Versos de Interesse para uma Mulher

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Mãezinha Minha Rocha e Meu Céu


Tua força é um rio que atravessa montanhas,
Uma coragem mansa que nunca se cansa,
Que enfrenta o tempo, as lutas e as estranhas
Voltas que a vida dá enquanto se é criança.
Não é apenas amor, é um porto absoluto,
Onde o cansaço do mundo finalmente descansa.
Mãezinha Tua ternura é o milagre, o abraço resoluto,
Que transforma o medo em renovada esperança.
Minha base de ferro, meu colo de seda,
És a maior bênção que o destino me deu.
Que a vida te cerque, te cuide e te conceda
Toda a luz de um dia que nunca morreu.
Pois ninguém merece mais do que o teu coração,
Essa fonte infinita de zelo e de paz.
Te amo mãe além das palavras, da rima e da canção,
Hoje, amanhã e em tudo o que o "sempre" faz.


------------------------------ Eliana Angel Wolf

O Eco do Adeus
As paredes ainda guardam o som,
uma frequência que o tempo não apaga.
Disseste "amo-te" com o tom de quem fica,
mas partiste com o passo de quem deságua.
É um deserto que se atravessa a sêxtuplo,
carregando o peso de uma palavra oca.
O amor, quando é um monólogo,
é brasa que queima apenas uma boca.
Ficou o verbo, mas faltou o chão.
A reciprocidade é um porto que não avistei.
Foste embora levando a direção,
deixando o "nós" no rastro do que sonhei.
Agora resta o hábito de te esperar,
mesmo sabendo que o laço se rompeu.
Pois pior que nunca ter ouvido o amar,
é ouvir o "amo-te" de quem nunca foi meu.

O altruísmo é uma das chaves mais antigas e ao mesmo tempo mais esquecidas da evolução humana.
Não é apenas sobre ajudar o outro: é sobre expandir a própria consciência.
Toda vez que estendemos a mão, abrimos espaço dentro de nós.
Crescemos quando fazemos crescer.
Evoluímos quando enxergamos no outro a mesma luz que existe em nós.
No fim, o altruísmo não transforma só o mundo.
Transforma quem escolhe praticá-lo.

O Timbre Afinado da Emoção

No seu lindo canto, ouço a pureza de uma doce criança; na sua aparência delicada, vejo a delicadeza de uma rosa. Entretanto, isso não quer dizer que ela seja fraca, pois, mesmo entre as rochas, floresce — tipo uma mulher quando canta rock.

Assim, a sua intensidade se revela a cada nota — aquelas presentes na sonoridade forte de uma música intensa — que consomem a sua mente e se vestem das suas emoções, então, as expressa na sua voz de uma maneira profunda e sincera.

Interpretação simples, de fato, inspiradora: a bela mostra de um timbre afinado e emotivo. Muito mais do que uma beleza sonora, uma entrega satisfatória entre cordas vocais e espírito, numa ocasião transformadora regrada à emoção e ao ritmo.

A Exultação dos Olhos durante A Pausa

Pude ver de perto, recentemente, uma paisagem natural em movimento: lindos cavalos usufruindo de uma tranquilidade rara, sentindo os toques do vento nas suas crinas, em um campo vasto e verdejante. Foi quando a realidade restante ficou pausada nesse momento memorável cheio de vida; os meus olhos logo ficaram exultantes com aquela arte certamente divina numa exposição tão cativante.

Talvez o meu medo já existisse,
porque ainda dói saber
que fui apenas uma segunda opção.


E tenho medo…
medo de te esquecer,
medo de me desapegar,
medo de te deixar ir.


Mas talvez o maior medo de todos
seja que, um dia, nos tornemos apenas “estranhos”.


Spoiler: tornámo-nos

enquanto o mundo ruge
além dos muros
guardo em mim
uma melodia
que não pode cessar

Entre a Pressa e o Vazio

Vejo as pessoas indo e vindo,
cada uma com sua vida e sua história.
Tristes, felizes, chorando ou sorrindo,
tão perto da morte ou sedentos por glória.

Quando foi que essa corrida começou?
Não ouvi o barulho da largada…
talvez porque o que ainda me apetece os olhos
seja o retrato de uma vida já ultrapassada.

Onde não corríamos pra ser melhor que o outro,
nem pra mostrar quem tem mais ou melhor,
mas sim quem ia estar conosco na caminhada,
com olhos marejados de amor.

