Viver Nao e Tarefa Facil e ser Feliz menos ainda

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A vida é uma coisa doida
Difícil de viver, se bem cuidada
E flui mais naturalmente
Quando gente não liga pra nada
Portanto
Os olhos fechados
Nos momentos de profundo pranto
Proporcionam uma visão mais aguçada
Pérfida e sórdida.
Somando-se a isto
A total ausência de ilusão
Muita gente ficaria estarrecida
Ao perceber
Que ela se torna um tanto assim
Menos estúpida
Guardadas as devidas proporções.
Proporciona uma cândida lucidez.
Explêndida!
Repleta da hipocrisia enrustida.
A gente dá voltas ao mundo
Enquanto parado
Ficando estacionado, andando em círculos
Percebe a Humanidade
Praticamente um corpo só
Imbuído de uma mente louca
Investido da rara qualidade
de saber amar
Possuindo pra isto
Um possessivo, enorme e falso
Amor de verdade
Conforme lhes convém
Me perdi
Foi aí que eu encontrei a solução
Se olhar direito, dentro de cada coração
Hoje eu sei:
Não há de se salvar ninguém!

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

A Arte de Viver.

Estrelas
No Céu da noite
Um fino véu azul
Ornamentando a luz do dia
A ultravioleta decanta em clorofila
Meus pés, sempre no chão
É que me dão
A firmeza de um voar
Sem rumo e nem medo
Inexplorado Universo invisível
Cintilando ao alcance dos dedos
Sem dar chance de ser percebido
Pelos cegos e surdos sentidos que vejo
Sentindo-se
Sabedores de tudo
Cumprindo o que estava escrito
Ases de paus, nos baralhos do mundo
Arcaicos retalhos de vida
A sua visão em mosaico faz lembrar
A lente suja e desfocada
Dum caleidoscópio de brinquedo
E eu me sinto sozinho no mundo
Enquanto a mente flutua em segredo
Meu olhar alcança a Lua
Sua luz refletida no chão
Eu vejo um pouco...bem pouco
Do muito que todo mundo pensa ver
...e não vê
Nem sequer imagina que existe
Atarefado e atarantado mundo,
Não pode dedicar-lhe
Sequer um ínfimo instante
O chão sob meus pés,
Muito acima do olhar
Firmamento infinito
Bonito é o momento
E eu o levo comigo
No abrigo do peito
Consciente e acordado
Pro fato que existo
Entre um Céu e uma Terra
A arte da vida ensinou
Em silêncio, a fazer parte
do conjunto das coisas
Que excedem, ultrapassam e existem
Aquilo tudo que em nenhum dia
Nem sequer sonhou em sonhar
As coisas que supõe saber
A vossa vã filosofia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

O ato de querer
Nisto consiste a vida
De fato, é isto que impede
Da gente viver por viver
Imperfeito, o coração deseja
Os olhos anseiam
A alma implora
de tanto querer
O coração fraqueja
A alma pesa
Os olhos ... esses choram
Deplorável carência
Louvável vontade que existe
Num triste querer de verdade
Querência ... daquela que dói
Rói o coração
Quase pára, bate lento
Na dor que dói, tão doida
Então, por que será que a gente
Insiste tanto em viver
Se nisto consiste a vida?

