25 anos

Cerca de 11305 frases e pensamentos: 25 anos

Há anos transformo o que vivo em palavras. Não escrevo para agradar ninguém, nem obrigo ninguém a curtir ou comentar. Apenas compartilho aquilo que sinto, porque algumas coisas a gente não consegue guardar… precisa colocar no mundo.

Linda Trajetória






Há 59 anos...


No Bairro de Chã Alegre...


Existia um sonho
E uma plantação de Angélica.


O que antes era um sonho,
Foi se transformando em realidade


A partir deste momento,
Se inicia uma nova história...


Uma história de Fé.


Uma história de esperança.


Uma história que está transformando vidas.


uma história que que tem marcado gerações...


Uma história que jamais poderá ser esquecida...


E esta história está sendo escrita por um Templo...


O Templo da IEADPE,


Que veio para levantar e salvar pessoas
Dispostas a levar o IDE de Jesus...


Quando o Templo ainda era pequeno;


Aqueles que foram chamados
Para esta tão grande obra

Evangelizavam


E levavam a palavra de Deus


Por toda comunidade de Chã Alegre
E comunidades vizinhas.


Um homem simples...


E com um desejo enorme de evangelizar.


Um homem que foi chamado
E separado por Deus.


Um homem que ganhou muitas almas para o Reino.


Esse foi o evangelista Ir. Zito...


Desde então;


A comunidade de Chã Alegre
Nunca mais foi a mesma...


A igreja foi crescendo,


E cada vez mais alcançando
Mais e mais pessoas
Através das Boas Novas...


Neste lugar o Senhor capacitou obreiros:


Evangelistas,
Missionários,
Pastores,


E tantos outros que saíram deste lugar...


Ainda temos os nossos obreiros locais:


Auxiliares
Diáconos


Que atualmente servem com excelência
Nesta congregação.


Muitos são os que ainda serão levantados por Deus
Para continuar com este legado.


Uma história que hoje completa
Quase seis décadas...


Quase seis décadas buscando almas


E fazendo histórias


Quase seis décadas levando o ensino da palavra de Deus...


Em 03-09-1967
Foi inaugurada a Escola Bíblica Dominical.


Um culto de ensino da Bíblia,
Que muito tem a nos ensinar.


Ainda no mesmo ano
Foi inaugurado o Círculo de Oração de Adultos.


Órgão para mulheres dispostas


Mulheres com sede da presença


Sede da presença de Deus...


Mulheres intercessoras,


Que intercede pelo lar;


Pela família;


Pelos enfermos.


(Chorando)
Mulheres que clamam por misericórdia
E paz no mundo...


Que dobra os seus joelhos,


Desce ao pó
E busca a face de Deus.


No ano de 1968
Foi inaugurado oficialmente
Mais um trabalho...


A Campanha Evangelizadora...


Seja sol ou chuva,
Sai ao campo para evangelizar


Os que foram chamados para esse trabalho
São ainda mais ousados...


Ousados na palavra.


Ousados em abrir mão do conforto
E descanso.


Ousados para sair aos domingos
Em busca de almas...


No ano de 1974
Foi inaugurado o C.O.I,
Círculo de Oração Infantil.


Lugar que os pequeninos aprendem
A importância da oração.


É um dos primeiros passos dos pequeninos
No conhecimento da palavra de Deus.


E tantos outros órgãos se formaram neste lugar:


Coral,
Conjunto,
Jovens,
Adolescentes.


E hoje esta história
Se aproxima de mais uma década...


São quase seis décadas.


Décadas marcadas e eternizadas; na memória e no coração de toda igreja.


Uma história que jamais será esquecida.


Que jamais será apagada
Que jamais será interrompida...


Uma história construída
Com base na palavra de Deus.


Uma história que tem como único autor...


Jesus...


São quase seis décadas
Desfrutando da Graça de Deus...


____________________________________


Poesia escrita por: Carolaine Cruz


Uma poesia dedicada aos 59 anos do aniversário do Templo da IEADPE, uma Congregação do Município do Paudalho-PE.


A Poesia pode ser adaptada para outras igrejas, mas sempre citar o nome da autora.

