Versos de Natureza
Quando o sol desaparece!
Quando o sol desaparece
A lua resplandece
As nuvens escurecem
As estrelas enaltecem
Quando o sol desaparece
Os oceanos se enfurecem
As ondas se estremecem
Os peixes se divertem
Quando o sol desaparece
As plantas enriquecem
As flores florescem
Os animais adormecem
Quando o sol desaparece
As pessoas se divertem
As ruas embelecem
O amor reaparece
Sem entender, tento definir esse sentimento e simplesmente não veem palavras que define essa sensação.
Nesse momento não consigo explicar o que a mente tenta passar, a minha boca não transmite o que eu quero dizer. Quero gritar, correr, sentir o vento no meu rosto a chuva no meu corpo, quero sentir o sol me esquentando e que tudo possa preencher esse vazio em mim. Hoje estou assim, sem definir o que é importante para mim.
Nada supre o que os meus olhos querem ver, e o meu corpo não sente o que o meu coração quer mostrar. Mas, somente hoje permito-me ficar assim.
Quando um homem beija seu filho, dizia Epicteto, deve sussurrar para si mesmo: ‘tu morrerás amanhã talvez’. Mas, estas são palavras de mau presságio.
— Nenhuma palavra é uma palavra de mau presságio que expresse qualquer obra da natureza.
SERINGUEIRA
Ao caminhar pelo parque
Exercitando à minha maneira
Observo, atentamente,
Uma antiga seringueira
Como pode a natureza
Ofertar tanta beleza?
Quanta sombra e formosura
Em uma só criatura!
E apesar de tão perfeita
Não se dá por satisfeita
Ainda fornece a borracha
Como a me assegurar:
“Conheço os teus receios,
E os irei apagar”
Ao despedir-me da sábia árvore
Sigo feliz, mais confortado
Ela sabe dos meus medos...
Quiçá já os tenha deletado.
Porta do céu
Aquela nuvem - a mais bela,
Retocada com pincel!
Não seria, talvez, ela,
A porta que dá pro céu?
Como uma célula louca, que se volta contra o próprio corpo, se tornando um câncer,
Assim é o homem que agride a natureza, sem dar-se conta que ele está contido nela.
Quartzo humano
É como um mar
capaz de vitimar
mesmo sem saber nadar
eu vou-me aventurar
Entre sobreviver e viver
hei-de arriscar
com determinação e vitalidade
irei triunfar
Não descansarei
não repousarei
não adiarei
E te encontrarei
E finalmente te encontrar
Será esplêndido
poder novamente respirar.
Óh meu Quartzo Citrino
Instantaneamente tatuei-te
apelei-te, amei-te e procurei-te.
Beber-te com meus olhos mansamente
Embarquei em tua mente
como alguém que escondesse.
Óh sentimento sem idade
O fruto é a glória da árvore que o concebeu.
Há qualidades diversas de frutos. Cada qual cumprindo o seu papel segundo a sua natureza.
Assim somos nós, gerados para a glória daquele que nos formou. Cada um de nós, semelhantes, no entanto, únicos, com nossas peculiaridades, aptidões e dons dos mais variados. Todos criados para um único propósito, glorificar o Senhor de tudo!
O fruto jamais buscaria a glória para si mesmo, pois sabe de onde vem a sua força, sabe muito bem o seu propósito.
Nós, por outro lado, usamos o que nos foi atribuído para buscar a glória uns dos outros, exaltar alguns em detrimento de outros e por vezes se quer reconhecendo de quem viemos e para quem existimos.
Absolutamente tudo o que foi criado segue cumprindo o seu propósito,
exceto o homem.
Prezo as coisas simples da vida.
O que me encanta?
A perfeição do nascer do sol
que vem lindo como um farol.
A luminosidade da lua.
O canto dos passarinhos
alguns fazendo seus ninhos.
A exuberância da flor
que chama o beija flor.
E as borboletas num toque a bailar
sobrevoando no ar.
Fico fascinada a observar.
Como é lindo as obras do Criador
que fez tudo com amor.
Liddy Viana ✍🌻
Trânsito No Céu
No céu também tem caos.
Dia desses, observei cerca de 25 passarinhos
disputando árvores e territórios privilegiados.
25.
Será que sempre é assim ou se só aquele dia
que eu consegui enxergar os passarinhos?
Ainda assim, eles resolvem seus problemas cantando.
Também notei;
Que não é impossível
Uma forte flor
Estufar o concreto
E nascer amarela
Mesmo debaixo de todos os paralelepípedos.