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Se fosse só viver o dia-a-dia
Sobrevindo essa tristeza
Mas a vida sempre leva uma alegria
E o tempo faz outras coisas
Junto às coisas que o tempo traz
E o tempo trouxe a compreensão
Que eu tanto queria
Sem saber que quando chega
Carrega a inocência
Que um dia fez crer que magia existe
E essa vida sem magia é muito triste
Se fosse só viver o dia-a-dia
E essa acalentada compreensão
Descortinasse o véu do tempo
Lá na ponta da luz do Sol
Pois a tudo se limita
E os dias passam de três em três
Pois isso também permite
Deixar de viver
Um dia de cada vez
Sem a dúvida
Tudo que sobra
É a total ausência de valores
No preço que nos cobra a vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Agora a gente pode
Pode rir e viver
Agora a gente pode ir
Agora você pode mostrar
Aquele sorriso pronto
Eu conto as horas, todo dia
Agora a gente pode contar pra todo mundo
Que não tem lugar nenhum onde ir
Agora a gente pode rir
Mas a vida fez tanta coisa da vida
Que embora podendo sorrir
A gente não ri, nem chora
Hoje, agora, chegou a hora
Finalmente, hoje é aquele grande dia
Que a gente tanto esperava
Num tempo em que podendo rir, não ria
Alegremos nós, aos nossos corações
Aquela linda oração foi ouvida
Hoje a gente sabe
O que a vida espera da gente
Justamente agora
Que não se espera mais nada da vida.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Cada dia na vida
É um dia que se vai
Na noite, perdida
Esquecida
de viver a vida
Essa gente meramente
Pensa em pensar que pensa
E tão intensamente não pensa
Que a vive propensa em longe vê-la
Trazendo nas mãos
Uma enorme porção
de nada, algo disforme
Não sacia a sede
Insaciada fome
A mente vazia
Pensa linda a cena
Sentindo-se plena
Em contato
Com gente pequena
Cuja mente
Mais vazia ainda.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

No dia em que a gente nasce
O tempo a viver é pouco
Entretanto a gente perde
Muito tempo sendo louco
Louco o suficiente
A ser cego e não perceber
Que o tempo a viver é pouco
E que nada na vida é da gente
Nem mesmo a gente
Somente a nossa vontade
Então, sinta a brisa morna
A beijar o teu rosto
Assim que esse dia termina
Nenhum dia na vida retorna
Veja o vidro do relógio
Envelhecer com as horas
A genuína verdade
Passa na nossa frente
E toda oportunidade
Que vai e não volta
Era verdadeira
O ponteiro sempre volta
Pois o tempo, na verdade
Passou pelo vidro
Ao levar-lhe o brilho
Assim são as coisas
Que a gente perde
Ouça o sino da velha igreja
Veja há quanto tempo ele badala
E mesmo assim você
Não saberia dizer
Sobre ser a mesma vibração
de cada badalada triste
A vida se cala, quando não se ouve
Na simplicidade, a verdade da vida
Embarcamos na viagem
Mas há muito nos esquecemos
da boa sensação
Que é olhar o trem sobre trilhos
Enquanto ainda na estação
Há muito eu não olho o brilho
das gotas de chuva bater no chão
É assim que o tempo trabalha
E é dessa maneira que perdemos
A batalha pela vida
Porquanto a vida não é batalha
É apenas vida
Veja, que enquanto crianças
A gente deseja crescer bem depressa
E nessa pressa em crescer
Se esquece de guardar um pouco
da criança que deixou de ser
Pra poder sê-la outro dia.
Mas nenhum dia na vida volta
O tempo, o vidro do relógio
O beijo morno da brisa
A imprecisão no badalar dos sinos
E quando menos se espera
Um dia o trem sai dos trilhos.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia
Alguém vai te perguntar
Se soubeste viver a vida
E o que fizeste de teu tempo
Tua senda
Não precisaste
Plantar as flores do campo
Nem pintar estrelas no céu
Ou aquecer o Sol
A tudo encontraste feito
De um jeito tão perfeito
Que a gente o jamais faria
Buscaste sempre
Um defeito ou emenda
Um dia
Alguém há de te perguntar
Por que será que foste tão exigente
No teu dia-a-dia
E ponto
Visto que quando acordavas
Teu dia já estava pronto.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Creio eu
Que talvez, o segredo
A bem viver a vida
É guardar sempre pra si
Um pouco de coragem
Misturada ao medo
Saber viver as alegrias
Mas só um pouco dela a cada dia
Penso
Num momento de silêncio
Em meio ao caos
Nem todo mal
Nem todo bem com muito afã
Pra que a vida seja bela
Deixe um pouco da tristeza
Para vivê-la também amanhã
Feche a janela para o Sol
Deixe entrar a escuridão do dia
E você sorrirá
Pra luz do Sol de amanhã
Não se come todo o almoço
Numa única garfada
É preciso tempo pra esfriar
Consolidar, brotar, crescer
Secar e até morrer
Não sinta pressa em livrar-se de nada
Cedo ou tarde as coisas se vão
O tempo é que rege essa vida
E é sempre bom ter lágrimas nos olhos
Pra que se contenha as risadas
Mesmo que elas venham
Vão passar
Pois tudo passa
Tudo e nada
Solidão também faz companhia
Penso eu, que a graça da vida
É saber dividi-la
Não se vive tudo de uma vez
De um fôlego só
Uma só voz
É preciso guardar sempre um pouco
de lágrimas e de sorrisos
E, quem sabe, a presença
de alguém que seja louco o suficiente
Para estar
Sempre presente em nossas vidas
E queira estar com nós.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O cheiro de chuva com seus artifícios
Imagens de infância
Sinetes, avisos: é preciso viver
Como vivem as luzes assim
Luzindo nos aços
Você indo lá fora pra olhar
O lugar onde tantos olhares
Cederam a vez a espaços vazios
Que deixamos ficar sem abrigo
O inimigo imaginário
A força da imaginação
O ponteiro, o vento, o calendário
O céu, que não tinha esse azul
Não era assim
Chega a ser engraçado
Mas não era assim
Tantos passos
Se forçar a vista, dá pra ver o fim da estrada
O cheiro da chuva
Um meio sorriso
A primavera que não veio
É preciso viver
Como vivem as luzes
Mais nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Feridas.