Hoje alguns anos pós pandemia da a covid-19 a infecção respiratória aguda causada pelo corona vírus SARS-CoV-2, graças aos vários isolamentos sociais, no planeta temos mais portadores de esquizofrenia, perda de contato com a realidade (psicose) do que crianças transtorno do espectro do Autismo (TEA), a diferença consiste que no autismo geralmente manifestado na infância, recebe atenção desde cedo. Já na esquizofrenia, sobre tudo em adultos, eles geralmente ficam isolados socialmente, não querem perceber que estão com problemas e precisam de medicação e apoio. Atualmente existem medicações para esquizofrenia quem tem regularidade de 6 em 6 meses, o que já é um grande avanço cientifico para está enfermidade.

O Brasil que não conhece o Brasil mas durante muitos anos, nos lugares mais pobres, sem a mínima estrutura de sobrevivência e com grande dificuldade de oportunidades para as crianças e os adolescentes, a única maneira de galgar uma posição no mercado de consumo, na esfera social e mesmo existência fora da finita realidade original, era pela transmutação de gênero e comercialização do corpo. Em alguns pontos principalmente na região norte, está pratica é negociada diretamente com a família, sem pudor. Pois é bem melhor ver um filho se perder no mundo que ele, ficar em casa, e o ver morrer de fome.

Algumas reações acontecem e temos explicação cientifica anos mais tarde. Fazem alguns anos, que conheci a "P", numa praia carioca, nos identificamos, rolou um clima e combinamos para sair. Após algumas semanas, de relacionamento, fui tomar um café na casa dela e descobri que ela tinha sido criada por uma avó e uma tia avó, que fui apresentado. Desde o primeiro momento, eu percebi que a voz de uma delas era me muito familiar. Diante disto indaguei se ela tinha sido dubladora ou se teria trabalhado em radio, e prontamente me respondeu que não mas confesso que a voz a mim era extremamente conhecida. Conversa vem conversa vai, descobri que ela teria sido muito amiga de trabalho de minha mãe quando estava gravida de mim.

Iniciei me na gemologia bem cedo, por volta de 1970. Anos mais tarde, já conhecedor do oficio da lapidação de gemas de um modo geral iniciei uma grande amizade e parceria com o artista plástico joalheiro Caio Mourão, o verdadeiro percussor da arte jóia assinada no Brasil. A ourivesaria e a prataria é muito antiga no Brasil, desde os anos iniciais do período colonial, mas na verdade como advinham do oficio de oficiais ourives e prateiros, muito ligados ao clero, na sua grande maioria portugueses, trouxeram as técnicas e padrões utilizados na Europa. Talvez por conta disto, antes de Caio, a maioria dos joalheiros e ourives eram meros copistas pela imagem de obras de grandes e famosas grifes.

Hoje a Igreja Católica Apostólica, já ultrapassa mais de 2000 anos de historia e ainda não aprendeu perdoar, acolher, diminuir as diferenças, cantar, distribuir alegrias sobre a vida e compartilhar abundantemente as refeições. Sendo assim, ano a ano perde mais fieis felizes e livres só angariando poucos personagens, tristes, amargurados e ofendidos. Ainda não entenderam que Deus é vida para viver e conviver em liberdade. Admiro a alegria das Casas de Santo, e das boas vindas dos orixás. Se houvesse um orixá na Igreja Católica, de certo seria Nossa Senhora que acolhe os aflitos, sem nada julgar e confortar com o que mais se necessita por maternidade infinita.

O amor é uma porta curiosa: às vezes permanece aberta durante anos, mas nunca sabemos se fomos convidados a entrar ou apenas esquecidos do lado de fora.

