25 anos
Durante 15 anos, ele entregou sua força, seu tempo e sua juventude a uma empresa, acreditando que o esforço seria recompensado. Mas, aos poucos, transformou-se em um homem preso à própria rotina, carregando responsabilidades como um burro de carga enquanto deixava sua própria vida para trás. Trabalhou para construir os sonhos dos outros, mas não teve a mesma disciplina para construir os seus.
Anos se passaram, e o que restou foi um homem cansado, vivendo na periferia, cercado pelas consequências das próprias escolhas. O salário baixo, a falta de planejamento e a acomodação diante da vida fizeram com que seus anos de trabalho se transformassem em uma história de frustração. Enquanto carregava pesos que não eram seus, permitiu que o próprio futuro fosse abandonado.
No fim da jornada, percebeu que não bastava apenas trabalhar duro; era preciso buscar crescimento, mudar de caminho e lutar por algo maior. Ficou marcado não apenas pelo que perdeu, mas pelo que deixou de conquistar. Uma vida inteira dedicada ao esforço, mas sem direção, terminou como um retrato triste de alguém que se entregou ao fracasso e viu o tempo passar sem construir o próprio destino.
Todos os anos, em um dia específico, volto a recordar aquele triste semblante. É uma sensação horrível, difícil de explicar — como se, por alguns instantes, algo dentro de mim fosse levado de volta a um lugar que nem sei exatamente onde fica.
Minhas ações são, na maioria das vezes, totalmente pragmáticas. Não vivo em função de alguém, não caminho esperando que outra pessoa dê sentido aos meus passos. Continuo a minha vida, sigo os meus objetivos e procuro avançar.
Mas então chega esse dia.
E, sem aviso, surge novamente a mesma pergunta: “O que aconteceu?”
Aconteceu alguma coisa? Qual evento? Quando foi? Por quê?
Eu não me lembro.
Apenas sinto.
Sinto que falta alguma coisa. Um espaço vazio, uma ausência sem nome, uma lembrança que parece estar escondida em algum lugar da minha própria memória. Não consigo apontar exatamente o que perdi, nem explicar por que aquele semblante continua voltando todos os anos.
Talvez algumas coisas não desapareçam completamente. Talvez apenas aprendamos a viver sem entendê-las.
E assim continuo. Sem respostas, sem certezas, carregando uma sensação que não sei nomear e uma pergunta que insiste em voltar:
O que aconteceu?
Quanto de peso você adquiriu nos últimos anos? E nos últimos dias?
O peso a que me refiro é aquele que você carrega em seu coração. Aquele peso que ficou depois que você ouviu aquela palavra dura, aquela crítica de quem você menos esperava...
Aquele peso que ficou, depois daquela discussão que poderia ter sido evitada...
Aquele peso de quando você se decepcionou com quem nunca esperou.
Pra quê carregar tudo isso? Porque não se livrou dessas bagagens desnecessárias? Sabe, continuar carregando esse peso, além de comprometer a sua saúde (física e emocional), te impede de progredir, de trilhar seu caminho. É cansativo demais,penoso demais.
Carregar tanta carga, é o que tem te impedido de chegar onde você merece e precisa estar.
Faça as pazes com seu passado; livre-se desse sentimento que te magoa tanto, fale sobre o assunto; resolva todas essas pendências emocionais. Perdoe e permita-se ser perdoado. Decida deixar o que não deu certo para trás, a livrar-se, de uma vez por todas, desses pesos que o incomodam e impedem de progredir. Agarre-se ao que você tem agora: o seu presente. O seu futuro depende disso! Invista em si, em sua paz interior e siga mais leve e vá mais longe
Não romantize o contexto do "até que a morte os separe"!
Ao longo dos anos, essa frase teve uma tradução bastante restrita e até romantizada. Como se somente a morte do corpo fosse capaz de separar um casal. Sem dar importância para as diversas e cotidianas "mortes" que uma relação pode ter.
A morte de uma relação pode ocorrer, quando acaba o respeito, a cumplicidade, a admiração, o carinho, a amizade.
A morte acontece quando, mesmo juntos, a solidão e a distância se tornam rotina. Quando os assuntos se tornam escassos, quando o silêncio se torna hábito ou quando a dureza das palavras trocadas já nem é mais capaz de ferir.
