Viver Loucuras
Manifesto analógico
Caminho ao contrário da pressa digital.
Meus pés fazem questão de tropeçar.
Gosto de esbarrar nos nomes,
perder o rosto e achá-lo na lembrança.
Lembrar os números e discar.
Deixar a voz ferver no ouvido sem acelerar o áudio.
Não quero que um robô faça o que minhas
mãos ainda tremem para fazer.
Escrever torto, borrar o caderno, errar sem a
opção de apagar.
Minha mente é ilógica, se perde no meio da
frase porque está ocupada sentindo.
Fora do trabalho, me divorciei do virtual.
Não confio o que amo às nuvens —
nuvens não sabem ficar.
Mudam de forma, trocam de nome,
desaparecem sem se despedir.
Voltei a imprimir memórias,
fazer backup na gaveta,
guardar fotos para que o tempo não as engula.
Escrever cartas com minha letra,
imprimir no texto minha personalidade.
Não tenho pressa de chegar a lugar algum.
Dificilmente chegarei ao dobro dos anos de hoje.
O destino já não me interessa tanto quanto o caminho.
Quero o que importa perto.
Quero ter rabiscos nas margens dos livros,
esperando o reencontro com minha versão mais ingênua.
Quem vive tentando provar algo aos outros acaba esquecendo de viver o próprio sonho — mas a vida não espera por validações, ela sempre começa hoje.
Entreter os sentidos ainda não é sentir. Apreciar é a verdadeira sofisticação. Só quem aprende a apreciar realmente vive. Que pobreza de espírito apenas gostar ou achar bonito; a apreciação não só vê, mas adiciona valor.
Saber discernir os momentos é fundamental para continuar a caminhada chamada vida. O que está no caminho, se torna o caminho, pois o melhor lugar em que eu posso estar é aqui, no agora... porque o amanhã é um eterno hoje, Viva!
Viva de forma que quando estiver cansado e com idade avançada, não tenha arrependimentos do que poderia ter feito e não fez por medo ou insegurança em dar algo errado.
O TEMPO não perdoa!
Ao fazer feliz um alguém veja
Se isso te faz bem, porquanto que se
Ao fazer bem a alguém e isso não
Lhe fizer bem, logo te fará mal e
Você será injusto com teu bem
Recebido.
FILÓSOFO NILO DEYSON
A vida é uma obra coletiva, e somos os coautores de cada momento. O que escolhemos criar hoje pode transformar o futuro.
Quero muito, de coração, dizer, agradecer,
A todos que quiseram me parabenizar...
É sempre um grande prazer aprender,
Que viver, é uma dádiva, e devemos sempre comemorar...
Guardar as boas lembranças afetivas,
É tão prazeroso, como lembranças criar...
Permite manter algumas coisas boas vivas,
Como a satisfação de rever, viver e compartilhar...
Deságua
Sou rio, mas não mando em mim.
Nasço tímido entre pedras,
um fio d’água sem dono.
Aprendo cedo a correr,
a buscar o mar sem perguntar.
As pedras me ensinam desvios.
As margens me lembram limites.
Aceito ser água que passa,
que abraça, que perde e que segue.
Se um dia seco, o barro me guarda.
Se transbordo, o mundo me teme.
Mas a vida não me espera—
ela deságua mesmo quando eu já não estou.
Se esforce para entender os detalhes do modos operandi viver!
Porque a vida não é do jeito que tÚ imagina.
Uma vez que TUDO foi ou é imaginação...
Será?
Eu queria ter vivido
Eu queria ter vivido
quando o tempo era manso
e as palavras não corriam
numa tela sem trato.
Quando o vento escrevia
nas janelas abertas,
e o silêncio trazia
respostas concretas.
Eu queria ter vivido
onde o olhar era carta,
onde o encontro não era
só um nome sem face.
Quando a praça era o mundo,
o degrau era escola,
e a verdade não vinha
mastigada em retórica.
Eu queria ter vivido
num instante sem pressa,
onde a vida pulsava
no compasso das eras.
Mas vivo no ruído
de um tempo sem tato,
onde o toque é um vulto
e a alma, um contrato.