44
Hoje faço 44 anos.
Lá fora, a chuva bate no vidro como quem tenta entrar.
O vento passa forte, assobiando entre as frestas, e por alguns segundos parece ser a única coisa fazendo companhia.
Estou aqui, olhando pela janela.
Os pés frios.
O quarto escuro.
O céu sem cor.
E dentro de mim, coisas que também não encontraram luz.
Conversas que ficaram pela metade.
Palavras que não chegaram.
Respostas que talvez nunca venham.
Pessoas que estão longe mesmo quando deveriam estar perto.
E caminhos que, por enquanto, parecem não levar a lugar algum.
Engraçado… aniversário deveria ser um dia cheio de presença.
Mas hoje o que mais consigo perceber são as ausências.
Ausência de algumas pessoas.
De alguns abraços.
De algumas certezas.
De algumas versões de mim que ficaram perdidas em algum lugar desses 44 anos.
Hoje não quero festa.
Não quero fingir que está tudo bem.
Não quero transformar tristeza em gratidão só porque o calendário diz que eu deveria estar feliz.
Hoje eu só quero permitir que este dia seja o que ele é.
Cinza.
Frio.
Silencioso.
Talvez a chuva lá fora esteja apenas acontecendo.
Mas daqui de dentro parece que ela entende.
E enquanto o vento bate contra a janela, penso em quantas tempestades uma pessoa atravessa sem que ninguém perceba.
Hoje são 44 anos.
Quarenta e quatro anos de histórias que deram certo e outras que ainda doem quando lembro.
De encontros e despedidas.
De sonhos realizados e outros que ficaram pelo caminho.
De pessoas que chegaram, pessoas que partiram e pessoas que, de alguma forma, ficaram inacabadas dentro de mim.
Talvez envelhecer seja também isso:
carregar um pouco de tudo aquilo que não conseguimos resolver.
E hoje, no meu aniversário, não tenho nenhuma grande conclusão.
Só esta janela.
A chuva.
O vento.
O frio nos pés.
Algumas coisas sem resposta.
E uma estranha sensação de estar comemorando mais um ano de vida justamente em um dos dias em que a vida parece mais silenciosa.
Hoje faço 44.
E talvez ninguém consiga perceber pela fotografia,
mas naquele quarto escuro existe alguém tentando, em silêncio, encontrar um pouco de calor no meio de um dia completamente frio.

⁠Sou o encontro de passado e presente
uma história que se enlaça
em tantas outras vidas
são anos de aprendizado,
de gente querida
de momentos bons
e outros nem tão presentes

Mas em mim está a força
de seguir em frente
a certeza de que a vida
é mesmo uma partida
e que cada passo dado
nos leva a outra vida
q ue o tempo é gigante
e ao mesmo tempo tão carente

Eu sou um livro aberto,
folhas amareladas pelo tempo
mas ainda trago em mim
a esperança e o sentimento
de que é possível criar
um mundo melhor

E assim vou caminhando,
entre o passado e o agora
tão vasta é minha jornada,
tão grande é o meu tesouro
sou o tempo que persiste
e que não tem borda nem sabor.

Se eu fosse falar a verdade
Talvez você se comovesse.
Perdi meu pai aos onze anos — e com ele, o lar.
A casa deixou de ser abrigo, tornou-se lembrança.
O conforto e a segurança que uma infância promete
se desmancharam na poeira do tempo.

A vida se desenrolou como um fio invisível
que eu apenas seguia, sem saber aonde levava.
Mas não escrevo para comover ninguém.
Sou um homem realizado no pouco que premeditei:
ser poeta — não por escolha, mas por destino.

Desde menino, tive uma clarividência silenciosa
sobre o que viria a ser.
Uma voz interior me dizia
que havia um mandato das alturas:
cantar, mesmo que o canto fosse triste;
dar forma ao invisível;
soprar o fio de Ariadne
que me conduziria pelo labirinto da vida.

Entre fragmentos e quedas,
fui forjado por dores que não escolhi.
E nelas, descobri a necessidade inevitável
de escrever — sempre com lágrimas,
sempre com o sangue secreto da alma.

Não havia mapa, só o instinto e a necessidade.
E foi nas escolhas, muitas vezes cegas,
que aprendi a me reconhecer.

Hoje compreendo que minha existência,
apesar de comum, sempre esteve repleta de sentido:
era o ensaio do homem que eu me tornaria —
um ser moldado pela perda,
mas iluminado pela busca.

