Versos de Solidão
Quero morar em uma garrafa
jogada ao mar
vagar por aí
levada pelas ondas
sem saber em que praia irei parar.
Amores passageiros
Amores que sonhamos, desejamos e pedimos a lua.
O encanto do tornar-se real inunda o coração, mas, ao mesmo tempo, confunde,
De modo que, a janela dos sonhos se fecha dando espaço a um grande nó na garganta que se une as lágrimas...
Sobressai o embriagar do querer sentir o toque, o cheiro, o afago, em meio ao vento frio e vazio da escolha de quem decidiu pegar o próximo ônibus e ir em direção oposta a sua.
Não era pra ser, a sua mente ressoa. Agora é a hora de levantar a cabeça e seguir, pois há novos sonhos, e ainda há de existir amores reais.
O silêncio é sempre a melhor opção.
Seja ele de escárnio, de desprezo ou até mesmo do mais profundo amor.
Começamos a morrer quando já poucos sentem a nossa falta, porque os que nos amavam já partiram, levando com eles um pedaço de nós.
Começamos a morrer quando nos olhamos no espelho e já não nos reconhecemos mais, mas sobretudo quando deixamos de nos sentir amados, quando se riem dos nossos sonhos mais básicos, inclusive banais, e tudo à nossa volta se torna imenso, vazio, denso e insignificante.
Abrindo Caminho
O estrada tem uma pedra
E um pouco de espinho
Um esforço que se arreda
Abriras o caminho
Não tem humidade no chão!
A solidão é obscura!
Tristeza que não tem cura?
E a rosa do sertão?
Como fugir do tormenta
Sem nenhuma ferramenta
Enxergar uma tramela
Sente-se e reze uma prece
A escuridão desaparece
Sem que haja vela.
Ademir Missias fev/21
Tenho medo do abandono,
da sombra fria que se avizinha,
do vazio que preenche as lacunas
onde antes habitava o afeto.
Tenho medo do silêncio que ecoa,
nas paredes do peito, tão só,
onde outrora as vozes dançavam,
agora apenas o eco de um nó.
Tenho medo de ser esquecido,
como um livro fechado na estante,
as páginas amarelas de histórias,
que ninguém mais se lembra ou sente.
Mas também tenho a esperança,
de que no fundo desse temor,
encontro forças para aceitar,
que o abandono não apaga o amor.
E assim, entre o medo e a coragem,
vou costurando as feridas do ser,
pois mesmo que o medo me assombre,
aprendo a viver, a crescer.
Ainda não encontrei o lado doce da vida.
Ainda não senti o açúcar melado.
Açúcar pelo qual faria meu paladar.
Sinto o gosto forte do amargo.
O sol nasce cinza
E se põe preto.
Não ouço a benevolência do meu pensamento,
Ouço o fúnebre alarde, um horrível barulho.
Sozinha no escuro,
Sem amparo nem ventura,
Aqui no meu quarto passando apuro,
Deitada na cama tornando-me perjura.
Tempo perdido que não volta mais.
Aqui sozinha no meu quarto e ninguém mais.
O clima lá fora está frio.
Névoas a esvoaçar, mas não me importo com a neblina já que é assim a me agradar.
Apesar da algidez do dia ouço cachorro latindo, crianças gracejando, gangorra da praça a ranger.
E eu aqui pensando o que poderia ser melhor sem meu aparecer.
Ele é breu
Faltou o doce do mel, faltou o azul do céu.
A nascente sem água, uma floresta sem mata.
Um céu sem estrelas, uma noite fria sem fogueira.
A vida é cinza do seu lado do horizonte, não existe cores, amores ou mais nada que o encante.
Ele é breu, não chama nada de seu, caminha na solidão, não quer nada no coração.
Calma, respira...
Vamos lá velho coração, hora de acorda
Você era tão vermelho e lindo...
Por que está cinza?
Igual as tv dos anos 90, preta com branca e falhas
Não iríamos mudar o mundo?
E sempre ser diferente?
Por fim, no mundo a vários corações,
eu aqui sofrendo por uma,
Lá vamos nós deitado no velho colchão,
Vendo o brilho da lua refletindo na janela,
Tentando entender o,
por que tantos arrependimento,
Sou apenas um cara tentando ser diferente,
não mereço,
O vazio anda me consumindo,
sinto que irei ter um colapso com a ansiedade,
Calma, respira...
Foram apenas dias ruim,
O meu velho cachorro está deitado na sala,
E eu aqui precisando de um velho abraço,
Nessa madrugada fria.
Há momentos que nem eu mesmo
me compreendendo,
vezes, estou imerso na minha solitude,
outras, envolvido pela minha solidão,
meu coração é como um vidro
transparente
onde uma luz de entusiasmo transcende
acendendo o meu semblante,
mas, às vezes, é semelhante
a um espelho embaçado
com um reflexo desgastante
de um desânimo inexplicável.
