Versos sobre Morte
NADA TRANSCENDE À REALIDADE:
Discorrer à morte...
Remete-nos às margens
Dos rios
Que se vão
Rumo ao mar longínquo
Com a fúria do vendaval
Arrebatando sonhos e ilusões.
Discorrer à morte...
Nos conduz ao epicentro
Das incertezas.
Encetando-me a nitidez de que
Nada tenho ou sou
Ou para aonde vou.
Que tudo é nada.
E a única inferência
É morrer.
Com sete dias de morte,
Putrefez a carne,
Evadiu-se a alma,
Nada mais além da calma.
Rarefeito ar do cemitério,
Quente é o mistério,
Quem o matou?
Dizem que o esquartejou.
O caixão foi fechado,
O velório cancelado,
Fadado ao esquecimento,
Sua alma vive em lamento.
O autor da sua partida,
Disseram a ele na despedida:
“Quem pode te tocar e viver para contar?”
Homem influente e destemido.
Amigos dizem que foi o patrão,
Tudo por um comentário em reunião.
“Quem é esse que pode ser?”
Ele é o algo além do enlouquecer.
Mística é essa frase,
Todos ficaram em análise.
De fato, o patrão pirou,
Não suportou o peso e surtou!
Afrontosa frase intelectual,
Pelo visto, ele a entendeu mal,
O questionamento era sobre o eu do patrão:
Quem ele poderia ser se fosse tudo o que pode.
A vida de qualquer objetivo consiste na persistência, a morte de qualquer sonho se chama desistência.
Então se for para desistir desista de ser fraco!
O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.
Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.
O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.
Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.
A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.
Ser índio em um país onde só há caciques é morte anunciada. Comemorar o quê no dia 19 de abril?
Benê Morais
Se a morte bater em meus pés,
Não direi nada a ela.
Somente iria senti-la, com seu gosto de sossego.
Nunca senti nada além de tédio.
Também sinto que em minha consciência habita meu desespero. Sou desesperadamente desesperado. Desperado por um sorriso que nunca conheci, Que nunca toquei, que nunca senti.
Falo palavras bonitas para camuflar minha falta de beleza. Palavras — dolorosas palavras.
Sou completamente delirante. Um delirio que me mostra a verdadeira comédia. Como deve ser a tragédia que se aplica à dura amargura do saber.
Em meu coração, há uma potência e um ato, e nem Aristóteles poderia sonhar algo assim.
Sem pé nem cabeça observo de longe minha estrada. De tanta estrada que é, sinto me enrustido. Odiado. Não amado.
morte nem sempre chega em silêncio.
Às vezes ela cresce devagar
dentro dos olhos cansados,
nos sonhos abandonados,
na parte da alma
que desaprende a sentir.
Há mortes invisíveis
que ninguém enterra.
A da esperança,
a da inocência,
a daquela versão nossa
que um dia acreditou demais.
Helaine machado
A vida tem outro tempo.
E nesse tempo, muitos chamam a morte.
Como se ela fosse um refúgio,
um lugar onde a dor acabaria.
Sem tristeza, sem violência,
sem amores que ferem.
Um sono profundo.
A morte parece solução
para quem já não enxerga saída.
Mas viver também é aprender
a amar a própria solidão.
A solidão, às vezes, se torna companhia.
Porque conviver com pessoas
pode ser como uma facada inesperada,
um aviso escrito na pele das ruas.
E então você entende:
às vezes morremos por dentro
quando confiamos demais nos outros
e esquecemos de confiar em nós mesmos.
E se o amor e a morte se encontrassem
Em um abraço infinito .
O amor morre
Ou a morte se apaixona
Talvez a morte , acabava com o amor
Ou o amor amaria até a morte ?
E se o amor e a morte se encontrassem
Lado a lado andariam ?
Ou logo com um beijo
Essa união selaria .
Talvez , só talvez ...
Findo o enlace
Findo a agonia.
A morte é uma despedida física, mas o amor é um laço que nem o tempo, nem a ausência conseguem romper.
Não chore porque acabou, sorria porque aconteceu e porque a luz dessa pessoa agora brilha dentro de você.
Onde o corpo não pode mais estar, a lembrança faz morada eterna.
SerLucia Reflexoes
Na morte da inocência,
nasceu em mim a visão,
não sou mais cega ao mundo,
nem refém da ilusão.
Três dias de silêncio profundo,
Deus me trouxe de volta à vida,
e ao despertar, vi com clareza
a verdade antes escondida.
A dor me fez mais atenta,
a queda me deu intuição,
hoje leio nas almas e gestos
o que antes passava em vão.
Não sou mais a mesma de antes,
sou filha da luz e da fé,
quem quiser andar ao meu lado
precisa ser mais verdadeiro que é.
INCREDULIDADE
A morte, por si só, nunca foi a obsessão que assombra a vida da humanidade desde os tempos mais remotos, mas sim o desejo pela imortalidade que, infelizmente, está associado ao sonho de manter a juventude eterna ligada a frescuras inesgotáveis.
Isso porque, para os incrédulos, uma vida eterna devastada pela fraqueza, pelas doenças, pelas deficiências, pelas limitações, pelo declínio do corpo e pela deterioração dos sentidos não seria senão a somatória da infelicidade com a miserabilidade, de tal forma que o sonho da imortalidade se transforma em um verdadeiro pesadelo, e a morte avassaladora passa a ser vista como um desejo.
Rosimara Saraiva Caparroz
Na morte de um pai,
a memória insiste em
reconstruí-lo em detalhes,
as palavras, o sorriso,
o olhar, os gestos
— só para depois
deixá-lo partir outra vez.
"" Quero teu ouro
essência plena
como lembranças de um fogo
que nunca a morte temeu
enquanto luz
levará ao passado
lembrado nas cinzas...
de algo maior
que um dia sem querer
se perdeu
Me casei com a vida mesmo sabendo que ela um dia irá me trair indo embora com a morte.
by Elmo Writter Oliver I