A Canção em Valparaíso




Eu tinha vinte e seis anos e usava um anel que não significava nada.
Nem amor.
Nem compromisso.
Apenas hábito.
Tocava piano em um bar pequeno, escondido nas encostas de Valparaíso — um lugar onde os telhados se inclinavam em direção ao mar e as noites carregavam cheiro de sal, vinho barato e vidas inacabadas. O piano era meu altar. A noite, minha cúmplice.
Já havia estado ali antes, visitando um amigo — músico, livre de um jeito que eu não era. Ele morava com o irmão numa casa que sempre cheirava a pão quente e conversas silenciosas.
Foi ali que a vi.
Helena.
Cabelos escuros. Olhos que não olhavam — atravessavam. Tinha dezoito anos, mas nada nela era inacabado. Havia um fogo contido em seus gestos, como se soubesse exatamente o que podia causar — e escolhesse quando.
Já tínhamos nos cruzado antes.
Um almoço.
Um olhar sustentado um segundo a mais.
Nada além disso.
Mas naquela noite, dividíamos o mesmo espaço. O mesmo silêncio.
Então toquei.
Uma canção que raramente me permitia — uma das poucas que eu podia executar sem me esconder. Não toquei para o ambiente. Toquei porque algo em mim precisava ser ouvido.
As pessoas falavam. Copos se moviam. A noite seguia.
Ela não.
Deu um passo à frente.
Não o suficiente para chamar atenção.
Apenas o bastante para escutar.
Quando a música terminou, não houve aplausos.
Apenas um sorriso pequeno — inteiro, definitivo.
E aquilo bastou.


A casa foi se esvaziando devagar, como todas as noites fazem.
Corpos desapareceram em colchões e cobertores improvisados. As conversas se dissolveram em respiração. As luzes se apagaram sem cerimônia.
Ficamos.
Uma televisão acesa ao fundo mostrava algo que nenhum de nós via.
No começo, nada.
Um ombro tocando o outro.
Uma pausa longa demais.
Então ela virou o rosto.
Sem perguntar.
Sem hesitar.
Permitindo.
O beijo veio sem negociação.
Não havia inocência ali —
mas também não havia culpa.
Apenas reconhecimento.


Não fomos para um quarto.
Não houve necessidade de distância, preparo ou significado.
Ficamos ali mesmo — entre almofadas, entre horas — dentro desse território frágil onde o desejo se torna imediato e a linguagem deixa de ser necessária.
Foi intenso.
Não por ser selvagem.
Mas por ser certo.
Há noites que acontecem.
E há noites que decidem algo.
Essa decidiu.


De manhã, não havia nada a dizer.
Nenhuma promessa. Nenhuma pergunta. Nenhuma ilusão de continuidade.
Ela se vestiu em silêncio.
Eu não pedi que ficasse.
Ela não fingiu que ficaria.
E talvez essa tenha sido a única verdade que fomos capazes de oferecer um ao outro.


Para ela, pode ter sido curiosidade.
Um instante.
Um desvio.
Para mim, foi outra coisa.
Não amor.
Nem memória.
Reconhecimento.
O momento em que entendi que aquilo que eu carregava — nas mãos, na voz — podia alcançar alguém além da superfície.
Que, por um breve instante, eu não estava apenas tocando.
Eu estava sendo sentido.


Às vezes, quando toco aquela mesma canção — com o mesmo cuidado, a mesma precisão silenciosa — não lembro do rosto dela.
Nem do corpo.
Nem da voz.
Lembro de outra coisa.
Do exato instante em que me tornei inesquecível
na vida de alguém que nunca ficou.

## Capítulo XXII


# A Conversa Depois


Durante vinte anos acreditara que o encontro seria o fim da espera.


Descobriu que era apenas o início de outra forma de tempo.


Saíram da cafeteria sem combinar destino algum. Heidelberg permanecia envolvida pela serenidade discreta das cidades que aprenderam a conviver com os séculos. As ruas estreitas conservavam o rumor distante do rio, e o vento da primavera movia lentamente as copas das árvores como se também ele tivesse decidido caminhar sem pressa.


Nenhum dos dois parecia disposto a romper o silêncio.


Não porque lhes faltassem palavras.


Mas porque certas presenças exigem primeiro o reconhecimento da realidade antes de aceitarem a linguagem.


Durante duas décadas haviam conversado através de livros, críticas, perguntas e ausências. Agora precisavam aprender uma tarefa infinitamente mais difícil.


Estar um diante do outro.


Foi Ariadne quem sorriu primeiro.


— Você continua caminhando como quem pensa.


Ele riu.


— E você continua observando como quem escreve.


Ela abaixou os olhos.


— Nunca deixei de escrever.


— Eu sei.


— Como sabe?


— Porque ninguém pensa dessa maneira sem escrever em algum lugar.


Ela não respondeu.


Apenas continuou andando ao lado dele.


Jantaram num pequeno restaurante às margens do Neckar. A conversa atravessou a literatura, passou pela música, alcançou a filosofia e, pouco a pouco, abandonou todos esses territórios para chegar ao único assunto realmente importante.


