Versinho de Amor
VERSOS DA HESITAÇÃO
Não te aproximes de mim com temor ou hesitação, nem penses em me conquistar sem descer às profundezas.
Aqui, tudo ressoa com a intensidade do mistério e do destino.
Sou uma presença que irradia vida aos olhos que me veem, ou uma ausência que deixa a alma em gelo eterno.
**Ainda Lembro**
Ainda lembro que estava lendo,
entre linhas, a alma estendendo,
versos que tecem no tempo espero,
na tinta, meu coração eu tempero.
Cada palavra, um sussurro, um fio,
na trama dos dias, um desafio.
Espero ainda tua voz em resposta,
no silêncio que a espera gosta.
Viver, arte sublime, ofício raro,
requer o olhar amplo, um claro faro.
Aprender a ver além do espelho,
onde o amor reside, simples, velho.
Sim, olhar só pra dentro é desperdício,
perde-se o vasto mundo, o início.
Porque ao lado, talvez sem aviso,
reside o amor, teu mais doce paraíso.
Então, releio os versos, tua essência,
esperando que a distância não seja desistência.
Na poesia, um encontro, um lar,
no qual sempre irei te esperar.
Contos
Lindas palavras sempre cantadas,
como pinturas belas e abstratas.
Poéticos versos, simples e belos,
banham-se ao sabor da morte
corrosiva, maldosa e venenosa.
Escondem os falsos contos
entre os enigmáticos sonhos.
Adeus em Versos
Parto agora, deixando um pedaço,
Um rastro de mim no espaço.
Levo no peito cada memória,
Cicatrizes, risos e a nossa história.
Não há rancor, apenas o tempo,
Que nos afasta como o vento.
Nosso laço, embora profundo,
Agora pertence a outro mundo.
Os dias vividos não são em vão,
São estrelas que brilham na imensidão.
Carregue-as contigo, se precisar,
E nelas me veja, se desejar.
O adeus não é o fim de tudo,
É apenas silêncio em meio ao estudo.
E quem sabe um dia, em outro lugar,
Nos encontramos, sem precisar chorar.
Serei alguém perfeito?
Em versos crus, a verdade se revela,
Não sou o doce que teu sonho modela.
Meu gosto amargo, um choque ao paladar,
Desfaz a imagem que ousaste idealizar.
Esperavas mel, encontrou fel em mim,
A decepção, um abismo sem fim.
Não me aprovas, e a dor me assola,
Pois te mostrei a face que te amedronta e controla.
Mas sou caleidoscópio de sabores,
E te apresentei o pior dos horrores.
Se suportares a amargura em meu ser,
Te darei flores, um doce amanhecer.
E, vez ou outra, um frio na espinha,
Para provar que a vida não é só mesquinha.
Não sou inédito, nem tenho tal poder,
Tudo o que faço, já fizeram, é um desprazer.
Mas prefiro a derrota inicial,
Para te surpreender no contexto final.
Do que a vitória precoce, ilusão fugaz,
E te perder na desilusão que me satisfaz.
versos de copo vazio
No canto de um bar, meu velho refúgio Me abrigando da tua ausência, num trago sujo
Como um samba antigo desafinado e bom
Na mesa riscada um poema incompleto Teu nome borrado, meu peito fechado
O barman já sabe "mais uma ai irmão?"
E eu disse é claro já que o amor não tem cura Apenas repetição
E um dia se tu voltar
Por ironia do céu
Vai me encontrar sorrindo
Pois o amor de um boemio é torto e partido
Como cerveja derramada num peito ferido.
Eu Não Sou Pra Depois
Versos de um coração inteiro
Não me deixes no rastro do tempo calado,
como sombra que dança no fim da ilusão.
Não sou esse eco de um sonho adiado,
nem abrigo incerto de meia paixão.
Sou chama que arde sem medo da brisa,
sou porto seguro no mar da verdade.
Não sigo os passos de quem indecisa,
vagueia entre o medo e a saudade.
Não me escondo sob véus de aparência,
me revelo em flor, tempestade e luz.
Sou feito de essência, de alma, de urgência,
sou verso que sangra, mas nunca reduz.
Não sou um talvez à mercê do destino,
nem moldo meus dias em planos alheios.
Sou hoje, sou pulso, sou fogo divino,
sou ponte que rasga os próprios receios.
Quem parte de mim, se despede de tudo,
do toque sincero, do amor mais fecundo.
Pois não sou retalho de amores confusos —
sou o agora, o inteiro, sou um mundo profundo.
E quem me perde… perde o mundo também.
Porque eu não sou pra depois.
Sou pra quem vem.
meu coração vai escrever versos que vão trazer luz aos sonhos
vou escrever no horizonte mais uma chance de te ver de novo
Casa de Versos
Escrevo pra poucos.
Poesia escolhe os seus.
Vem mansa, mas não mente,
toca onde o barulho não chega,
acende o canto dos olhos,
sussurra o que o peito calou.
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Não escrevo pra multidões,
nem pra mãos apressadas.
Escrevo pra quem cultiva silêncios,
pra quem sente o mundo em segredo
e se emociona com o que não se diz.
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Poesia não bate à porta —
chega como brisa de fim de tarde,
se aninha sem alarde,
faz morada sem pedir.
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Quem habita meus versos
ouve música como quem respira,
sente o vinho como memória,
dança com a própria sombra
e descansa na solitude,
como quem voltou pra casa.
Jonatas Evangelista
SEM CULPA
Na poesia se alivia o estado de pecador
Com os versos molhados em um pranto
De uma paixão, do ciúme, dum amargor
Completando a alma com prazer, tanto!
