Violência

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A lei pode conter a violência, mas somente a justiça pode retirar dela sua legitimidade.

A violência começa onde o outro deixa de ser reconhecido como sujeito de direitos.

Quando a lei protege a violência do poderoso, ela deixa de ser escudo da sociedade e se torna sua arquitetura de medo.

A violência contra o corpo termina quando a violência contra a dignidade deixa de ser tolerada.

Nem toda violência quebra uma porta; algumas entram pela linguagem, assinam documentos e aguardam que a história as absolva.

A violência política é mais perigosa quando aprende a vestir a linguagem da legalidade.

A violência é o argumento de quem pretende encerrar a conversa antes que a razão possa respondê-lo.

A primeira vítima da violência jurídica é sempre a ideia de que todos pertencem à mesma humanidade.

Toda sociedade revela sua concepção de justiça pela violência que tolera em nome da ordem.

Toda violência institucional começa com uma pequena exceção concedida à dignidade de alguém.

A violência torna o medo obrigatório; o Direito transforma a liberdade em dever de proteção.

"O silêncio também machuca. Quando a sociedade se cala, a violência encontra espaço."

O feminicídio é uma das faces mais cruéis da violência no Brasil. Ele não é “apenas mais um crime”: é o assassinato de mulheres por serem mulheres, resultado de uma cultura de desrespeito, posse e desvalorização da vida feminina. Sentir repulsa diante disso é o mínimo; o necessário é transformar essa repulsa em consciência, postura e ação.
Cada mulher que sofre violência é filha de alguém, muitas vezes mãe, irmã, amiga, é uma vida inteira de histórias, sonhos e contribuições interrompidas. E há um ponto que deveria nos tocar profundamente como homens: todos nós nascemos de uma mulher. Foi uma mulher que nos gerou, que enfrentou dores para nos trazer ao mundo, que nos alimentou, amamentou, cuidou e sustentou nossa vida nos momentos mais frágeis. Nossa própria existência começa no cuidado de uma mulher.
Como, então, pode existir ódio, agressão ou indiferença contra quem representa a origem da nossa vida e da vida de toda a sociedade? Respeitar mulheres não é favor, não é gentileza é princípio básico de humanidade e justiça.
Repudiar o feminicídio é dever coletivo. Isso passa por não normalizar agressões, não rir de desrespeito, não silenciar diante de sinais de violência e educar meninos e homens para o respeito, a empatia e a igualdade. Uma sociedade que não protege suas mulheres está falhando consigo mesma.
Que a indignação não seja só discurso, mas mudança real de atitude. Porque toda mulher merece viver com dignidade, segurança e liberdade. E porque a vida de uma mulher nunca pode ser tratada como algo descartável.

O Direito não pacifica o mundo; ele apenas organiza o modo como a sua violência será narrada.

O Estado começa como proteção contra a violência e termina em perigo quando se torna a maior violência legitimada.

Ensinar a Palavra exige brandura, paciência e respeito; a violência verbal nunca veio de Deus.

Não são as guerras, a violência ou má sorte que podem derrotar um bom homem, somente uma mulher poderá levá-lo à ruína completa, pois dormir ao lado do inimigo é a melhor estratégia para vencê-lo.

O amor é a arma mais poderosa que existe, asfixia a violência que há em mim e faz transbordar a docilidade que reside no outro

O grito constante destrói o amor lentamente; a violência o destrói brutalmente. Ambos revelam ausência de maturidade emocional.

Minha carne é a roupagem da essência ancestral.
Minha cor é armadura: atrai a violência, mas também a enfrenta.
Sou preta.
E preta é cor de nobreza, de memória, de luta e de permanência.
Preta é a cor da resistência.

Eli Odara Theodoro