Vivendo
"Quando um porco olha para mim, vê uma criatura suja e fedorenta vivendo num chiqueiro."
"Quando um burro olha para mim, vê alguém com quem é impossível viver desapegado das coisas do mundo."
"Quando uma águia olha para mim, vê alguém com quem é impossível voar."
O importante é que estou vivendo, bem ou mal estou vivendo, e é isso que importa...
Hoje me sinto livre do cativeiro que era meu minusculo quarto.
Só o fato de ter minha mesa novamente já me deixa realizado.
E se nada der certo, pelo menos eu tentei, digo isso em todos os sentindo
Estamos vivendo
uma época onde
o banquete de ego
leva à vacuidade,
Melhor manter-se
distante para não
perder a tranquilidade.
Fique com a amizade
do que é autêntico
e de quem é de verdade.
“Quem vive de distrações coleciona distorções; quem coleciona distorções acaba vivendo uma realidade que existe apenas na própria alienação.”
Você pode estar vivendo uma versão vencida de si mesmo
Talvez um dos maiores conflitos humanos não aconteça entre aquilo que somos e aquilo que desejamos ser.
Talvez aconteça entre quem continuamos sendo e quem já não precisamos mais ser.
Passamos a vida tentando evoluir, mas raramente percebemos que algumas dificuldades não exigem evolução.
Exigem atualização.
Atualizamos máquinas, sistemas, conhecimentos, métodos e tecnologias. Reconhecemos naturalmente que aquilo que funcionava ontem pode já não responder às necessidades de hoje.
Curiosamente, temos muito mais dificuldade para aplicar essa compreensão a nós mesmos.
Atualizamos tudo aquilo que utilizamos, mas frequentemente continuamos utilizando uma versão desatualizada de nós.
Continuamos respondendo a situações novas com medos antigos.
Tomando decisões presentes a partir de feridas passadas.
Defendendo convicções construídas por alguém que já não possui as mesmas experiências que possuímos hoje.
Talvez exista dentro de nós uma espécie de atraso de identidade.
O corpo chegou.
O tempo passou.
As experiências aconteceram.
O conhecimento aumentou.
Mas alguma parte de nós continuou morando em uma interpretação antiga da própria existência.
Nem sempre estamos presos ao passado. Às vezes estamos presos à pessoa que o passado nos ensinou a ser.
Essa diferença é profunda.
Superar um acontecimento não significa necessariamente superar a identidade construída a partir dele.
Podemos deixar de sofrer por alguma coisa e continuar organizando nossa vida para impedir que aquilo aconteça novamente.
E, sem perceber, aquilo que aparentemente ficou para trás continua decidindo aquilo que fazemos pela frente.
Talvez algumas cicatrizes parem de doer, mas continuem escolhendo.
É por isso que autoconhecimento não deveria servir apenas para descobrir quem somos.
Deveria também permitir descobrir quem continuamos sendo sem necessidade.
Existe uma pergunta pouco feita:
“Qual parte de mim ainda existe apenas porque nunca foi novamente questionada?”
Talvez encontremos ali comportamentos que chamamos de personalidade, limites que chamamos de realidade e mecanismos de defesa que passamos a chamar de identidade.
Nem tudo aquilo que repetimos nos representa.
Repetição não transforma comportamento em essência.
Fazer algo durante trinta anos prova apenas que fizemos algo durante trinta anos.
Não prova que precisamos continuar fazendo.
Há um perigo silencioso em transformar permanência em identidade.
Quando dizemos “eu sou assim”, podemos estar descrevendo quem somos.
Mas também podemos estar decretando quem nos proibimos de deixar de ser.
Toda definição de nós mesmos pode se transformar em uma fronteira quando esquecemos que também somos possibilidade.
Talvez uma das maiores manifestações de inteligência seja conseguir revisar a própria identidade sem interpretar essa revisão como traição.
Mudar de opinião não significa necessariamente incoerência.
Abandonar uma convicção não significa fraqueza.
Reconhecer um erro não apaga a inteligência anterior.
Pode simplesmente revelar uma consciência posterior.
Coerência não é pensar a mesma coisa para sempre. É ter coragem de não continuar defendendo aquilo que já deixamos de compreender da mesma maneira.
O problema é que construímos reputações em torno das nossas certezas.
Depois, algumas pessoas passam a defender ideias não porque ainda acreditam nelas, mas porque acreditam que precisam continuar sendo reconhecidas por elas.
Nesse momento, a identidade deixa de expressar o indivíduo.
Passa a aprisioná-lo.
Quando precisamos continuar sendo quem fomos para preservar aquilo que pensam que somos, a imagem venceu a identidade.
Talvez liberdade também seja poder decepcionar a expectativa criada sobre uma versão antiga de nós.
Não por irresponsabilidade.
Mas porque ninguém deveria ser condenado à permanência apenas para facilitar o reconhecimento dos outros.
Somos continuidade, mas também ruptura.