E, é nesse vasto contexto, que as mais variadas formas de "morte" realmente separam. E em muitos casos, a separação sem a morte do corpo acaba se tornando a única saída para sobreviver ou, simplesmente, se perceber vivo novamente
A amoreira
Hoje fui colher amoras e me lembrei de quando eu tinha oito anos. Estava na casa do meu cunhado, junto com a minha irmã, e fui brincar com as crianças no fundo do quintal. Ainda pequena e ansiosa para alcançar as amoras, peguei uma ripa de madeira pesada e a joguei para cima, na esperança de derrubar os frutos.
Mas a madeira voltou e atingiu minha cabeça. Entrei em casa dizendo que havia me machucado. Fui socorrida e levei alguns pontos.
Hoje, ao colher amoras que estavam exatamente na altura das minhas mãos, percebi o quanto essa lembrança se parece com a vida.
Quantas vezes tentei alcançar coisas e pessoas que ainda não estavam ao meu alcance? Quantas vezes não tive maturidade para lidar com o peso de determinadas situações e, por isso, acabei sangrando?
Mas o tempo passou. Eu cresci. Hoje, muitas oportunidades estão ao alcance das minhas mãos, e cabe somente a mim decidir o que colher. Aprendi que tudo tem o seu tempo determinado para acontecer e que todo plantio, um dia, se transforma em colheita.
Por isso, saboreie a sua amora. Mas nunca se esqueça das cicatrizes que carrega por ter tentado colher antes do tempo certo.
Ter plena consciência que está num labirinto, com os dias, meses e anos sucedendo, tempo passando, a idade aumentando, a saúde minguando, angustiado, ouvindo e sentindo a vida transcorrer lá fora e confinado, penitenciado e desesperançado no labirinto, sem saída. Ufa! Nossa! Acordei, era um pesadelo e faça o favor de acordar também!
Uma única ideia mirabolante tem o poder de incomodar mais do que anos de discursos vazios proferidos por essa gente falsa que vive de aparências e tenta sabotar quem quer fazer a diferença.
No jogo político brasileiro, zombamos dos políticos de quatro em quatro anos; eles zombam de nós a vida inteira.
Há vinte e quatro anos o Brasil não leva uma Copa do Mundo, tempo suficiente para estar adulto e não acreditar em análises de comentaristas esportivos.
Passei os últimos anos fingindo. Fingindo que superei, que esqueci e que finalmente segui em frente. Mas hoje, a minha máscara caiu. Ver você agora, vivendo a sua vida e construindo o seu próprio caminho, me fez perceber o quanto eu falhei na missão de tentar te arrancar de mim.
Antes de qualquer coisa, me perdoe por te incomodar. Eu sei muito bem que não tenho esse direito e te peço sinceras desculpas por reaparecer assim, do nada, mas eu precisava ser honesto com você — e comigo mesmo. Não importa quem passe pelos meus dias ou o quanto eu tente me distrair, o meu coração sempre dá um jeito de voltar para você. O que a gente viveu não foi um capítulo que passou; ficou preso na minha alma de um jeito que nem o tempo, nem a distância conseguiram apagar.
Eu reconheço hoje, com toda a clareza do mundo, que a culpa de não estarmos mais juntos foi inteira, total e exclusivamente minha. Eu falhei com você de formas que hoje me assombram. Eu errei onde deveria ter sido o seu porto seguro, e carrego o peso amargo de saber que o que a gente perdeu não foi culpa do destino, mas o resultado direto dos meus próprios erros, da minha imaturidade e do meu egoísmo.
Se eu pudesse voltar ao passado, se houvesse qualquer maneira de reescrever a nossa história ou mudar cada atitude errada que tomei, eu faria isso sem pensar duas vezes. Daria tudo o que tenho para voltar ao tempo em que tínhamos tudo, só para não ter te perdido por minha causa. Desde que você se foi, parece que uma luz se apagou dentro de mim. A verdade mais triste que eu carrego é que eu nunca mais sorri daquela forma leve e verdadeira de quando estava ao seu lado. Sem você, o meu sorriso virou só um disfarce, uma sombra sem vida do que já foi um dia.
