Voce Nao Admite aquilo que Nao Consegue Medir

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Abaixo as melhores máximas que eu já li do Fabrício Carpinejar:

"Escrever não é desistir de falar, é empurrar o silêncio para fora."

"Liberdade na vida é ter um amor para se prender."

"A cafonice é sutil. Basta abrir o terceiro botão da camisa e o homem elegante já se torna brega."

"Os piores estragos são feitos por quem avisa que não queria incomodar."


"As traças só devoram os livros que não são folheados."

"O preconceito é um pensamento parado."

"Há gente que escolhe um prato no cardápio e pede para tirar praticamente tudo dele. Já é um outro prato."

"Egoísmo: quando sou generoso comigo."

"Se você acredita que ninguém está reparando quando você dirige, por que sempre é avisado quando a porta do seu carro está aberta?"

"Há gente que confunde amizade com desleixo e deixa o amigo sempre para depois."

"Quando alguém diz que se sente em casa, desconfie, pode não ser um elogio."

"Muitos não suportam a democracia. Não toleram a ideia de ser um voto vencido."


"O gênio não é o que tem boas ideias, é o que reconhece e aceita as ideias dos outros."


"Cama tem que ser espaçosa para renunciarmos a folga e ficarmos apertados um no outro."


"Porta-retrato é gaiola de gente."

"As árvores é que começaram com essa moda de tatuar o nome do amado na pele."

"O twitter é o guardanapo digital."

"Sou generoso para proteger meu egoísmo. Dou um livro de presente para não emprestar o meu exemplar."

"Direito de resposta só existe em relações sem passionalidade. Nos casais com fúria, a resposta é um dever."

"Da foto quadrada do porta-retrato à foto redonda da lápide. Viver é cortar arestas."

"O culpado por viver será aquele que vai dizer "desculpe por qualquer coisa"."

"Não sou homem certo para você. O problema é que tampouco sou o errado."

"O avô do twitter é o parachoque do caminhão."

"Acreditar na ausência de Deus é também uma fé."

"Casamos para perder a razão e nos separamos para defendê-la."

"Total contradição do amor: queremos conhecer quem amamos e, ao mesmo tempo, desejamos que seja imprevisível."

"Quem confessa os erros não significa que está arrependido, pode estar se antecipando à crítica."

"Não me tornei mais verdadeiro com o tempo, fiquei apenas sem paciência."

"Escrevo somente quando recebo ordens. Por isso tenho dupla personalidade. Sou vassalo de mim."

"A maior frustração para quem gosta de brigar é ouvir que tem razão no início da conversa. Terá que desativar seu arsenal de argumentos."

"O pecado não me constrange, o que me constrange é explicá-lo."

"Há gente que ama mas odeia estar apaixonada por aquela pessoa."

"O amor é perversamente sutil. Amar e gostar de amar podem não acontecer ao mesmo tempo."

"A verdade envergonha bem mais do que a mentira."

"A sinceridade não pode ser maior do que a educação."

"Quando o homem alega que ela entendeu errado, ele quer dizer que ela entendeu rápido demais."

"Casa mal-assombrada não é quando está vazia e abandonada, é quando fica cheia de parentes."

"Relações não terminam enquanto um dos dois não se declarar culpado."

"A ambição da fofoca é virar denúncia."

"Sofremos antecipado para não sofrer tudo de uma vez e acabamos por sofrer tudo de uma vez várias vezes."

"Quem pede conselho amoroso quer apenas que o amigo concorde com aquilo que já definiu em segredo."

"O elogio não me amolece, mas me enrijece."

"Quando uma frase atinge o maior sucesso e se transforma em provérbio, ninguém mais lembra do seu autor. A glória é o anonimato."

"Mal-educado não é o que deixa alguém falando sozinho, é quem fica falando sem se importar em ser ouvido."

"O cinismo é uma raiva muito educada."

"Não desprezo o boato. Toda notícia foi antes fofoca."