Grande é a minha complexidade,
uma mente inquietante,
encontro alívio na simplicidade
em meio às adversidades,
um socorro divino
que desperta a minha felicidade.
Certas pessoas são raras por terem a capacidade de fazer os nossos olhos brilharem de uma maneira muito singular com uma genuína felicidade, pra quem damos os nossos sorrisos mais sinceros, que conseguem nos animar com simples gestos, principalmente, naqueles momentos que achamos que não iremos suportar, assim, é salutar mantê-las por perto.
Não se trata apenas de uma presença física, até porquê nem sempre é possível, também precisamos do nosso espaço, temos nossos compromissos, entretanto, não devemos esquecer de tratá-las com um zelo expressivo constantemente, apesar de alguns empecilhos.
Este lembrete em versos também serve para mim que muitas vezes transito entre a solitude e a solidão então, precisamos mudar e melhorar algumas atitudes para que o nosso existir não venham a ser em vão.
Ele, às vezes, sente-se S ozinho,
mas com um O lhar atento
pra ser mais uma L uz
no seu próprio caminho,
I ntensos são os seus sentimentos
e tenta D ivergir do vazio
tratando-se com A mor e esmero
buscando um agir O portuno e sadio.
É muito notório que existe um amor imensurável e imprescindível entre vidas que se amam verdadeiramente, onde a tristeza não encontra morada, os abraços são abrigos, a solidão fica ausente, um sorriso de uma faz a da outra acender e as suas lágrimas são secadas gentilmente.
Obviamente, as instabilidades também ocorrem nesta união, alguns pensamentos são diferentes, às vezes, depende da ocasião, isso faz parte, entretanto, esta imperfeição não tem força suficiente para tirar a reciprocidade consistente que cada uma traz no coração.
As belas notas de uma mesma canção, peças importantes de um grande quebra cabeça do verbo amar, ambas tem a sua contribuição, as suas próprias qualidades para acrescentar, juntas focando numa mútua exultação profundamente singular.
Hoje acordei em lágrimas!
Antes que os pássaros não despertem
Que as flores não desabroche
Nem o sol brilhe !
Hoje despertei de um sonho!
Dos prazeres da sua presença
Da alegria em seu sorriso
Do brilho em seus olhos !
Hoje acordei cedo !
Para viver o que não quero
Degustar a comida sem gosto
E ser quem não sou !
Hoje acordei solteiro !
Sozinho sem amor
Sem carinho
Sem sonhos !
Hoje acordei....
E quem me dera estar dormindo
Me alimentando de seus beijos
Sentindo o afago do seu abraço!
Quando se consegue alcançar
uma forte conexão com a solitude,
tudo à volta começa a mudar,
o que outrora era apenas uma vida solitária,
agora passa a ser mais acolhedora
com uma convivência necessária.
Em breve, a solidão ficará desconfortável
e já não será mais presente com tanta frequência,
então, o tempo será melhor aproveitado
sem a sua notória inconveniência.
O viver é muito precioso e temporário,
sendo assim, deve ser contínuo
e intenso, não desperdiçado,
sim de fato usufruído, seja só
ou acompanhado.
Em certa noite tranquila, daquelas que se guarda felizmente na memória, estive na praia na companhia da solidão até que as águas do mar tocaram os pés e uma sensação confortante foi tomando conta como se um amor divino tivesse tocado a minha alma.
Pouco tempo depois, a solidão incomodada, despediu-se e a solitude decidiu ficar abrigada ao meu lado, foi um momento de equilíbrio bastante memorável por ter sido naquela noite, tudo que eu precisava, um bem permanente mesmo vindo de um instante temporário.
Quando a simplicidade deixa marcas na mente, estas serão transformadas em portas que poderão ser abertas usando a chave da lembrança sempre a esperança estiver pouco presente, graças a Deus, isso faz parte da força de um ser resiliente.
Humanamente falando, pra mim, é muito preferível estar sozinho do que estar acompanhado daqueles ficam ao seu lado forçadamente, expressando sentimentos falsos ou um tratamento indiferente, assim, presenças que se tornam dispensáveis na sua vida por não trazerem nada de conveniente.
Não significa necessariamente que devemos abraçar a solidão e sim que precisamos fazer uma seleção de quem queremos por perto, lembrar que não precisamos mendigar atenção, pois um laço que não é verdadeiro, não é recíproco, então, é fraco, um lugar onde não se é querido, mas, no máximo, aturado.
Também estamos sujeitos a fazer a nossa parte, somos falhos, cometemos erros, mas aqueles que amam a nossa presença de verdade, conseguem enxergar, em meio aos defeitos, as nossas qualidades e claro que não existem relações perfeitas, porém, é imprescindível uma mutualidade de vontades.