Dizem que todo mundo tem direito a uma segunda chance, mas a realidade é bem mais dura do que os ditados. Sei que, no nosso caso, essa chance talvez nunca venha. Dói demais aceitar que eu posso nunca mais ter a oportunidade de te provar que aprendi com a dor, e aceito que esse vazio seja o castigo justo pelas falhas que foram só minhas. Mas, se for preciso chorar, eu vou; se for preciso pedir, eu peço. Eu faço absolutamente tudo para você voltar. Se for preciso rastejar e implorar, seja como for, eu faço, porque eu preciso do seu amor.
Eu ando por aí, procuro aquele mesmo brilho no olhar em outros rostos, mas não adianta; é só a você que eu quero me entregar. O que eu mais queria era poder te dizer tudo isso olhando nos seus olhos, deixando você ver a verdade no meu olhar, sem filtros ou telas. Mas, como sei que o momento exige esse distanciamento, escrevo estas palavras. Você foi, e continua sendo, a minha maior inspiração. É por sua causa que hoje encontro forças para colocar para fora essa sensibilidade que mais ninguém consegue tocar.
Escolhi o dia de hoje para confessar tudo isso porque o mundo celebra o dia em que você nasceu, mas eu celebro o privilégio de ter conhecido a sua essência. Parabéns por ser essa mulher extraordinária. Mais uma vez, me perdoe por desabafar em uma data que deveria ser só de alegria para você. É um egoísmo meu não conseguir guardar esse peso no peito justamente hoje.
Amar alguém de verdade também é deixar a pessoa ser feliz. Às vezes, a gente pensa que amar é viver junto para sempre, mas nem sempre a vida permite que o amor cure o que os meus erros estragaram. O amor verdadeiro não morre; ele vira memória e respeito. Você sempre será o meu primeiro, único e eterno amor.
Me perdoa por tudo. Me perdoa por só ter percebido o valor da sua luz quando me vi na escuridão que eu mesmo criei. Me perdoa por ainda te amar assim. Siga o seu caminho com a certeza absoluta de que a culpa foi toda minha, mas que o meu carinho, a minha admiração e o meu amor por você são imutáveis e eternos.
Feliz aniversário, meu eterno grande amor. Eu só queria que você me entendesse e não me julgasse; mas, se julgar, eu também te compreendo.
A viúva não tinha filhos. Sua fidelidade parecia moldada em ferro. Sem o marido há dez anos, trazia a bíblia gasta como única herança. O dízimo era sua prioridade absoluta. Apertava o orçamento da pensão mínima. Pulava refeições cotidianas. Mesmo assim, a igrejinha do bairro recebia suas notas amassadas pontualmente. Todo início de mês era igual.
Até que o corpo cansou. Uma pneumonia severa a acamou. Roubou-lhe as forças e a voz. Sem conseguir andar, a idosa olhou ao redor. Só encontrou o deserto absoluto. Nenhuma mulher do círculo de oração bateu à porta.
O único que estendeu a mão foi o vizinho ao lado. O jovem usava roupas coloridas. Tinha trejeitos que o líder usava como exemplo de erro no altar. Era alvo de sussurros maldosos na calçada do templo.
Nas primeiras semanas de cama, a senhora preocupou-se com a obrigação religiosa. Apontou com o dedo trêmulo para a caixinha de madeira. Ali guardava o dinheiro suado. Sem julgar, o rapaz pegou o envelope. Sabia da escassez da idosa. Tirou do próprio bolso o triplo daquele valor. Colocou tudo dentro do papel.
Ele foi até a igreja. Suportou os olhares de nojo da liderança no fundo do salão. Entregou a contribuição dela e saiu. Fez isso três vezes seguidas.
No quarto mês, o estado de saúde agravou-se. A mulher já não falava. Comunicava-se apenas pelo brilho marejado dos olhos. O rapaz percebeu a realidade. Notou que o sagrado não morava no gazofilácio daquele templo. Parou de enviar as notas.
Usou cada centavo para comprar os remédios caros. Comprou fraldas geriátricas e sopas batidas. O jovem limpava o suor da testa da senhora. Trocava seus lençóis com paciência. Segurava sua mão nas noites de febre alta.
