Vivemos
desse mundo que vivemos, dá para ter fé?
esperar por nada e ainda não se manter em pé
amigo meu, onde andou por esses passos?
sempre te vejo parado, pois não tem rastros
a bondade não deve ser troca de nenhum jogo
pois o azar sempre vai ser a opção do seu troco
esperar para que alguém possa te levantar
aqui nesse mar, ninguém vai te ouvir gritar
e sempre que eu te vejo
você ainda implora pela sua graça
acha que acontece?
olhe seu reflexo, idiota
você ainda está vivendo em desgraça
não tem mentiras, ilusões, expectativas
que façam esse fogo parar de queimar
de todas as outras vidas, tão vivas
ninguém teria motivo para se importar
os tempos se passam
em mundos desbravam
e você estar incluso ou não
desde o início, nem ligavam
é aqui onde vai ter seus últimos prantos
estar invisível é uma aventura em tanto
mas aqui nesse lugar, que medo pode causar?
desses olhos que te vêm dormir, dançar
não deve nada a eles, pois quem deve a ti é você
possa levantar para os outros?
para que te derrube mais fácil, e depois se remoer
quando estiver com vontade de chorar
feche os olhos e eu estarei lá
não, não se liberte, não lute mais
arranco teu boa noite e seu sorriso por mais
Vivemos a era da conexão digital e do desligamento existencial: nunca estivemos tão conectados uns aos outros e tão distantes de nós mesmos.
Vivemos a era em que muitos têm acesso a toda informação, mas poucos conquistaram sabedoria; todos querem ter voz, mas poucos suportam pensar; defendem opiniões que nunca examinaram, desejam vidas que nunca questionaram e buscam liberdade sem a disciplina necessária para sustentá-la. A maior decadência da sociedade não é a falta de conhecimento, mas a ausência de consciência. Porque uma humanidade que abandona o pensamento crítico, terceiriza a responsabilidade e troca valores por conveniências não evolui: apenas se moderniza na aparência enquanto retrocede na essência.
Vivemos a era em que tudo se tornou líquido: sentimentos, compromissos e pessoas. A liquidez das relações humanas está liquidando a própria humanidade dos relacionamentos.
Vamos repensar?
Bauman — “Vivemos tempos líquidos.”
“A sociedade líquida não apenas dissolveu certezas; dissolveu compromissos. Quando tudo pode ser substituído, o ser humano corre o risco de transformar até pessoas em objetos de consumo emocional.”
Carlos Eduardo Balcarse
Não vivemos a crise da informação. Vivemos a crise do discernimento.
Nunca soubemos tanto e raramente compreendemos tão pouco. Acumulamos dados, opiniões e certezas, mas terceirizamos a consciência. E quem não governa a própria consciência será, inevitavelmente, governado pela consciência dos outros.
A maior prisão da história não foi construída com concreto, ferro ou grades. Foi construída com distrações. É uma prisão perfeita: o prisioneiro acredita que é livre, defende a cela e ainda chama as correntes de escolhas.
A pior forma de alienação é chamar prisão de liberdade.
O mundo nos treinou para conquistar espaço, status e seguidores, mas desaprendemos a ocupar o único lugar de onde todas as decisões realmente nascem: o próprio interior. Enquanto perseguimos aprovação, abandonamos a verdade. Enquanto consumimos novidades, desperdiçamos a consciência.
A mente mente. O discernimento desmente.
Toda época produz seus ídolos. A nossa resolveu idolatrar a velocidade. Confundimos movimento com direção, reação com reflexão, informação com sabedoria. Corremos tanto que já não sabemos se estamos avançando ou apenas nos afastando de nós mesmos.
Toda revolução que não começa na consciência termina em repetição.
Mudam-se os governantes, as ideologias, as tecnologias e os discursos. Permanecem o mesmo orgulho, a mesma vaidade, o mesmo medo e a mesma necessidade de pertencimento. Chamamos isso de progresso, quando muitas vezes é apenas o aperfeiçoamento das mesmas prisões.
A liberdade começa onde termina a necessidade de aprovação.
A verdade nunca precisou de maioria. Apenas de alguém disposto a suportá-la. A mentira, ao contrário, depende de aplausos para sobreviver. Por isso o mundo recompensa quem entretém e frequentemente rejeita quem desperta.
Despertar tem um preço. Dormir também. A diferença é que a conta do sono sempre chega depois.
Não desperdice a vida tentando vencer o mundo. Vença o mundo que habita você.
Porque nenhuma tecnologia substituirá o discernimento. Nenhuma inteligência artificial produzirá uma consciência desperta. Nenhuma conquista exterior compensará uma derrota interior.
O futuro da humanidade não depende apenas da inteligência que cria máquinas. Depende da consciência que decide como usá-las.