A vida.


Ela contou dos anos dedicados à universidade, dos alunos que lhe devolveram a esperança quando o mundo parecia definitivamente entregue à superficialidade. Falou dos pais, das perdas, das amizades interrompidas pelo tempo. Confessou que relera *O Cadafalso* muitas vezes, mas que a cada leitura encontrava um homem diferente escondido entre as páginas.


Ele ouviu mais do que falou.


Havia esperado tanto por aquele encontro que agora descobria não possuir qualquer urgência.


A realidade finalmente dispensava a imaginação.


Quando saíram, a cidade já estava quase vazia.


Caminharam sem destino.


Como duas pessoas que sabiam exatamente para onde desejavam ir e, por isso mesmo, não tinham pressa de chegar.


Foi ela quem interrompeu novamente o silêncio.


— Você imaginou este encontro?


Ele sorriu.


— Todos os dias.


Ela baixou a cabeça.


— Eu também.


— E aconteceu como imaginou?


Ela demorou a responder.


— Não.


— Melhor ou pior?


Ela voltou-se para ele.


— Melhor.


Porque a imaginação sempre exagera.


A realidade apenas existe.


Continuaram caminhando.


Chegaram ao apartamento dela já perto da meia-noite.


Havia livros por toda parte.


Partituras sobre o piano.


Uma xícara esquecida sobre a mesa.


Nada parecia preparado para receber alguém.


E exatamente por isso tudo parecia verdadeiro.


Ela abriu uma garrafa de vinho.


Serviu duas taças.


Sentaram-se diante da janela.


Conversaram durante horas.


Não sobre o amor.


Mas sobre aquilo que o amor permite compreender.


Em determinado momento, ela aproximou lentamente a mão da dele.


Não havia hesitação.


Havia reconhecimento.


Ele segurou aqueles dedos com a delicadeza de quem recebe de volta alguma coisa que acreditava definitivamente perdida.


O beijo aconteceu sem qualquer urgência.


Não pertencia ao desejo.


Pertencia ao tempo.


Naquela noite fizeram amor como duas pessoas que já haviam aprendido que o corpo não serve para vencer a solidão.


Serve apenas para lembrar que a alma também precisa de abrigo.


Depois permaneceram deitados.


Nenhum dos dois demonstrava vontade de dormir.


A chuva começava a bater contra a janela.


Foi Ariadne quem quebrou o silêncio.


— Durante vinte anos imaginei uma única pergunta.


Ele voltou o rosto.


— Qual?


Ela sorriu.


— Sobre o que conversaríamos depois?


Ele fechou os olhos por um instante.


Depois respondeu quase num sussurro.


— Descobri que passei vinte anos procurando essa resposta.


Ela esperou.


— E encontrou?


Ele olhou para o teto.


Depois para ela.


— Sim.


— Qual é?


Ele sorriu com uma serenidade que nunca conhecera.


— Descobri que, quando duas pessoas finalmente deixam de pertencer à memória e passam a pertencer à realidade, qualquer assunto se torna extraordinário.


Ela apoiou a cabeça sobre seu peito.


Durante muito tempo permaneceram ouvindo apenas a chuva.


Lá fora, o mundo continuava exatamente o mesmo.


As guerras continuavam.


Os jornais continuavam mentindo e dizendo a verdade ao mesmo tempo.


Os homens continuavam perseguindo poder.


Nada havia mudado.


Exceto uma pequena vitória invisível.


Depois de vinte anos, o pensamento finalmente encontrara a realidade.


E, pela primeira vez desde a tarde distante na Baviera, nenhum dos dois precisou imaginar o futuro.


Bastava viver a noite.

Em média entre classe baixa, média e alta custa 2.400.000,00 criar um filho até os 18 anos. E se deixar alguma herança, isso pode se elevar mais ainda. Por mais que ajude seus pais, nunca conseguirá pagar
o que seus pais precisaram pagar pra vc chegar onde está e ser o que é. Você ainda acha que seus pais te devem alguma coisa?

Quando encontrares um verdadeiro amigo, você está unido a ele pelo tempo e pelo espaço, por 500 anos.