Enquanto isso, o banco dela na igreja permanecia vazio. O silêncio da liderança era ensurdecedor. Nenhum clamor aconteceu. Nenhuma visita foi feita. Nenhum telefonema ocorreu. A ausência do envelope cancelara a existência daquela ovelha.
Meses depois, a viúva estava em lenta recuperação. O rapaz cruzou com o líder em uma avenida movimentada. O homem caminhava em seu terno bem cortado. Carregava uma pasta de couro luxuosa. Ao avistar o jovem, o religioso tentou desviar o caminho. O rapaz postou-se à sua frente.
O homem engoliu em seco. Tentou manter a pose formal. Disparou o jargão conhecido:
— A paz, rapaz. Como vai a nossa irmã? Estamos orando por ela. Ela sumiu. Até a tesouraria sentiu a falta dela.
O jovem não gritou. O tom de voz foi baixo e cortante. Parou o tempo ao redor:
— O senhor sentiu falta da contribuição. Nunca da mulher que a entregava. Há meses ela perdeu a voz. Há meses o prato dela é garantido por quem o senhor condena no altar. Enquanto o senhor preparava sermões sobre o amor, eu limpava a urina dela.
Ele respirou fundo e continuou:
— Enquanto suas ovelhas puras se afastavam com medo da doença, o rejeitado aqui alimentou a viúva que sua teologia descartou. O dízimo dela não foi cortado. Ele só mudou de endereço. Deus cansou de financiar o seu teto de gesso. Ele desceu para comprar remédios. Passe bem.
O homem permaneceu estático na calçada. Ficou com a boca semiaberta. Foi engolido pelo peso da própria insignificância. O rapaz deu as costas. Voltou para a casa simples. Ali o verdadeiro culto acontecia. No silêncio de um quarto que cheirava a desinfetante e amor puro.
O universo passou bilhões de anos expandindo o espaço e criando estrelas só para que o tempo exato organizasse os átomos e gerasse você. Você não é apenas uma mulher maravilhosa. Você é o evento mais bonito e perfeito do cosmos.Olhar para você é ver a poesia ganhar vida. O mundo inteiro corre lá fora, cheio de barulho e pressa. Mas, quando você sorri, o tempo parece pedir licença para desacelerar. Sua presença tem o poder magnífico de transformar qualquer dia comum em um momento histórico para o meu coração.Eu poderia tentar rimar seu nome com as palavras mais raras do dicionário. Mesmo assim, faltariam letras para explicar a paz que você me traz. Você é a resposta para perguntas que eu nem sabia que tinha. Amar você é o meu poema favorito, escrito em silêncio, todos os dias, pelo simples privilégio de ver você existir.
Olhei para o calendário hoje e meu peito apertou. Não importam os meses, os anos ou a distância que a gente colocou entre nós: o dia de hoje sempre vai ser o dia mais bonito do ano na minha memória.Fiquei pensando se deveria te escrever, mas a verdade é que seria impossível passar o dia de hoje em silêncio. Eu mentiria para mim mesmo se fingisse que você é só mais alguém no meu passado. Você foi o meu grande amor, a pessoa que revirou a minha vida do avesso e me fez conhecer a versão mais intensa de mim mesmo. E, para ser bem sincero, um pedaço do meu coração ainda mora naquela época, com você.Olho para trás e não sinto arrependimento de nada. Sinto falta. Falta do teu cheiro, do teu riso solto no meio do nada, da cumplicidade que a gente tinha e que eu nunca mais encontrei em nenhum outro lugar do mundo. A gente seguiu caminhos diferentes, a vida aconteceu, mas ninguém apaga o que a gente foi. Ninguém substitui a nossa história.No meio de tantas mensagens automáticas e clichês que você vai receber hoje, eu só queria te dar o meu peito aberto. Quero que você saiba que, onde quer que eu esteja, eu ainda torço por você com todas as minhas forças. Que o seu dia seja lindo, luminoso e cheio de vida, exatamente como você é.Feliz aniversário. Se cuida, tá? Eu ainda estou aqui, torcendo pelo seu sorriso.
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