Consciência acima da conveniência.
Esse não é apenas um lema.
É uma forma de existir.
Carlos Eduardo Balcarse
11/06/2026
“Talvez nossa verdadeira idade não seja apenas o tempo que vivemos, mas a consciência que conseguimos construir com o tempo vivido.”
Vivemos em uma época curiosa: temos respostas para quase tudo, mas talvez estejamos perdendo a capacidade de formular as perguntas que realmente importam.
A tecnologia encurtou distâncias, acelerou o acesso ao conhecimento e colocou praticamente o mundo inteiro na palma de nossas mãos. Mas existe uma pergunta que nenhuma tecnologia deveria responder em nosso lugar:
Quem estamos nos tornando?
Quanto mais respostas encontramos fora, menos percebemos as perguntas que deixamos de fazer dentro.
Talvez o problema do nosso tempo não seja a falta de informação, mas a facilidade com que transformamos informação em certeza.
Repetimos porque muitos repetem. Acreditamos porque muitos acreditam. Compartilhamos porque muitos compartilharam. E, pouco a pouco, aquilo que começou como influência pode terminar parecendo pensamento próprio.
O senso comum comumente mente.
Pensar exige mais do que possuir uma opinião. Exige coragem para confrontá-la.
Maturidade intelectual não está em vencer todas as discussões, mas em conseguir reconhecer quando uma verdade maior exige que abandonemos uma certeza menor.
Por isso, algumas vezes, desaprender é uma forma superior de aprender.
Estamos formando uma geração extraordinariamente preparada para encontrar respostas. Talvez o próximo desafio da educação seja formar pessoas capazes de questioná-las.
Porque quem recebe todas as respostas prontas corre o risco de nunca descobrir quais perguntas eram realmente suas.
Não precisamos de uma sociedade que pense igual.
Precisamos de uma sociedade que pense antes de simplesmente repetir.
E talvez uma das maiores expressões de liberdade seja justamente esta:
Ter coragem suficiente para questionar até aquilo que pensamos ser nosso próprio pensamento.
Afinal, a mente mente e o discernimento desmente.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor e pesquisador sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação e sociedade.
Vivemos na era da inteligência artificial, das redes sociais, dos algoritmos e das respostas instantâneas. Nunca tivemos tanta tecnologia à nossa disposição e, paradoxalmente, nunca falamos tanto sobre ansiedade, saúde mental, propósito, relacionamentos e felicidade.
Talvez isso revele algo sobre nós.
Evoluímos extraordinariamente na capacidade de nos conectarmos com o mundo, mas ainda precisamos aprender a nos conectar conosco.
A tecnologia acelerou a comunicação, o trabalho e o acesso ao conhecimento. Mas nenhuma inteligência artificial poderá viver nossa vida por nós.
Podemos perguntar praticamente qualquer coisa a uma máquina. A questão é: estamos sabendo quais perguntas fazer a nós mesmos?
Em uma sociedade marcada pela pressa, comparação, excesso de informação e necessidade de aprovação, muita gente procura fora aquilo que somente poderá compreender olhando para dentro.
Nada externo preenche o vazio interno.
Cuidar da saúde mental não significa apenas combater ansiedade, estresse ou esgotamento. Significa também compreender pensamentos, emoções, escolhas, limites, relações e o sentido que atribuímos à própria existência.
Desenvolvimento pessoal não deveria significar transformar pessoas em máquinas de alta performance.
Produtividade sem propósito pode apenas nos fazer chegar mais rápido a lugares onde nunca desejamos estar.
Talvez por isso o autoconhecimento continue tão necessário justamente na era da inteligência artificial.
Quanto mais inteligentes se tornam nossas ferramentas, maior deveria ser nossa capacidade de pensar, questionar e desenvolver consciência, pensamento crítico e discernimento.
Não precisamos competir com as máquinas para descobrir quem consegue responder mais rápido.
Precisamos evitar que a velocidade das respostas destrua a profundidade das perguntas.
A vida não deveria ser uma corrida para acumular coisas, seguidores, títulos, dinheiro ou aprovação.
Porque tempo é vida. E o tempo não tem preço, tem fim.
No final, talvez sucesso seja algo muito mais profundo do que aquilo que conseguimos mostrar aos outros.
Talvez seja conseguir olhar para a própria história e reconhecer que, apesar de todas as influências do mundo, ainda tivemos coragem de viver uma vida que fazia sentido para nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor e pesquisador sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação e sociedade.
“Estamos tão ocupados mostrando a VIDA que já não sabemos se VIVEMOS para mostrar ou mostramos para parecer que VIVEMOS.”
Vivemos em uma sociedade onde: aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, justificar o injustificável e defender o indefensível é prática comum. Por essa e outras, o senso comum, comumente mente!
