Vento

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Sou rebelde como o vento,brinco com a vida e duvido do tempo, provoco, polemizo, solto o riso. Sou fera sem jaula, sou amante no cio, minha calma está sempre por um fio.

Veio de manhã molhar os pés na primeira onda. Abriu os braços devagar e se entregou ao vento...

⁠Efêmero e Infinito

Quando eu for, um dia desses,
poeira, levada pelo vento,
quero ser como as estrelas—
que mesmo quando morrem,
não se apagam.

Que meu brilho, mesmo distante,
ainda toque olhares,
ainda ilumine caminhos,
ainda ecoe na memória
de quem um dia me viu brilhar.

Que eu permaneça,
não apenas na lembrança,
mas no sentir.


#AtravésDoMeuOlhar

⁠Renacente

És raiz que o vento não arranca, mesmo quando o tempo insiste em testar tua fé. És mar que se refaz em ondas, sendo força, sendo entrega, sendo tudo o que quiser.

Tens no olhar o peso dos séculos, memórias que ecoam além do corpo e da pele, mas na tua essência, há um brilho inquebrantável, um lume que nem a sombra repele.

Caminhas entre destroços e ainda assim constróis beleza, transformas dor em poesia, silêncio em canção. És feita de alma que não se dobra, de ternura que é resistência, de amor que é revolução.

Persistes, porque és feita de verbo e coragem, de fotografia e palavras que nunca se apagam. És mulher que sente e não se rende, mulher que é inteira, mesmo quando o mundo tenta partir em farrapos a tua estrada.

És tempo que recua e avança, és entrega e refúgio, és pulsar e calmaria. És mulher que não se desfaz, porque és, simplesmente, poesia.

Feliz teu dia, feliz tua existência.

Vento que passas, leva-me contigo.
Sou poeira também, folha de outono.
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir
Como no limbo dormem as crianças.

O vento não quebra um galho que se dobra.

Eu sou a música que ninguém quer ouvir
Sou a arte que ninguém quer olhar
Eu sou o vento que tudo leva,
mas nem a morte quer me levar.

Um coração machucado,
Uma alma vazia, é tudo que me resta.
A chuva em meio ao deserto
Essa sou eu, um turbilhão de sentimentos em um buraco de dor.

Sonhar, o que é um sonho, em um mundo
Sem esperanças?
lágrimas, são dores que aliviamos ou a dor que nos alivia?

Sozinha e sem esperança, uma mulher
Com alma de criança.
Que sonha apenas em ser feliz,
Em um universo incompleto.

A garota que tem orgulho de ser louca, em um mundo onde
Todos querem ser normais.
A garota triste em um mundo onde
Todos fingem ser felizes.
A garota solitária em um mundo onde
Todos agem como se fossem amigos.

A garota que vive em meio a falsidade
E egoísmo, ela apenas era diferente.
Por ser assim, foi considerada um mostro
Que não seque as regras de um mundo
Covarde.

Para Rachel de Queiroz, dito no ouvido dela.

Sou como o Vento
Passo.
Mas não sem balançar as folhas.

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo
que sabes tu do fim ?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão
de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um vôo no tempo.
Rumo aos céus ? O que importa a rota ?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas.

E que rumor é este agora?
O quê anda o vento a fazer lá fora?
Nada! Como sempre, nada!

Soneto da Despedida

Eu aprendo com o tempo
e tudo isso irá mudar
eu vou seguir o vento
e espero aprender a amar

Esse destino incerto
que assombra minha vida
mostrando tudo de perto
a doce e vã batalha perdida

Irei sem olhar adiante
levando apenas a saudade
como um simples viajante

Alguma coisa nessa cidade
me parece muito importante,
ou seria somente... vontade

Para um navegador que não sabe seu rumo, nenhum vento lhe é favorável.

Sêneca

Nota: Adaptação de Link

"Queria ser como o vento,passar por tudo e por todos,não ser visto,apenas sentido,assim não seria criticado pela aparênica,ou por falares,poderia ser mencionado pelas tempestades ou simplemente pela brisa que ele nos faz sentir"

Quem diria que um dia tudo se transformaria, que as ondas voltaria, que o vento levaria, e a tristeza partiria, e a alegria aqui faria moradia.

Senhor segura firme na cordinha, sou tua marionete de trapo e alma de vento...

Lamentar o passado é correr atrás do vento.

A adversidade é como um vento forte. Arranca de nós tudo, menos o que não nos pode ser tirado, de maneira que nos vemos exatamente como somos.

Fuga

Ela tinha ímpeto de desaparecer, virar espuma, vento, soprar longe.
Se sentia culpada quando essa vontade tomava conta dos seus pensamentos,
sempre rodeada de sons, vozes, música, amor, superproteção que ela não pedia.
Tinha gana de desligar os telefones, o interfone, desligar-se.
Não era egoísmo puro e simples, era saudade dela.
Sentia falta de rir sozinha lendo seus livros, acender incenso tomando banho quente, andar pela casa com sua camiseta surrada, descalça, distraída, relaxada, ver seus filmes antigos tomando café forte, queria sua companhia de volta, não definitivamente (solidão nunca a seduziu), pois amava estar com os seus.
Gostava de ser acolhida, mimada, mas algumas vezes, um filme, um café, pés descalços, lhe bastava.

No vasto oceano da vida, velejamos de formas diversas; a razão é o nosso mapa, mas o vento forte é a paixão.

Alexander Pope
An Essay on Man

Vento novo


Estava enrolada
em teias e traças,
debaixo da escada,
lá no subsolo
da casa fechada.
Começava a tomar ares de desgraça.
Manchada do tempo,
fenecia
a esperar que um dia
alguma coisa acontecesse.
Antes que se perdesse completamente,
sentiu passar um vento cor-de-rosa.
Toda prosa, espanou a bruma,
pintou os lábios
e sem vergonha nenhuma
caprichou no recorte do decote.
A felicidade volta à praça
cheia de dengo e de graça,
com perfume novo no cangote.