Versos para 18 anos
Escrevo
Escrevo.
Escrevo pra sobreviver de noites mal dormidas.
Narro meus dias.
Narro-os pra não me esquecer das tristezas nem das alegrias.
Conto sobre mim.
Conto sobre os outros.
Conto que os amores não são poucos.
Descrevo.
Descrevo o que os meus olhos veem.
Descrevo porque não quero que nada se apague de minha memoria.
Tão solúvel.
E os dias passam.
Alguns lentamente demais.
Outros tão normais.
escrevo pra sobreviver…
sobreviver a essas águas que querem pra sempre me varrer do mapa.
Escrevo pra tornar visível ese fio da minha vida.
Escrevo pra destatuar a dor da minha alma.
Escrevo pois só a escrita me acalma.
Vida, nossa vida!
Origem de cangaceiro
do sol forte ao céu anil
o trabalho de um vaqueiro
vale aqui por mais de mil
o nordestino o ano inteiro
mostra ao povo brasileiro
o que é ser forte no Brasil.
São léguas pra ser feliz
sem temer adversidade
o nordeste é a matriz
do que é ter dignidade
e por aqui brota a raiz
do brasileiro de verdade.
É a região mais bonita
mais que Sul e Sudeste
o meu coração palpita
pelo verde que lhe veste
minha paixão é infinita
e que Deus do céu permita
eu voltar pro meu Nordeste.
LUTA!
Mesmo longe da cidade
não desiste de aprender
o nordestino de verdade
vai em busca do saber
maior que a dificuldade
é a vontade de vencer.
SEDE DE VIDA!
Essa terra não é ingrata
não é pobre o nosso chão
chega de água na lata
água cara em caminhão
a seca fere e maltrata
mas aqui o que mais mata
é a sede da corrupção.
Nordeste de tudo tem
do sertão a beira mar
de fora o turista vem
se apaixona e quer ficar
se um não te quer bem
um milhão quer te amar.
Soneto de Quando Morri
As quatro paredes deste quarto triste
Me sufoca de pavor e pena
Ao reviver a imortal e triste cena
Do morrer de alguém que ainda existe.
Eu, fora de mim, sou quem assiste
O pouco de vida que me envenena
Angústia e carga numa vida pequena
Beber o veneno e de viver desiste.
Vejo-lhe os olhos calar o peito
Urros e gemidos finda o efeito
E a dor é arrancada do íntimo fundo.
Trancou o livro da pouca sorte
Se despede da vida e abraça a morte
Encontrando a paz no desejo profundo
Metades - texto 3
E assim acordei tão sozinho
Feito bêbado caído na sarjeta
Uma réstia entrando na gaveta
Pássaro aluindo o seu ninho
Um pacote deixado no caminho
Encharcado de sereno e madrugada
Um capim nascido na estrada
Onde vida jamais passou por ela
O solo da cuíca na Portela
Uma porta trancando a entrada
O muro, cegueira arbitrada
Um olhar solitário na janela.
Nordestino é povo forte
do suor pingar na cara
que não foge do trabalho
que a dificuldade encara
que vai do Sul a Sudeste
sem a força do nordeste
o Brasil inteiro para.
O nordeste é da gente
nossa terra prometida
um povo que fala oxente
acostumado a despedida
entre a seca e a enchente
sempre nasce uma semente
que floresce em nossa vida!
No sertão se abranda
o vento que se propaga
a natureza é a varanda
de onde escuto Gonzaga
a água São Pedro manda
e a luz Deus é quem paga!
A seca me trouxe o pranto
mas eu disse não aceito
não arredo do meu canto
minha terra é meu direito
o Nordeste é um encanto
e aqui dentro o amor é tanto
que mal cabe no meu peito.
Eu gosto da presença
que não é por conveniência
Gosto da essência
Do abraço com cheiro de lar
Do elogio sincero repleto de afeto
Do coração que enxerga além
Eu gosto das palavras ditas
Quase despercebidas
Embevecidas nas entrelinhas
Gosto do toque na alma, do meu jeito de Flor
Gosto de todos os espinhos que trago comigo
Eu gosto da pegada exata
Do cheiro viril, do amor juvenil
Da maturidade, da resiliência
Da liberdade de ser quem eu sou!!!
julho 2022
