Versos de Silêncio
O SILÊNCIO DA DOR
À luz do direito penal, há atitudes regulares contra a dignidade da pessoa humana que são tipificadas como crimes. Todavia, se não houver denúncias bem fundamentadas, principalmente, por parte da vítima, elas serão tratadas como algo banal. Quem é vítima de certas injustiças, às vezes, carrega o peso da dor pelo resto da vida. A discriminação, por exemplo, é um crime hediondo. Por outro lado, os criminosos não se curam, mas têm um medo terrível da punição.
O Silêncio do Papa -
Que momento tão doce
Que instante profundo
Que alegria nos trouxe
Aquele +Homem do Mundo.
Tanta gente perdida
Que na vida sofreu
Tanta esperança caída
Que da vida se perdeu.
Tantos olhos sem miragem
Tanto grito magoado
Que ao ver aquela Imagem,
Ali, ficou abandonado.
Emudeceu a garganta
Foi Presente o Passado
Frente à Virgem Santa
O Mundo ficou parado.
E aos Pés de Maria
Onde nada é Novo
Um gesto de Amor
Um +Papa do Povo.
Sina -
Na minha boca há um grito
que é feito do teu silêncio
nem sei amor o que sinto
se a noite vem em segredo
como uma onda que agito.
Nas asas brancas do vento
não há vida nem morte
que o nosso amor não tem tempo
pois sinto que a nossa sorte
é filha do sofrimento.
E como uma rota traçada
tracei a sina na mão
esperei tanta madrugada
vesti tanta solidão
de ti não tive mais nada.
Do teu silêncio -
Na verdade o teu silêncio 'inda me acusa
como a orla da manhã de Nevoeiro ...
Tudo em ti parece um grito de recusa,
nada do que trago, em mim, parece inteiro!
E o que há em nós de tão diferente do que foi?!
Diz-me p'ra que se acabe para sempre o meu penar ...
O porquê de já não sentires quanto me dói
o abandono a que votaste o meu olhar?!
Tudo agora é silencio, angustia e solidão!
Nada mais do que esperança de te ver junto a mim,
tão longe, como tu, do meu pobre coração!
O que está perto é não saber quando te vejo!
Não saber se o teu afastamento é um fim
ou se torno a sentir na minha boca o teu beijo.
Na vida sou o silêncio para aqueles que me julgam.
O amor para os que me dão amor.
A indiferença para os que me criticam.
Na vida procuro ser o melhor de mim, mas posso ser o seu reflexo.
20-01-23
Silêncio e barulho
No calor desse silêncio
Viaja meus sentimentos
A temperatura é surreal
Quero você meu bem meu mau.
Silêncio me devora por dentro
Quero ser seu total alimento
Vem depressa me amar
Quero nos teus braços ficar.
Chega e faça muito barulho
Bagunce tudo por aqui
Pois teu falar é pura melodia
Vamos dançar nessa magia.
Quero teus beijos teus abraços
Quero o barulho do nosso amor
Devorando esse triste silêncio
Hoje é você e eu meu amor.
Meire Perola Santos©
Sou Eu -
Há um muro de silêncio entre nós,
é a hora em que a terra já não gira,
tu e eu, dois corações tão sós,
corpo de promessa, olhos de mentira.
Sou eu, esta voz de quem te ama,
no olhar, na solidão, perdida,
sou eu, sou aquele que te chama,
neste corpo que arrefece, sem vida.
És tu, o meu grito de revolta,
a minha esperança no amor, tão longe,
meu barco sem destino, sem rota,
pelo mar, sem fim, onde se esconde?!
E oiço na noite a voz do impossível,
e avanço devagar na luz que dorme,
sou eu, num suspiro inesquecível,
és tu, um terror que me consome.
Saudade de nós -
Chegaste tarde meu amor
E no silêncio desta dor
Nem sei bem o que senti;
Uma saudade de nós
Ou talvez por estarmos sós
Uma saudade de ti.
As andorinhas não vieram
E as pessoas não disseram
Se voltavas p'ra mim ou não;
Grito e ninguém me responde
Oiço-te mas não sei d'onde
Nos confins da solidão.
Passo a passo sem Carinho
Acendo velas no caminho
Virando os olhos p'ra Deus;
Porque não há maior tristeza
Do que trazer a Alma presa
Ao Silêncio de um adeus.
Eu nem sei onde me perdi
Que tudo me fala de ti
Entre a terra e os Céus;
Mas podes sempre voltar
Porque eu vou por ti esperar
Jamais te direi adeus.
Leme -
Na rua do meu silêncio
há um grito de saudade
é como o Céu tão cinzento
nos dias da tempestade.
Quando sopra qualquer vento
na minh'Alma há muita dor
pois na raiz do pensamento
sempre baila o nosso amor.