De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Outro dia eu estava triste
pensando nas coisas
que deixei de viver
ou abandonei pelo caminho
arrastando os pés, sempre sozinho
quando vi dez meninos brincando
Deslizavam sobre um muro
braços abertos
fingindo aviõezinhos
eu sorri com aquela esquadrilha
alvejando o coração deserto
deste velho menino passante
acordei num passado distante
aconteceu de as bombas
de contagiante alegria
me acertarem o coração
e então, naquele dia
e eu pude ser menino
por mais um instante
o homem seguiu adiante
chato que era
o menino subiu no muro
foi brincar de bombardeiro
na triste tarde de primavera
nem todo dia é possível um sorriso
mas há dias em que é preciso
irremediavelmente necessário
simular inexistente alegria
verdadeira, na tarde daquele dia
nas noites em que acordo assustado
e o eu-menino, que ainda vive do meu lado
levanta-se sem medo do escuro
e vai mais uma vez
ser o décimo-primeiro menino
a abrir as asas
e voar por sobre o muro

Inserida por edsonricardopaiva

Enquanto esperamos
a oportunidade de viver
vamos morrendo
No próximo ano
Haverei de me lembrar ainda
daquilo que ontem
eu estava lendo
E enquanto mergulhava
minha cara e meu tempo
Nos livros e em velhos arquivos
não percebia
Um pássaro preto me olhando
Sentado num galho
aqui perto
Enquanto eu enchia
Meus olhos de nuvens
Meu peito tornou-se um deserto
Enquanto eu coava uma mosca
Uma Cáfila passou blaterando
Erguia meus olhos,
de vez em quando
Mas não via, não sentia
Nada mais me comovia
A noite acabou
Enquanto eu aguardava o dia
E a Cotovia não cantou
Querendo apurar meu senso estético
tornei-me errático
pragmático e simplesmente
Estático
Procurei muito longe
Aquilo que estava perto
viver é viver
Algo simples e complicado
É mais que nascer e morrer
É saber corrigir no tempo certo
Reconhecer que está errado
E enquanto isso o tempo corre
E o que está escrito
Não se apaga
Feio ou bonito
indiferente ou sentida
cada palavra, cada gesto
e cada pensamento
gravados no livro da vida
Assim como todos
Os sonhos e esperanças
Intensamente vividas
Ou então
Na noite dos tempos perdidas

