liberdade na minha vida
Mamãe
Hoje, se você estivesse aqui
Para ver o Aldo maduro
Que eu me tornei
Hoje eu tenho 58 anos
Mamãe
E também tenho muita
Liberdade
Na minha vida
Eu simplesmente amo que você esteja
Morta
Porque assim eu posso ter minha
Vida
E ser maduro
Também você odiava tanto
Minha poesia
Mas hoje estou escrevendo poemas
Há 27 anos
E nunca vou parar de
Escrever
Poemas porque é terapia
Para mim
Mamãe
Eu ainda tenho minha vida aqui
Na Terra
E tenho bons amigos
Que me apoiam
No meu dia a dia
Mamãe
Espero que você esteja descansando
No céu
Mamãe
No dia em que eu morrer, irei
Para o céu
E lá estaremos
Reunidos novamente
Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.
Rezar é como mandar um e-mail para um suporte técnico que faliu há dois mil anos: você se sente melhor por ter reclamado, mas o problema continua lá, rindo da sua cara.
Minha conta é simples: uma única vida intensa vale mais do que mil anos de conversas vazias e sorrisos falsos. Se o paraíso é cheio de gente chata, prefiro que meu tempo acabe logo.
Se vivesse 10 mil anos, seria tempo suficiente para mudar de religião, sexualidade e ideologia política inúmeras vezes? Será que isso de fato traria mais clareza ou apenas mais confusão?
O que diabos fazer durante um milhão de anos no suposto paraíso cristão? Aquele lugar não passa dum tédio infinito disfarçado de recompensa, um inferno repetitivo e sem escapatória.
A obsessão por um abdômen definido aos cinquenta anos esconde a nossa maior necessidade futura: a manutenção da nossa intimidade. O tempo vai passar para todo mundo, e quando os oitenta anos chegarem, o espelho perde o sentido. O que vai importar de verdade é a sua capacidade de fechar a porta do quarto e resolver a sua vida sozinho, preservando o seu espaço íntimo e os seus segredos. Envelhecer com vigor não é um capricho estético, é um ato de autodefesa para proteger a sua individualidade. Cuide do seu templo hoje para que ele continue sendo o seu castelo protetor até o fim da vida.
O Eco dos Anos
No limiar da meia-noite, o calendário curva-se novamente,
dissolvendo um ano em fumaça fina que escapa entre os dedos.
Não é o tempo que foge; é o eco que persiste.
Gestos repetidos como versos de poema gasto,
pensamentos sulcados na alma,
conversas nascidas velhas, pesadas pelo não dito.
Somos espelhos rachados.
Nelas reflete o mesmo espírito:
felicidade oca em dias cinzentos,
palavra de dicionário que evade a pele.
Buscamos reflexos polidos, amores distantes,
palavras que enchem o silêncio sem tocá-lo.
Num descuido ou graça súbita,
abrimos a porta da casa interior.
Ali, o caos negado: silêncios empilhados como móveis quebrados,
sorrisos mofados no escuro,
danças paradas no meio do giro.
As máscaras fundiram-se à carne.
Não sabemos onde acaba a encenação
e começa o real.
Avarentos com o coração, sabotamo-lo
por uma longevidade ilusória,
adiando o encontro essencial
como se a morte negociasse prazos.
Vivemos à espera — do fim do dia, do brinde vazio,
da distração que cala a voz insistente:
a vida não avisa o fim.
Quando a poeira baixa,
o novo ciclo surge não como promessa,
mas pergunta austera:
será possível, num lampejo lúcido,
acolher os cômodos vazios da alma?
Nesta virada, dispense jantares fartos e sorrisos falsos.
Chame-me apenas — para saber se estou bem.
Chame para a reciprocidade nua,
para aprender, devagar, empatia, generosidade, resiliência —
e as palavras que brotam no caminho, sem performance.
Voltemos ao templo que somos:
casa de sentimentos em pedra antiga e luz trêmula.
Com mãos lentas, sem julgamento,
varramos o ressentimento cristalizado,
lavamos janelas embaçadas,
deixamos o vento renovar.
Que nossas verdades ecoem no outro,
vulnerabilidade vire ponte de mãos estendidas.
Não reerga o edifício todo.
Entreabra uma janela,
deixe a luz cortar a poeira,
lembre: dançar é possível
entre escombros, peito partido,
eco persistente.
Que o templo seja morada, não prisão.
Ao limpá-lo, na poeira e luz tímida,
encontremos o espaço onde a reciprocidade inspire
Que os anos traga não felicidade premiada,
mas honestidade à criatura teimosa
que, apesar de tudo, escolhe estar...
Ysrael Soler
Os anos passam
e quando penso que já me formatei, percebo que preciso continuar me esculpindo para caber dentro das surpresas que aparecem. Seria muito mais fácil se minha mente e coração fossem de pedra…
Teixo antigo, arqueiro do tempo:
aprendeu a suportar o vento por anos para, em um único instante,
ensinar à flecha o caminho do destino.
Seleção Brasileira
Quatro anos carregando
o mesmo silêncio,
a taça distante, o sonho adiado.
Cada derrota virou cicatriz,
cada espera, um nó no peito do país.
O tempo passou devagar demais,
como quem olha o relógio
antes do apito final.
Mas a camisa segue
pesada de história,
e o verde-amarelo nunca desaprendeu a acreditar.
Agora é ano de Copa.
O coração volta a bater mais forte,
a rua se pinta de esperança,
e o passado vira combustível,
não medo.
Porque mesmo depois da ausência,
o Brasil entra em campo
com fé renovada.
Talvez seja este o ano.
Talvez seja agora.
A taça ainda não veio —
mas a esperança…
essa nunca saiu. 🇧🇷
Dias longos, anos curtos
Dias longos como estradas sem fim quando estou longe de você,
o relógio arrasta correntes pelo chão da sala, cada minuto pesa como inverno sobre meus ombros,
e a saudade é um sol parado queimando devagar.
Mas quando tua voz atravessa o silêncio, os anos encolhem como cartas dobradas no bolso,
o tempo vira rio apressado
correndo entre nossos dedos,
e a vida
— que parecia extensa
— cabe inteira num abraço.
Dias longos, anos curtos:
aprendi que o amor distorce calendários, faz da espera uma eternidade suspensa
e de uma vida ao teu lado…
um instante que passa voando.
A consciência é adquirida com o gotejar de muitos anos de atenção e pode se evaporar em alguns segundos de ilusão.
X
Aquele adeus a anos atrás não foi o suficiente para nos barrar,
O encontro de almas pode acontecer mais de uma vez na mesma vida, isso aprendi com o doutor tempo,
Nostalgia x almas x amor x tempo = Destino.
"Que sejamos pessoas melhores,
só assim teremos dias, meses,
anos bem melhores"
Salve 2019!
Salve o primeiro passo para uma vida melhor!
Haredita Angel
01.01.19
"Podem passar anos e anos velhos...
Podem vir anos e anos novos...
Se você não mudar, nada vai mudar!"
Haredita Angel
12.12.10
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