Versos de Solidão
Flagelo
Nascer sozinha no túmulo de uma rua fria.
sem colo, sem beijo, sem leite;
flácida, pálida e enrugada;
grata por ter um chão a quem lamber.
Sem pássaro no ar,
sem cão na terra,
nem ventre para voltar.
Nascer sozinha no fim da vida não dói, apenas cansa.
T
Como são delicadas
as chuvas de outono
e embora se faça
um grande mormaço
o sol já não está
mais tão ofuscante...
no vai e vem das ondas
o aroma de jasmim azuis
fazem meu pensamento viajar
para outras paragens
outras, planícies...
o mar sereno e calmo
molhando a solidão
desta minha tarde de domingo.
Um
distante
silêncio
me
persegue...
estou cansada de fugir.
No mar, calmo a passar
Apenas ele a me tranquilizar
Mas tão profundo, e lá eu estava
não pude reter, confiei até demais aponto de meus olhos vendar.
Por um tempo estive com eles, mas com rancor tiraram-me
A solidão me cercou tendo apenas ele aquele amigo fiel
Grande foi minha dificuldade, mas compreendi o meu lugar não era realmente alí
Apenas naquele lugar, o meu fracasso era conversa em primeiro lugar.
Muito pequeno, por muito tempo me senti
Como um grupo flores, e eu, uma flor a nunca se desabrochar
Estrela sem brilhar, era minha luz se apagar.
Uma criança dentro de mim a gritar uma parte em que a dor estava sempre piorar.
Era algo besta, mas percebi, estava acabando dentro de mim.
E só descobri quando o problema não havia solução para mim.
Eu amo você, mas sinto muito por isso.
Eu amo você, e reconheço que não sou perfeita.
Eu amo você, e sei que fui uma idiota.
Eu amo você, mas esperei demais.
Eu amo você, e me desculpe por isso.
Eu amo você, mesmo dissimulando meus sentimentos.
Eu amo você, mesmo que você não tenha gostado disso.
Eu amo você, mesmo na solidão.
Eu amo você, mas acredito que não é mais sobre isso.
Eu amo você, embora não tão frequentemente como antes.
Eu amo você, mas agora vou tentar afogar esse sentimento.
Já não posso mais amar você, pois arrisquei demais.
Por mais louca que eu pareça, eu te amei primeiro.
Eu amo você, mas é um hábito difícil de abandonar.
Mesmo observando o desastre, isso ainda parece o começo.
Eu amo você, e me sinto errada mais uma vez.
Cifras
O grito veio do fundo mudo
e ecoou oco, aos poucos.
Não era um grito de susto,
não era um grito de raiva,
tampouco era um grito de empolgação ou de alegria.
Era, sim, um grito ressentido;
era, sim, um grito gritado para que todas as lágrimas fossem choradas.
O mais belo de todos os gritos,
feito de um fôlego só,
de uma só dor,
Ade uma dor só,
Flagelo
Nascer sozinha no túmulo de uma rua fria,
Sem abrigo, sem paredes,
sem cama, sem colo, sem amor.
Grata por ter um chão a que lamber?
Nascer sozinha no túmulo de uma rua fria,
sem pássaro no ar,
sem cão na terra, nem ventre para voltar.
Nascer sozinha no fim da vida não dói,
apenas cansa.
Todos estão vivendo o hoje, enquanto eu ainda vivo no passado.
Esquecida fui.
Não faz mal.
Só vão lembrar de mim quando eu não estiver mais aqui.
Eu tentei te dar o melhor de mim e você não correspondeu então eu decidi ir embora pela porta dos fundos com o corpo e alma ferido…
Saiba que eu queria ter ficado.
202410300949
Por um momento só.
A sós e só; tinta, papel e o pó.
O pó nas falanges, fóssil de um bicho outrora voraz.
Pó, do tempo a moer-se pelos ventos de si mesmo, este que não existe
é alucinação.
Tempo que marca, a marca, daqui até aonde?
De lá até outra hora.
Horas que se vão com os dias que não voltam e noites que somem ao clarear da aurora outrora esperada com ânsia e agora esquecida com a noite entre as noites e dias e o tempo que marca e não existe e engole a tudo e a todos tornando-nos nada,
alucinação.
Como tal.
Qualqueira que seja é pura vontade, desejo, fantasia, que surge e se esvai
como águas em um só oceano de esquecimento de gotas irrelevantes.
30\10\2024
Como a noite é longa!
Só, as noites sem ti.
Senta-te, amor, perto
Do leito onde esperto.
Vem pr'ao pé de mim...
A saudade me consome,
Em cada pulsar do coração.
Aqui ao pé da cama
Teu nome ecoa, chama,
Ansiando por tua mão.
És a minha estrela,
A luz que me guia.
Como estou presente!
Sussurra-me ao ouvido
E a distância se afilia.
Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me sonhar,
Sonhar a sorrir
E seja isto o fim
Desta noite sem ti.
**Sem Carinho e Sem Amor**
Estou sozinho, perdido na dor,
Sem teu carinho, sem teu calor,
As noites são longas, sem teu olhar,
Meu coração vaga, sem um lugar.
Os dias se arrastam, frios e vazios,
Sem teu abraço, sem os nossos sorrisos,
Cada lembrança é uma ferida aberta,
Sem teu amor, a vida é deserta.