A companhia de uma vida parece tão longe,
que chega a ser uma viagem,
na qual o destino é incerto
e, na ótica de hoje, talvez uma miragem.

Enquanto o mundo busca comparação e status
pra, de alguma forma, se sentir vivo,
eu conto as coisas que vivo —
sozinho em um quarto, sozinho…
sonhando com um mundo mais compassivo.

Raphael Bragagagnolle

Quero ser teu alicerce
Da sua boca uma canção
Das suas asas sempre ser o vento

-No Creo-

Há uma poesia silenciosa no deságue das águas, um ritmo que não se apressa, mas que nunca para.


No abraço da tarde, a cascata se torna um véu de luz, onde cada gota que cai carrega consigo a promessa da renovação.


​Olhar esse movimento é aprender com a própria natureza: o segredo da vida não está em reter, mas em deixar fluir com a força da queda e a serenidade do destino.


Que a gente saiba ser água — forte o suficiente para moldar caminhos e leve o bastante para refletir o brilho do sol.

Já troquei uma hora de leitura,
por uma corridinha na rua, manter
um hábito é equilibrar as necessidades.

Pássaros a cantar,
variações
de uma vida bela,
veloz,
certeira,
formada
ou não intencional;
Flor!
É com lágrimas
nos olhos
e aperto no coração
que me despeço
de ti,
tô tão disperso
sem esforço
por as vezes
me lembrar
que de você
esqueci.

⁠Quero
que não
me definas,
nem tente
me decifrar;
Venho de uma longa jornada
pela imensidão
de dispor-se
a aprender
e anda comigo agora
a dor
e a renúncia
de não mais
por tudo
á perder;
Quando inaudível
minha voz:
Ainda clama
para o dia
logo amanhecer.

Toda noite
sem luz:
Escuridão
uma trégua
pediria.⁠

ESPELHO

A criança corre movida pela energia que seu corpo emana
Sem perceber há uma nuvem escura em seu encalço ganhando força
Finalmente ela olha pra trás
Tardiamente ela olha pra trás
Amedrontada pelo tamanho da nuvem ela corre mais rápido
Em sua inocência atravessa o espelho
Não existe mais som
Não existe mais movimento
Somente o barulho ensurdecedor do silêncio
Seus olhos enxergam o movimento das pessoas
Mas as pessoas não a enxergam
Gritos e socos são inúteis diante da imensidão de vácuo
Cansada de lutar a criança chora
Chora lágrimas que não existem
Lágrimas que se transformam em chuva do outro lado
Chuva que se transforma em tempestade fora do espelho
Tempestade que invade a criança que agora abre os braços
Com olhos fechados ela implora para que um raio flamejante recaia sobre o espelho
Libertando-a em bola de fogo.

E mesmo que o mundo não me entenda
E mesmo que eu não entenda o mundo
E mesmo que eu me sinta uma estranha por não pensar conforme a multidão
Eu não desistirei de mim!

⁠Deu-me uma rosa
Ela era vermelha como sangue
A segurei firme
A quis muito bem
Mas alguém cobiçou seu jardim
Como uma raposa sorrateira
A roubou
E você ainda deixou a porta aberta
Para que ela retornasse
Aí então percebi
Que aquela rosa não murchou
Porque era falsa

⁠No fundo sabe que não passa de uma grande mentira. Vive enganando a si mesma, dizendo aquilo que seus ouvidos querem ouvir para se sentir melhor.
Tenta desesperadamente abafar o grito do seu coração, enquanto ele se contorce por dentro. Canta belas mentiras pra disfarçar a agonia causadas por suas próprias decisões.
Se vê jogando fora aquilo que mais quer, por puro capricho, enquanto se distrai com aquilo que no fundo sabe que não será para sempre.

⁠Gota a gota
Uma poça
Um rio
Um lago
Um mar
Gota a gota
Foi enchendo
Foi pingando
Foi vazando
Até transbordar

⁠Senti uma brisa leve tocando meu rosto, então respirei profundamente. Sentei-me na sombra de uma árvore, fechei meus olhos e desliguei-me do mundo. Naquele campo verde com belas flores e ao som do cantar dos pássaros, pude, então, descansar.
A tempestade havia passado e o dia trazia novas promessas. O sussurro do vento cantava uma canção que dizia que era hora de recomeçar, desacelerar e seguir de onde o mundo parou. Então fui e aceitei a chance que me haviam dado. Nem tudo se perdeu.