Zen Budismo
A cobra cascavel,
usaseu chocalho
para avisar que
só quer ficar em paz
mas, o humano cascavel,
usa o seu chocalho
para atrair aos
que têm a mente
pura de bebê.
O processo de pensar é a fala da mente.
ESTADO DE FOME
Há fome de fama e dinheiro.
Há fome de ascensão.
Há fome de domínio e revanche.
Há fome de ostentação.
Todas insaciáveis,
disfarçadas de saudável ambição,
ao tempo em que cresce a fome do estômago,
curável com alimentos em justa distribuição.
Nesse desequilíbrio,
parte da humanidade padece
por enfermidades da alma e compulsão,
enquanto a outra parte morre indigente
pela ausência de pão.
* Estado de fome é um conceito budista que caracteriza o baixo estado de vida em que pessoas são controladas por seus desejos insaciáveis, vivendo em estado de contínua insatisfação.
Se seu amor não consegue ultrapassar os braços de outro, você não a ama, apenas a deseja. Não quer o bem dela, quer sua presença. O seu 'amor' é puro interesse.
A natureza não faz acepção de pessoas.
Quem plantar feijão vai colher feijão. Não importa se é homem ou mulher, rico ou pobre, alto ou baixo.
Não importa a sua raça ou situação sócio-econômica, quem planta feijão colhe feijão, quem planta milho colhe milho...
Proponho que a questão da consciência – a substância mensurável e material – é a vibração, o movimento, a respiração e o bombeamento de complexos moleculares de receptores e seus ligantes, à medida que se ligam a cada célula do seu corpo.
"Faço aniversário todos os dias; não há necessidade de uma data específica para celebrar mais um ano de vida."
Você é o Divino em ação. O Divino só parece estar separado em nomes, formas e corpos diferentes mas Ele é sempre Um. Como pode ser separado e junto ao mesmo tempo? Veja os dedos de sua mão. Se você se identificar com um dedo, vai achar que os outros dedos são separados de você. Mas os dedos nada mais são que a mão em ação. A mão é como o Divino e os dedos expressões do Divino. Tudo é o Divino em ação e toda ação são apenas aparências. E tudo que aparece desaparece mas o Divino permanece imutável.
Talvez o Tempo, por sua irrevogável efemeridade, seja tal qual um rio que não podemos domar; sempre impermanente, recente, irresoluto, enfim, jovem demais para assumir qualquer forma definitiva. É justamente por isso que nós, sujeitos a esse mesmo Tempo, devemos nos tornar parte de seu fluxo: não tentar resistir contra ele, que mesmo assim ele persistiria; tampouco se alienar dele, porque sua extensão é ubíqua às nossas vidas; em vez disso, tornar-se em sua inefável sintonia. A correnteza tem a água do rio em si mesma; o que acontece com a água do rio quando a correnteza é apaziguada? Em verdade, somos cada um o infinito instante sintonizado do todo eterno.
Nós somos o tempo.
No âmbito das manifestações religiosas, incluindo o ateísmo e o agnosticismo como formas de posicionamento diante do transcendente, a adoção de uma postura crítica e intelectualmente autônoma constitui uma via promissora para a compreensão plural e respeitosa das distintas concepções de mundo, evitando adesões irrefletidas a sistemas dogmáticos.
𝗩𝗜𝗗𝗔 𝗙𝗥𝗨𝗚𝗔𝗟
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Ao alcance de todos
Não encontrei nada igual
É só tomar para si
O que for essencial.
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Isto é sabedoria budista
Usar e abusar, não faz mal
Realizar tudo com paixão
Menos desejo, eis a lição
Nada de receita! Nada de especial!
Apenas dicas de uma tradição
Como viver de modo frugal.
Caminho Além da Ilusão
Certa manhã, à beira de um rio nas montanhas, uma jovem encontrou o velho mestre que recolhia água com seu discípulo.
Ela fez uma reverência e disse em voz baixa:
— Mestre, há muitos dias venho ao templo. Meu coração se voltou para seu discípulo. Desejo ser vista por ele. Como posso me aproximar?
O mestre encheu o balde antes de responder:
— Para ser vista por quem caminha, é preciso caminhar. Quando o coração está apegado ao fruto, não percebe a árvore que o sustenta.
A jovem hesitou, depois perguntou:
— Então, se eu seguir seu caminho, ele me amará?
O mestre olhou para a correnteza e disse:
— Quando seus passos estiverem no mesmo lugar que os dele, talvez já não deseje mais o que hoje deseja.
Ela se calou. E ficou.
No início, permaneceu no templo acreditando que, ao purificar-se, poderia conquistar seu coração.
Os dias tornaram-se meses. Os meses, estações. A jovem passou a servir no templo, a ouvir os ensinamentos, a observar em silêncio. Meditava ao amanhecer. Foi sendo transformada pelo próprio caminho.
Certa manhã, voltou ao mesmo rio. Lá estava o jovem monge, recolhendo água. Ele a viu, sorriu com gentileza. Ela apenas inclinou a cabeça em respeito — e seguiu andando.
Naquela noite, procurou o mestre e falou com voz serena:
— Mestre… por muito tempo acreditei que amava aquele que caminhava ao seu lado. Mas hoje entendo: eu queria tirá-lo do caminho, como quem colhe uma flor por achá-la bela demais para deixá-la onde está.
— Meu desejo era o do ego: guardar para mim aquilo que brilhava, temendo que outros vissem. Confundi amor com posse, presença com pertencimento. Queria segurá-lo como quem arranca uma flor da terra, sem perceber que, longe do seu solo, ela murcha e morre.
— Hoje, basta-me vê-lo florescer.
O mestre assentiu com os olhos fechados e respondeu:
— Quando o ego silencia, o coração vê com mais clareza. E já não deseja tocar o que pode apenas contemplar.