O vento murmura teu nome ao passar,
Mas é só silêncio que vem me abraçar,
Sem teu afago, meu mundo desfez,
Tudo é saudade, desde que te perdi de vez.
Estou sozinho, sem rumo e sem cor,
Minha alma chora, implora por amor,
Mas em teus braços não posso mais estar,
Sou só um náufrago neste vasto mar.
**Eternidade Esquecida**
Quando a eternidade passar, meu bem,
E o tempo deixar de ter fim ou além,
Talvez eu esqueça teu rosto, teu riso,
E o gosto doce que um dia foi abrigo.
Quando os dias já não forem contados,
E os segundos não mais marcados,
Eu prometo, juro, vou te esquecer,
Como um sonho que ao despertar se desfaz no amanhecer.
Mas enquanto o tempo ainda persistir,
E as estrelas continuarem a luzir,
Tua lembrança viverá em mim,
Como um eco que nunca terá fim.
Quando a eternidade, enfim, passar,
E eu, cansado, deixar de lembrar,
Será o dia em que o amor se calou,
E o coração que te amou, enfim, descansou.
**Coração Gelado**
Coração gelado, em dor alimentado,
Caminha só, pelo mundo, calado,
Já não conhece o calor do afeto,
Nem o doce abrigo de um abraço completo.
Cada batida é um lamento profundo,
Que ecoa nas sombras de um vazio imundo,
Alma partida, que o tempo devorou,
Em pedaços de saudade que nunca voltou.
A dor é o alimento que o mantém de pé,
Em um labirinto escuro, sem rumo e fé,
O amor já foi embora, levou sua cor,
Deixando um coração, frio e sem amor.
Mas mesmo no gelo, uma chama escondida,
Tenta reacender a esperança perdida,
Pois um coração, mesmo em dor embalado,
Ainda pode renascer, mesmo que congelado.
**Lágrimas e o Cheiro de uma Flor**
Lágrimas caem, silenciosas e lentas,
Enquanto o perfume da flor me sustenta,
No jardim da saudade, eu me perco e encontro,
Entre a dor e o aroma, meu coração confronta.
Cada lágrima é uma pétala caída,
Que se mistura à terra, à vida esquecida,
O cheiro da flor, suave e sutil,
É um consolo breve, um toque gentil.
Choro por amores que o tempo levou,
Mas o perfume da flor é o que restou,
Uma memória doce de um beijo tardio,
Que vive no ar, mas já partiu.
Lágrimas e flores, um contraste divino,
Entre o fim da tristeza e o começo do destino,
Pois mesmo na dor, há beleza e cor,
Quando as lágrimas encontram o cheiro de uma flor.
**Rio de Lágrimas**
Há um rio que jorra, sem cessar,
Lágrimas de dor, a transbordar,
Suas águas são tristes, são frias, são sal,
Um pranto sem fim, um lamento mortal.
Nasce de um coração partido e ferido,
De amores perdidos, de sonhos esquecidos,
Corre por vales de solidão e saudade,
Levando embora toda a felicidade.
Seu leito é marcado por dor e tristeza,
Um rio sombrio que não tem pureza,
Deságua no mar da eterna agonia,
Onde o sol se oculta e se apaga o dia.
E assim ele segue, esse rio em tormento,
Carregando memórias, levando o lamento,
Pois quando a alma não suporta mais a dor,
Ela cria um rio que só chora o amor.
**Palavras e Lágrimas de um Coração Esquecido**
Palavras que um dia foram promessas,
Hoje são ecos que a dor confessa,
Em um coração que o tempo deixou,
No esquecimento onde o amor se perdeu.
As lágrimas caem, silenciosas, constantes,
Cada gota é um grito, um suspiro distante,
Pois um coração esquecido ainda bate,
Mesmo cercado por sombras que abate.
Escrevo palavras que ninguém vai ler,
São versos perdidos no entardecer,
Tentando curar o que já foi ferido,
Um coração que o mundo esqueceu, desiludido.
Mas mesmo esquecido, ele insiste em chorar,
Em busca de alguém que o possa escutar,
Pois palavras e lágrimas são tudo o que resta,
De um coração que amou, mas não encontrou resposta.
Nos corredores da escola, meu olhar te segue,
Como uma sombra tímida que ao longe se esconde.
Teu sorriso é sol, minha alma se apega,
Mas o medo me cala, e o silêncio responde.
Te vejo na fila, no intervalo, na quadra,
E meu coração bate acelerado,
Mas quando tento falar, as palavras se perdem,
Como um eco distante, num espaço calado.
Penso que você talvez nunca perceba,
Que meu mundo gira ao som do teu nome.
Na verdade, me assusta imaginar,
Que em teu olhar, eu não seja mais que um homem comum.
Será que existe um lugar no teu pensamento,
Onde eu possa habitar, nem que seja por um instante?
Ou será que sou só um reflexo, um pensamento,
Que jamais tocará teu coração distante?
E então, fico aqui, guardando o segredo,
Dessa paixão que cresce em meu peito,
Mas que nunca sai, nunca se revela,
Porque tenho medo que meu amor seja só um defeito.
A música permite a mais fina harmonia,
Entre o momento, a mente, o sentimento e o coração...
Ouvir uma interessante canção e sua melodia,
Nos transporta, alegra, conforta ou nos tira da solidão...