O peso da velhice


Chegar vivo a uma idade de 80, 100 anos é uma façanha , uma jornada que não é uma linha reta, mas composta por múltiplos ciclos: você trabalha, para um tempo para aprender algo novo, volta, muda de área, têm picos e recaídas, adoece, descansa um pouco mais e continua contribuindo. A vida deixa de ser uma corrida de 100 metros e vira uma maratona com paradas estratégicas para empoderamento e inovação.


Militão dos Santos

MILAGRES ACONTECEM


Em um dos anos da década de 80, houve mais uma seca que assolou todo o solo do sertão simpliciomendense. Os açudes, barragens, rios e riachos secaram. A terra rachada tomou conta desses espaços. Nesse tempo, não havia cisternas e nem essas caixas-d'água vendidas nas lojas de materiais de construção. Aqueles que tinham uma condição melhor faziam uma caixa de tijolos; depois, essa caixa era toda cimentada e servia para armazenar a água para o consumo humano. Aposentado rural era raridade e não existiam esses programas sociais de hoje como, por exemplo, o Bolsa Família. O povo da roça, geralmente, tinha que tirar o seu sustento da própria roça.


Foi nesse cenário de seca que ocorreu um fato intrigante com Ana Cecília de Araújo, minha avó por parte de mãe. Ela era uma pessoa muito devotada à religião católica e, nas muitas noites antes de as pessoas da casa irem dormir, era frequente a reza do terço em sua residência na localidade Juá.


Em um desses dias de estiagem, por volta do meio-dia, um sol escaldante estava a queimar sem piedade. Naquele momento, poucas nuvens eram vistas no céu. Mirando o olhar para bem longe no horizonte, se via que devia estar a chover lá para as bandas do município de Picos. Nesse ambiente de silêncio sepulcral, dava-se para escutar, vagamente, o eco tênue do ribombar dos trovões que vinham dessa região distante. Já no Juá, com tanto calor que estava a fazer, tudo que era vivo estava a se proteger do sol.


Foi nesse ambiente que Ana Cecília de Araújo acordou do seu cochilo habitual do meio-dia sentindo um forte cheiro de mato queimado e, naturalmente, levantou-se e foi olhar o que estava acontecendo. Quando saiu para fora da casa, se deparou com um enorme fogo que vinha da roça onde ficava o curral da propriedade. Ela se desesperou, pois pouco podia fazer para apagar aquele incêndio. Além do mais, estava sozinha. Instintivamente, começou a chorar e a rezar pedindo para que, salvo engano, Nossa Senhora apagasse aquele fogo que vinha a destruir tudo à sua frente.


Para o ateu é difícil acreditar e até mesmo para o religioso, pois o panorama de sol quente e poucas nuvens no céu, desfavoreciam o que veio a ocorrer a seguir: o tempo mudou e caiu uma chuvinha que apagou todo aquele fogareú.

Viva feliz horas, dias, meses e anos com Deus, para não passar toda a eternidade, sofrendo e sendo infeliz.

Fortaleza a Princesa do Ceará!
E viva aos 300 anos da nossa capital do amor!

Fortaleza, princesa e capital do Ceará,
cidade harmoniosa, terra de encantar,
maravilhosa em luz, em vida e calor,
onde o sol nasce forte, pintando de amor.

Resplandece no céu o brilho do teu luar,
misturado ao dourado do sol a brilhar,
cidade que acolhe com braços abertos,
os filhos da terra em caminhos certos.

Sob tua luz, tudo vive e seduz,
teu encanto é chama que nunca se reduz,
cidade querida, de história sem igual,
marcada na alma de um povo leal.

E junto de Redenção, em gesto profundo,
mudaste caminhos, tocaste o mundo,
foste pioneira na libertação,
quebrando as correntes da escravidão.

Nossos irmãos, por tanto sofrer,
ergueram-se livres para então viver,
e o Ceará, com coragem e união,
tornou-se exemplo para toda a nação.

Fortaleza e Redenção, lado a lado a lutar,
fizeram da história um novo despertar,
pondo fim às sombras da cruel opressão,
plantando a justiça no chão do sertão.

E assim nasceu, em solo cearense,
a primeira luz livre e consciente,
pois foi nessa terra de força e valor
que a liberdade floresceu com ardor.
E viva aos 300 anos da nossa capital do amor!

Furtado, Brunno
13/04/2026

A dança fez parte da minha vida por muitos anos. Infelizmente, devido a um acidente grave no pé, precisei parar de dançar, mas carrego a arte em minha história.