Tivesse a poética o afago, o dado amor
E tudo mais de um olhar, o seu encanto
Se fosse a prosa perfumada, com ardor
A sensação seria e não mais entretanto
No alívio no cântico, a arte e a fantasia
Que transborda em uma rítmica magia
De sentimento sem qualquer desculpa
Então, pulsa na poesia um lírico sonho
Imaginado... Com aquele valer risonho...
Doando ao poeta, calmaria sem culpa!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 setembro, 2022, 11’46” – Araguari, MG
ENLEVO NA POESIA
Não quero por saudades na poesia
Quero é ter nos versos só sensações
Aquela alegria com ternas emoções
E um pouco de poética em quantia
Não quero por tristuras com clamor
Na prosa, eu quero a rosa, a paixão
Para, então, com a sorte ter razão
E, assim, narrar em versos, o amor
Preciso da poesia causando sentido
Não aquele sentimento tão dividido
Quero um olhar, os gestos, enfim,
Ter os cânticos sensíveis e o agrado
Sem temores, sim, o enlevo velado
Aí, tendo-a eu, e ela tendo a mim!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 setembro, 2022, 21’46” – Araguari, MG
POEMINHA DA ALEGRIA
De quantos versos preciso
para compor meu poema
sobre a força revolucionária da alegria?
Apenas um: “a mim basta que você sorria.”
*Para meus filhos Isabele e Rodrigo.
QUERO ALINHARVAR-TE
Quero rasgar os poemas
Costurar as poesias
Despir os versos
Remendar os sonetos
Unir as sílabas
Alinhavar os duetos
Descoser os pontos
Juntar os nossos olhares
Cerzir os teus desejos
Bordar as tuas carícias
Alinhar os teus beijos
Encostar a minha boca à tua
Cosendo o meu corpo ao teu.
APAIXONADO
Entre os versos tecidos com paixão,
Desabrocha o poema do coração.
Palavras que fluem em suave melodia,
Expressando o amor que em mim ardia.
No universo vasto da emoção,
Encontro-te, meu doce encantador,
A musa que inspira minha criação,
Transbordando amor, sublime fervor.
Teus olhos, estrelas a brilhar,
Refletem o brilho do luar,
Tua voz, um sussurro sereno,
Embala meu ser, feito um pequeno aceno.
Teu sorriso, encanto celestial,
Ilumina meus dias em luz especial,
Teu toque, carícia suave e profunda,
Afaga minha alma, torna-a mais fecunda.
Cada gesto teu é uma poesia viva,
Que enche de encanto minha vida,
Teu amor é a tinta que colore meu papel,
E faz do nosso encontro um enlevo fiel.
Nas linhas desse poema, entrego meu coração,
Palavras são mágicas, revelam minha devoção.
Que estas rimas, como laços, nos envolvam,
E juntos, no amor, para sempre nos resolvam.
A SENHA
Paixão, trago estes versos singelos
escritos com a minha emoção plena
E, neles, a minha inspiração serena
Duma afeição e, satisfação em elos
Trago afeto, nos sentidos paralelos
olhar, gesto, aquela carícia amena
Quero agora ter-te em poética cena
e teu corpo haurir delírios donzelos
Não vês que somos cada um verso
Cada um sentido, na estrofe imerso
insanos amantes, de digno trovador
Somos nós: juntos, leia-me, te peço
Quem mais benquererá. Confesso...
o amor, a senha, para cá eu compor
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 janeiro, 2023, 19'10” – Araguari, MG
Conforto
O que me conforta são meus versos
que em um papel branco vai estar
pingando as letras formando palavras
pra você meu amor gostar
Pode-se tudo, mesmo sabendo que não mais a terei,
a não ser nos poemas que são escritos para você.
É como um copo que transborda, inundando o vazio que deixastes.
Cada letra, cada palavra, cada frase representa
o beijo, o abraço e o carinho que sempre dediquei a você.
ASCENSÃO
Não será sempre amargor na poesia
Versos a arrelia, ousadia com torpeza
Sem gentileza e enevoada de tristeza
Há te ter sentimentos e a pura alegria
Hei de poetizar agrados, com certeza
Criando na imaginação doce fantasia
Gestos leves, carias, raios de beleza
Desenhando versos com fina sinfonia
Hei de versar: - o olhar, o beijo a flor
Ter na rima, os sons sem escarcéus
Ritmando sensação e amor sem dor
Em um soneto alvo, polido, sem véus
Ah! a glória há de dourar cada louvor
Da ascensão, eu, penhorado aos céus!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 julho de 2023, 16’52” – Araguari, MG
*paráfrase Affonso Lopes de Almeida
Saiba ser mais...
Se os muitos versos, que criei contente
Foram suspiros para o coração penado
Que pode vir ao sentimento um cuidado
Que acuda, então, da mazela, diferente
O prosar que ao amor, amor consente
Traga poesia e entoado verso ao fado
Deixando cada poema leve, perfumado
Mimando nos detalhes a alma da gente
Poete, pois, estima, sem ter rancores
Traga o olhar, a constância, sensação
Se há de ameigar que seja com flores
Se quer que me não queixe da posição
Saiba rimar com mais oferta, louvores
Ou saiba ser mais cântico com emoção.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2 setembro, 2023, 13’55” – Araguari, MG
Seus olhos, universo diverso, que inspiram meus versos.
Silêncio profundo, que habito e reflito.
Que me conheço e reconheço.
Que me afogo e sobrevivo, que em silêncio me inspiro.