Será que aquele foi o único dia que de fato olhei
para a natureza que invadia meu caminho?
E a flor vencendo as mais, literalmente concretas, adversidades.
Não tarde percebi que quem invadia o caminho da natureza era eu.
Como pode um ser tão grandioso,
prezar por vermes como nós?
Como poderia sentir compaixão
até mesmo por quem o nega?
Como poderia, por seu amor,
enviar o seu unigênito;
Para estar sujeito a tanto sofrimento
e deixar o seu reino de glória;
apenas para nos dar o direito
de um dia entrarmos com ele e ter vitória?
Terra seca de grande beleza
Onde os animais ali se despejam
Onde o fogo os consome
Onde muitos passam fome
Más o tal do homem
Continua a sassear sua fome
Sem saber que o futuro vai ser duro
Como a pedra que usou para construir seus muros
A leve consciência do ser que não pensa
Os levará a sua própria inexistência.
Contemplando o divino
Contemplando o que o olhar alcança, mergulho nos mistérios da criação divina, criteriosa, perfeita e indecifrável, onde em seus contornos o amor e a paz se faz morada permanente.
Soraya Rodrigues de Aragao
Soneto bandoleiro.
Muito se tem dito,
pouco se tem feito,
e o tido como perfeito,
é, desastrosamente, desfeito.
Muito se tem falado,
pouco se tem agido,
e o que era tido como certo,
hoje se esgueira; na sombra escondido.
Seria da natureza do homem,
tamanha afronta que nem se dá conta
de seus semelhantes esfomeados que somem.
Os infortunados banidos, bandidos,
como se fossem bandoleiros,
porque acabou o dinheiro?
A CONCLUSÃO DE TODAS AS CONCLUSÕES!
O que tem feito até então?
Sintonizar-se ao Artificial e Praticar Inconscientemente os três Odiar:
Odiar-se, Odiar o Próximo, Odiar o Planeta Terra!
O que te falta fazer?
Sintonizar-se a Natureza e Praticar Conscientemente os três Amar:
Amar-se, Amar o Próximo, Amar o Planeta Terra!
Contemplação
O vento ventando,
assoviando,
minuano.
O mar molhando,
ondeando,
quebrando à beira-mar.
O sol brilhando,
aquecendo a rua,
queimando a pele nua.
A lua crescendo,
minguando,
prateando o luar.
As estrelas estrelando,
dançando,
desfilando no ar.
A noite caindo,
noitando,
escurecendo,
sonhando,
dormindo,
fugindo,
esvaziando
o medo
do ninar
e até o de
acordar.
Gosto de olhar as estrelas
O brilho da lua cheia
Amo a risada sincera
Flores amarelas
Pisar na areia
Das coisas que são inteiras
Amo o pôr do sol
Assim como o girassol
Observar as nuvens
Em minhas viagens
Amo a natureza
Em toda sua lindeza
Da conversa jogada fora
Em um banco de praça
De quem consegue me levar embora
De quem me embaraça
Gosto do amor verdadeiro
Da sinceridade sem devaneio
Do abraço apertado
De quem tô acostumado
A Justiça, por ser fruto da ética e da moral humana, é sempre falha.
Por óbvio, não se pode esperar algo perfeito concebido por seres imperfeitos numa sociedade imperfeita.
A Justiça como valor máximo só pode existir numa sociedade ideal, de fato igualitária e fraterna, quando então o conceito de Direito se tornaria nulo e sem sentido, uma vez que as coisas seriam justas por sua própria natureza.
Não vivendo numa sociedade ideal, naturalmente igualitária e fraterna, a Justiça nasce corrompida, suja do sangue e das viscosidades humanas, maculada por sua corrupção e egoísmo, fazendo com que o Direito se torne mero instrumento de dominação e manutenção dos interesses de determinadas elites.
Há muito tempo,
habitou em nosso planeta um animal pavoroso.
Era um animal insano,
que todos os dias devorava um pouco de seu próprio corpo.
Um pedaço da perna,
o lombo das costas,
um rim, uma costela, um pulmão,
cada um de seus órgãos e vísceras.
Devorava-se por vezes com muito deleite,
outras vezes devorava-se com tanta fúria
que causava medo.
Era como se odiasse a si próprio,
mas em sua mente insana, irracional,
ele devorava-se para sobreviver.
Esse animal terminou por extinguir a sua espécie
por acreditar que ele era dissociado da Natureza,
mas não era.
Ele era um com a Natureza e não sabia.