E no cais de qualquer porto
há sempre alguém que se demora
bailam saudades no meu corpo
como as dores de quem chora.
Alguém chora e não agarra
este meu sentir tão louco
sou como um barco sem amarra
que se afasta pouco a pouco.
Um Piano na Sala -
Na solidão dos dias cansados,
num apanágio de silêncio,
há um Piano na Sala ...
O barulho das gentes
vai e vem e volta sem sentido!
Nos rostos cansados, severos,
que a parede proclama,
suspendem-se os gestos
de quem está.
No ar ... o Piano ... a musica ...
... a voz suspensa, calada,
dos estáticos homens
e a voz dos que vivem, sentem
e falam ... tudo no espaço
em torno do Piano!
Há Poesia no ar ...
E a musica ... sempre a musica
... união entre mundos!
Me ame pelo que você vê com os olhos fechados ou o que você sente quando descansar
em silêncio...
se você está comigo,
eu vou te ensinar a voar e
você ensine-me
a ficar.
Aos gratos, minha gratidão.
Aos inatos, minha aptidão.
Aos tantos momentos, um silêncio.
Nesse barulho sem som,
Deitada em meu quarto
Prego minha oração.
Desse silêncio em felicidade eu me faço
Desse silêncio eu agradeço.
Desse silêncio eu padeço
Porque é desse silêncio que crio
Invisíveis, porém necessários, laços.
DETALHES
Como é cruel a solidão na sensação atada
Como é penoso o silêncio arfando no peito
Com a poética em uma melodia desafinada
Torturando a ilusão perdida e sem proveito
Ter o vazio de uma flor, um gesto indeciso
Um olhar triste, no coração fúnebre círios
Que aquecem a dor e queimam o sorriso
Sem nada, absorto em sofrentes martírios
E eu, cá, no cerrado, de infeliz memória
Sem estória, numa redundante oratória
Suspiros, sussurros, nos mesmos ideais:
Buscando por um alívio dum solitário ser
Querendo o alguém sem ter que perder...
Pois, amar é sempre um sentido a mais!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26 janeiro, 2023, 20’09” – Araguari, MG
Sinto falta do silêncio...sinto falta de conseguir me escutar! Tem horas que sinto vontade de me fechar dentro de mim mesma pra tentar ouvir o que a minha alma tem pra me dizer...
Ando farta de palavras desnecessárias, barulho demais me confunde, me desconecta e me deixa aborrecida...quando, o que eu mais preciso, é ouvir o silêncio e nele tentar decifrar a mim mesma.
Silêncio no rádio
Estão escrevendo mais um poema de amor.
Perdão! Silêncio no rádio
Estão escrevendo mais um poema de dor.
É um poema tão quente
Que as vezes me faz muito calor
Ou um poema tão doloroso
Que as vezes causa muita dor
Silêncio no rádio
Não quero ser seu resplendor
Silêncio no rádio não quero mais essa dor
Silêncio no rádio
Perdão se meu tema é amor!
O sinônimo de silêncio é a contemplação. E, muitas vezes, o excedente de estímulos (os barulhos do dia a dia) nos impede de realizar essa conexão. Para silenciar, no entanto, não basta apenas a ausência de barulho, mas afastar também os pensamentos ruidosos.
Todo processo de cura passa pelo silêncio.
Muito embora, em alguns casos, desabafar com as pessoas certas seja fundamental, um período de silêncio é necessário tempos depois. É que não ter necessidade de dizer nada, de provar nada, de contradizer ninguém, é fundamental para o processo de aprendizagem.
A evolução, de fato, só acontece quando temos a certeza do nosso caminho, ao ponto de não ter que se desculpar ou explicar porque escolhemos neste tempo e desse jeito.
RESSURGIR
Desmesuradamente o silêncio no verso doía
Sobre uma saudade que no peito era poente
A angústia que ao sentir não mais consumia
Rompendo e assaltando a quietude da mente
E, cá no cerrado a tarde melancólica anoitecia
E um soluço seco no vazio se fazia de repente
Escorrendo pela poesia com uma tal vertente
Emoção... e sobrepondo a noite a luz do dia
Assim, sem medida, a poética se pôs tirania
Fazendo da prosa tortura no seu conteúdo
Tentando não dizer o que fatalmente dizia
Então, o meu sentimento vagou pelo infinito
E a sensação em um rugir, num rugir mudo
Impelindo tudo, em um grito aflito, aflito grito!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01 fevereiro, 2023, 21’00” – Araguari, MG
Em uma guerra de disse e me disse, recuar e ficar em silêncio não é sinal de derrota, muito menos de omissão! É sim uma estratégia que nos guarda de também pronunciar palavras e atingir ou ferir as pessoas que amamos.
(DVS)
