Versos sobre Morte

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Uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

Da morte apenas, nascemos imensamente.

Não pode falar em Direitos Humanos um país que pratica a pena de morte. A vida é o maior de todos os direitos do homem.

É a pior morte, a do amor. Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona. A morte de um amor, ao contrário, é viva. O rompimento mantém todos respirando: eu, você, a dor, a saudade, a mágoa, o desprezo - tudo segue. E ao mesmo tempo não existe mais o que existia antes.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Fora de Mim. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2010.

Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguia viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a última gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas flores nojentas. Amor não mata. Não destrói, não é assim. Aquilo era outra coisa. Aquilo é ódio.

- Pode provar o seu amor por ela?
- 50 anos chegam?
- Pode provar isso agora?
- Como pode um homem provar a sua fome, a não ser comendo?
(Abraham Farlan/Peter)

Nossa existência é transitória como as nuvens do outono. Observar o nascimento e a morte do ser é como olhar os movimentos da dança.
Uma vida é como o brilho de um relâmpago no céu. Levada pela torrente montanha abaixo.

Nós não sabemos que tipo de pessoas realmente somos até um momento antes da
nossa morte. Assim que a morte vier abraçá-lo você perceberá
o que você é.

Se arrancar meus braços te chutarei até a morte,
Se arrancar minhas pernas te morderei até a morte,
Se costurar minha boca te darei cabeçadas até a morte,
Se arrancar minha cabeça renascerei mil vezes se for precisso até matá-lo!
Dessa vez te salvarei.

A morte me chama pra jantar
Em forma de suicídio diz que vem pra me buscar
Com flores no caixão,
Um terço enrolado na mão
Me despeço deste mundo de muito preço e poucos valores
De muito ódio e poucos amores

Uma memória não deixarei,
Nem mesmo nas histórias estarei.
Pois quem escolherá a morte
Talvez não seja um azarado e sim um cara de sorte.

- O que se diz ao Deus da Morte?
- Hoje não.

Game of Thrones
Syrio Forel e Arya Stark

A morte é um dia que vale a pena viver.

(Capitão Barbossa)

Piratas do Caribe

Nota: Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (2007)

A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contra ele espada fera,
e com o Tempo, que tudo desbarata.

Quando, à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos:

1. Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2. Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);
3. Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1. Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos.

Resistam e encontraram a força
Combatam e encontrarão a morte.

SOBRE MINHA MORTE

Que sonho, que nada,
faz tempo que deixei isso de lado
os demônios tomaram conta
do que eu chamava de amar

hoje não existe mais amor em mim
só existe mesmo a luxúria
porque dela sei que não vou sofrer

Acha que gosto disso?
precisava me ver antes de morrer
eu vivia por meus amores
e morri por causa de um só

A MORTE NÃO É NADA

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro lado do mundo.
Eu sou eu. Você é você.
O que fomos um para o outro, ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou,
sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou: continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Por que eu estaria fora dos teus pensamentos,
apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe, somente estou do outro lado do caminho.

Henry Scott Holland

Nota: Trecho traduzido do sermão The King of Terrors, da missa de morte do rei Eduardo VII, em maio de 1910. A autoria do texto é muitas vezes atribuída erroneamente a Santo Agostinho.

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Morte e vida

No equilíbrio da vida e da morte
plantei sementes que criarão flores,
e todos os dias busco nesse recanto
de saudades, seguir esse nascer,
sopro da força de novas energias
que preencherão os espaços mortos.

A morte é apenas a passagem no portal
da vida para outras possíveis dimensões,
mas a energia cósmica não se perde,
e retorna ao todo para novas vidas.

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Regresso ao Uno

No vazio que ficou da morte de minha irmã,
veio a presença de pessoas tão queridas,
que também um dia cruzaram esse portal.

Onde estarão, o que serão elas agora?
Nuvens, ventos, água, terra, energias?
Eram carne, corpos, vida, sentimentos.
Emoções trocadas em abraços, risos, carinhos,
mas também em dúvidas, tristezas, frustações.

Nos deixaram seguir em frente os caminhos,
tantas vezes compatilhados, agora sozinhos.
Como a luz tênue do final do crepúsculo,
foram aos poucos se apagando de nossas vidas,
deixando as saudades e sentidas ausências.

Hoje, são lembranças que ficaram em nós,
mas que permanecem bem vivas e eternas.