"Quando um não quer, daí é que os dois brigam."

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queda não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Crônica intitulada Declaração de amor.

...Mais

Humilhar uma pessoa não lhe fará melhor que ninguém. Só lhe fará ignorante. Inundado na arrogância, na falsa modéstia.

Pessoas que não tem sua casa em ordem deveriam ter muito cuidado antes de sair por aí reorganizando o mundo.

EU SEI, MAS NÃO DEVIA

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora, a tomar café correndo porque está atrasado.

A gente se acostuma a ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo na viagem, a comer sanduíches porque não tem tempo para almoçar.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais.

A gente se acostuma a lutar para ganhar dinheiro, a ganhar menos do que precisa e a pagar mais do que as coisas valem.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não a das janelas ao redor.

A gente se acostuma a não abrir de todo as cortinas, e a medida que se acostuma, esquece o sol, o ar, a amplidão.

A gente se acostuma à poluição, à luz artificial de ligeiro tremor, ao choque que os olhos levam com a luz natural.

A gente se acostuma às bactérias da água potável, à morte lenta dos rios, à contaminação da água do mar.

A gente se acostuma à violência, e aceitando a violência, que haja número para os mortos. E, aceitando os números, aceita não haver a paz.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza para preservar a pele.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde por si mesma.

A gente se acostuma, eu sei, mas não devia.

As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.

Escreve em Mim

Senhor, aqui está minha vida,
não como um documento já preparado
à espera da Tua rubrica.
Apenas uma folha de papel em branco
a ser preenchida com a vontade Tua,
com os planos Teus.
Por favor, Senhor,
pensa em minha insuficiência,
considera minha dificuldade de compreender
e escreve com tintas vivas, nítidas,
de tal maneira que me seja impossível
confundir ou duvidar.
Quero sair agora,
ainda hoje, se possível for,
a mostrar ao mundo o que escreveste em mim,
a provar aos homens que Tu és o Autor.

Que a mais simples criança possa ler-te em mim
e que o mais sábio dos homens possa reconhecer
em cada gesto meu
o traçado dos eternos dedos Teus.

Diante desse mundo que se desintegra,
desta sociedade que exige cada vez mais,
quem sou eu para escrever primeiro
e pedir depois a Tua aprovação?

Estende a mão que gravou no Sinai a Santa Lei,
que escreveu na areia uma mensagem até hoje desconhecida
e, para o bem do mundo,
para glória Tua,
para paz de minha alma,
escreve na folha em branco de papel que eu sou,
a palavra que és Tu mesmo:

AMOR!

Enquanto houver esperança não haverá solução.

Se dedica a familia? Um homem que não se dedica a familia nunca será um homem de verdade.

Sentimentos que não podem ser expressos são sempre orações que não podem ser recusadas.

Se dois lábios não podem se beijar, dois olhos se beijam numa troca de olhar.

Só posso escrever o que sou. E se os personagens se comportam de modos diferentes, é porque não sou um só.

Graciliano Ramos

Nota: Em entrevista a Homero Senna, 1948

Perdoar não quer dizer esquecer, perdoar é soltar a garganta do outro.

"Onde não há caridade não pode haver justiça."

O problema em nossas vidas não é a ausência de saber o que fazer, mas a ausência de fazê-lo.

Quem vive de mentiras e de falsidade, leva uma vida vazia e triste por não praticar a verdade consigo mesmo e com o próximo.

O amor não é para mim, o amor é para quem acredita nele.
(P.S. Eu Te Amo)

Não julgue a maneira que demonstro meus sentimentos. É estranho, é diferente, mas é verdadeiro.

Como quando se tira um vestido velho do baú, um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda mas não se cogita em jogar fora ou dar. Acho que saudade é isso.

Lygia Fagundes Telles
As meninas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Embora saiba que não devo esperar reciprocidade, sou fã de pessoas que sabem retribuir meus atos.