Somos memória, mas também possibilidade.
Somos consequência, mas também construção.
E talvez exista uma dimensão ainda mais profunda da autoria:
Não apenas escolher o que fazer com a própria vida, mas escolher conscientemente quais versões de nós ainda terão permissão para continuar escrevendo-a.
Porque dentro de uma mesma pessoa podem coexistir diferentes autores.
A criança que teve medo.
O jovem que precisou provar alguma coisa.
O adulto que aprendeu a se defender.
A pessoa que sofreu.
A pessoa que venceu.
A pessoa que perdeu.
Todas podem continuar escrevendo decisões muito depois de o contexto que as criou ter desaparecido.
Por isso, algumas escolhas aparentemente presentes possuem autores antigos.
Nem toda decisão que tomamos hoje nasceu no presente.
Discernir também é descobrir quem, dentro de nós, está segurando a caneta.
Talvez essa seja uma das perguntas mais desconfortáveis que podemos fazer:
Quem está escrevendo minha vida hoje?
Minha consciência?
Meu medo?
Minha necessidade de aprovação?
Minha história?
Minha expectativa?
Ou uma versão antiga de mim que ainda acredita estar vivendo circunstâncias que já terminaram?
Não precisamos destruir quem fomos.
Precisamos reconhecer que cada versão de nós cumpriu determinada função na construção daquilo que somos.
Mas gratidão pelo passado não exige submissão a ele.
Podemos agradecer à pessoa que precisamos ser sem obrigá-la a continuar sendo a pessoa que precisamos nos tornar.
Talvez amadurecer seja justamente isso.
Não abandonar a própria história.
Mas impedir que a história reivindique propriedade sobre o futuro.
Porque existir é continuar no tempo.
Evoluir é aprender com ele.
Mas talvez haja algo além:
atualizar-se é permitir que a consciência presente tenha autoridade para revisar a identidade construída pela consciência passada.
Não somos arquivos terminados.
Somos versões em permanente revisão.
E talvez o maior risco não seja mudar tanto a ponto de deixarmos de ser quem somos.
Talvez seja exatamente o contrário:
permanecer tanto tempo sendo quem fomos que nunca descubramos quem ainda poderíamos ter sido.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
Existe uma versão minha vivendo em todas as cidades que nunca visitei, em todos os livros que não terminei e em todas as decisões que tive medo de tomar. Às vezes sinto falta dela. Às vezes agradeço por nunca tê-la conhecido.
Tem gente vivendo como uma comédia romântica. Hora, anjo metódico, sussurrando: "Vai dar certo!". , ou um demônio com roupas de couro, oferecendo pizza e preguiça. A diversão está no conflito! Não leve a sério demais nenhum dos dois. O anjo é um chato, o demônio, um folgado. O truque é rir da confusão. Escolha a ousadia do demônio com o coração do anjo. A vida é muito curta para dramas. Você é o diretor dessa bagunça e divirta-se, porque o maior presente de D'us é a vida. Cada novo amanhecer é uma oportunidade única de renascer, amar, aprender e evoluir. Celebre isso tudo com gratidão!
É a minha opinião....
Alexandre Sefardi
Vivendo no automático
Estou vivendo em uma fase que nada mais me abala.Por isso, optei por ir nos embalos que a vida me levar.
Van Escher
Estou vivendo e aprendendo
Apanhando e batendo
Seguindo minhas rotas
Rasgando e se costurando
Como pipoca crescendo na panela, dia a dia.
Crescendo num processo continuo
Letra por letras
Eu vou preenchendo minha tela...
Estamos vivendo num caos social!
Não existe assistência social, preocupação com a população simplesmente não existe! É muito raro um político de coração bom como aquele Marcelo de Nápoles que realmente veste a camisa e vai para rua acolher seu povo. O que existe é muita ganância em enganar um povo sofrido.
A gente precisa de saúde que funcione e, principalmente, educação de verdade. Gastam rios de dinheiro com bobeira e o principal continua uma porcaria. É só chover dois minutos que os bueiros entupidos alagam a cidade inteira. A água sobe, entra nas casas, leva o pouco que a gente tem. E depois aparecem na TV dizendo que foi surpresa da natureza.
Eu olho pra rua e vejo a fila do posto, o idoso sem remédio, a mãe com criança no colo esperando uma consulta que nunca chega. Aí entendo por que tanta gente desiste. Não é fraqueza, é cansaço de bater numa porta que nunca abre.
"Sobreviver é continuar vivendo mesmo depois de sapecada, e saber que vêm mais incêndios por aí...
- Afinal o inferno é aqui!"
Haredita Angel
29.07.25
Existem muitas versões minhas vivendo aqui ao mesmo tempo: a adulta que resolve tudo, a criança que comemora bobagens, a leitora que desaparece entre páginas, aquela que sente saudade e aquela que ainda espera ser encontrada. Talvez amadurecer seja parar de decidir qual delas merece existir.