Inserida por edsonricardopaiva

Quanto mais, em minha vida
Eu procurei descobrir
O valor, o sentido e também
Uma forma de viver sob a Luz
Tanto mais eu descobri
Que não decido meu destino
Há uma força maior
Muito superior a mim e a tudo
E então, simplesmente me leva
Me serve de escudo
Me afasta das trevas
Mas me fez viver a vida toda
sob a cruz
Cruzou meu destino
Com pessoas
A quem eu não queria conhecer
Fez-me cruzar
Com projéteis ogivais
de ponta em cruz
Levou-me a cruzamentos
sem saída
apenas para ver me decidir
e conduzir-me novamente
a caminho de outra cruz
A Cruz que carreguei
Se chama vida
Lugar de pouca Luz
Se fui feliz
Este não era meu destino
Não nesta vida
Aonde já se encontrava
escrita e decidida
Espero ao menos
Que algo tenha valido
Nesta escura busca
Aonde me parece
Ter sido apenas eu
A entender o sentido
da Cruz que Deus me deu.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é uma maçã
Que às vezes
Tem gosto de limão
Viver é caminhar
E às vezes
Deparar com coisas
Espalhadas pelo chão
Coisas que guardávamos
Com tanta esperança
De ter sempre preservadas
Respeitadas
e talvez admiradas
pertinho do coração
Para poder sempre dividir
Como se fossem
Compotas de Maça
Palavras importantes
Para as quais não deram importância
Sonhos de criança
Sonhados hoje
Muitos anos após a infância
Esfacelados
Pisoteados
Simples palavras cultivadas
Massacradas
Por outras palavras
Infelizes e maledicentes
A vida poderia muito bem
Ser igual à uma maçã
E às vezes é
Mas tem gosto de limão.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente

Inserida por edsonricardopaiva

Sinto me fragilizado, triste!
Abandonado... estático
Tentei viver de modo prático
Tentei tentar de um jeito tácito
As coisas tomaram proporções
Um tanto trágicas
Um coração de ouro às vezes se confunde
Com algo apenas metálico
Deixei de angariar sua simpatia
Parei de receber seus beneplácitos
A vida passou
O Mundo girou
O vento soprou
E enquanto o vento sussurrava
O Mundo pareceu parar
A vida realmente me surrava
Esmiucei e fui esmiuçado
Meu coração, outrora bom
Tornou se apenas
Algo deixado de lado
Simples peça de decoração

Inserida por edsonricardopaiva

Viver sem precisar
pedir conselhos
Mas estão todos
ocupados demais
admirando a própria beleza
diante dos seus espelhos
para enxergar
as coisas que ali não refletem

Inserida por edsonricardopaiva

Creio que me seja preferível
Viver de saudade, talvez até
de insanidade, uma curta loucura de mentira
À viver as verdades que amanhecem com os dias
Eu acho que esse quotidiano mundano
É horrível demais, para vivê-lo assim
da maneira que ele me vem
Prefiro conversar com as almas do além
A gente vai falando sobre as coisas
que nos eram costumeiras
lealdade, coragem, galhardia e outras besteiras
bobagens que não fazem mais
parte deste infame dia a dia
em que impera a covardia
na triste realidade
Que os modernos amanheceres nos apresentam
Calço meus chinelos e vou ao quintal
até os voos mais inocentes
das transeuntes borboletas soam falsos
Elas dão-me a impressão
Que se esqueceram como se voa
e voam à toa um voo desajeitado
De inseto que não poliniza nada
Voa um voo meio que andando
de vez em quando vêm-me a impressão
Que ela está a ponto de pedir minha ajuda
A vantagem que vejo no inseto
é que ele voa mal, mas voa quieto
seu voo suicida de quem se autoatropela
Deus fez muito bem
Em fazer da borboleta
Uma criatura muda e bela

Inserida por edsonricardopaiva

Quisera viver minha vida
Amando muito e ardentemente
Quisera viver os meus dias
Vivendo de te amar somente
Eu queria te dizer que o meu amor
É amor tão grande
Que até pode haver no Mundo
Outro coração que ame
mas tão grande amor não sente
Amor exuberante
Diante de você
Meus olhos ficam simplesmente exultantes
Amor que te alcança aonde estiver
Portanto, nunca hei de estar distante
As palavras que escrevo
E as flores que te dei
Não podem expressar
A maneira que te vejo
Mas querem te pedir que me veja
Sob o prisma da mesma lente
E que sinta no meu peito
Este coração pulsante
Que se cala diante de ti
Feliz
Vivendo de te amar somente

Inserida por edsonricardopaiva