Carlos Eduardo Balcarse
Vivemos na era onde: Aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, acreditar no inacreditável e defender o indefensável é prática comum!
Carlos Eduardo Balcarse
“Quando as ideias começam a pensar por você”
Vivemos um tempo estranho. Aceitamos o inaceitável, toleramos o intolerável, acreditamos no inacreditável e ainda chamamos isso de pensar.
Mas pensar não basta. Há quem pense apenas para confirmar aquilo em que já decidiu acreditar.
A mente mente. E uma de suas mentiras mais úteis é nos convencer de que todo pensamento que ocorre dentro de nós nasceu em nós. Não nasceu. Somos atravessados por ideias, repetições, pressões, pertencimentos.
Uma mentira não precisa tornar-se verdade para vencer. Basta tornar-se comum. Repita o absurdo até que ele deixe de espantar. Depois, chame de exagero quem ainda se espanta.
Talvez por isso o senso comum comumente mente. Não porque o comum seja sempre falso, mas porque ser comum jamais foi critério de verdade.
A guerra é puraMENTE mental, porque o território não é o que pensamos, mas os critérios que deixamos de examinar.
Não se trata apenas de influenciar o que pensamos, mas de pré-definir as perguntas. Não é preciso proibir o pensamento quando se consegue domesticar os critérios.
Por isso, discernimento não é pensar mais. É pensar sobre quem pensa quando pensamos.
A pergunta talvez não seja:
“No que você acredita?”, mas “Quanto daquilo que você acredita sobreviveria se você investigasse por que acredita?”
Porque quem não discerne o que entra na própria mente pode passar a vida inteira acreditando que está defendendo suas ideias, quando são as ideias que estão usando sua mente para se defender.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor, Educador, Pesquisador.
“Quando o absurdo deixa de causar espanto, o discernimento já está em perigo.”
Vivemos uma triste realidade que beira a irrealidade.
Nunca tivemos tanta informação disponível e, talvez, nunca tenha sido tão fácil fantasiar desinformação de conhecimento, opinião de ciência, crença de evidência e absurdo de verdade.
Basta acrescentar uma palavra difícil, uma explicação incompreensível, um pouco de “ciência”, alguma “física quântica”, uma promessa extraordinária e uma boa dose de convicção. Pronto, o inacreditável ganha aparência de credibilidade.
Só que o problema mais grave talvez não seja existirem pessoas dispostas a vender fórmulas mágicas. É existirem mentes suficientemente desarmadas para comprá-las.
A mente mente. E mente ainda melhor quando encontra argumentos sofisticados para acreditar naquilo que deseja acreditar.
Por isso, informação não é conhecimento. Conhecimento não é verdade. Convicção não é evidência. E inteligência, sem discernimento, também pode ser extraordinariamente eficiente na construção do próprio engano.
O senso comum comumente mente. Mas o discurso incomum também pode mentir, às vezes apenas com palavras mais difíceis.
É justamente aí que precisamos recuperar o espanto. Não o espanto de quem acredita em qualquer coisa extraordinária, mas o espanto de quem ainda consegue olhar para o absurdo e perguntar, como chegamos ao ponto de isso parecer razoável?
Porque uma sociedade que perde a capacidade de se espantar com o absurdo, pouco a pouco começa a normalizá-lo. Aceita o inaceitável, tolera o intolerável, acredita no inacreditável, justifica o injustificável e termina defendendo o indefensável.
Talvez por isso, desenvolver o discernimento tenha se tornado uma urgência educacional.
Precisamos de pensamento crítico, mas também de alfabetização do discernimento, de uma pedagogia do discernimento capaz de ensinar não apenas adquirir conhecimento, mas examinar a autoridade que concedemos às informações, crenças, emoções, narrativas e até certezas.
A guerra contemporânea é puraMENTE mental.
E, nessa guerra, talvez a derrota mais perigosa aconteça quando alguém coloca uma ideia dentro de nós e ainda nos convence de que fomos nós que a pensamos.
Pensar é necessário. Discernir é descobrir se aquilo que pensamos merece continuar sendo pensado.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Vivemos esperando que as coisas mudem, que as pessoas mudem; até que um dia a gente percebe que a única pessoa que tem que mudar é apenas a si mesmo.
Antigamente, a escravidão era física, com chicotadas. Hoje, vivemos uma escravidão mental, com banqueiros, investidores e financiadores usando meios de comunicação e mídia para nos aprisionar. Criam valores falsos, nos distraem e nos impedem de refletir. As dores dessa escravidão são ansiedade, tristeza e estresse, sem que percebamos de onde vêm. Vivemos em um sistema que nos mantém mentalmente escravizados.
