Viver em Sociedade
Viver muito não significa necessariamente ter vivido muito; duração e experiência não são sinônimos.
Como seres humanos imperfeitos podem construir uma ordem minimamente justa para viver juntos em uma sociedade tecnologicamente acelerada?
Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.
Viver é agir sobre probabilidades enquanto a consciência sonha com certezas que a própria realidade não prometeu.
Talvez seja preciso morrer algumas vezes por dentro para entender que viver também é deixar para trás quem já não somos.
O desespero é a doença de uma existência dividida contra si mesma: viver, mas não querer ser quem se é; desejar ser outro, mas não conseguir escapar de si.
A existência autêntica começa quando deixamos de viver segundo o roteiro alheio e assumimos a autoria incômoda de nossa própria finitude.
Viver talvez não seja derrotar o absurdo, mas recusá-lo como argumento suficiente para desistir da existência.
A natureza não consulta a vontade individual antes de colocá-la dentro da existência; viver é entrar em um movimento que começou antes de nossas próprias escolhas.
Toda existência carrega uma resistência contra o próprio desaparecimento; viver é também exercer continuamente uma potência de perseverança.
Há prisões sem grades: são as vidas que continuamos a viver apenas para que os outros continuem acreditando que somos felizes.
Não será a morte da inteligência que ameaçará o homem, mas a possibilidade de viver sem precisar pensar.
Um homem pode viver sozinho e ainda estar profundamente conectado ao mundo; solitude não é necessariamente isolamento, mas uma forma particular de presença.
O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.
