Ludmila Molina
A maturidade é gerada na dor; para uma criança aprender que fogo queima, ela tem que chegar perto e sentir que seu calor pode machucá-la. Para um homem amadurecer, ele tem que passar pelas feridas da vida que geram cicatrizes dos aprendizados vividos, das dores passadas, para entender que, mesmo Deus sendo Pai, Ele permite a dor para te ensinar o verdadeiro valor da vida.
Meu inferno não tinha fogo nem enxofre. Tinha rostos, nomes e pessoas que eu amava. Talvez seja isso que torne algumas batalhas tão difíceis: não é o lugar, mas quem deixamos e quem aprendemos a amar nele.
A amoreira
Hoje fui colher amoras e me lembrei de quando eu tinha oito anos. Estava na casa do meu cunhado, junto com a minha irmã, e fui brincar com as crianças no fundo do quintal. Ainda pequena e ansiosa para alcançar as amoras, peguei uma ripa de madeira pesada e a joguei para cima, na esperança de derrubar os frutos.
Mas a madeira voltou e atingiu minha cabeça. Entrei em casa dizendo que havia me machucado. Fui socorrida e levei alguns pontos.
Hoje, ao colher amoras que estavam exatamente na altura das minhas mãos, percebi o quanto essa lembrança se parece com a vida.
Quantas vezes tentei alcançar coisas e pessoas que ainda não estavam ao meu alcance? Quantas vezes não tive maturidade para lidar com o peso de determinadas situações e, por isso, acabei sangrando?
Mas o tempo passou. Eu cresci. Hoje, muitas oportunidades estão ao alcance das minhas mãos, e cabe somente a mim decidir o que colher. Aprendi que tudo tem o seu tempo determinado para acontecer e que todo plantio, um dia, se transforma em colheita.
Por isso, saboreie a sua amora. Mas nunca se esqueça das cicatrizes que carrega por ter tentado colher antes do tempo certo.
