Vento

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E o vento soprou justamente as palavras mais duras de se ouvir... mas disse que no final, eu iria acabar bem.

Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade
ANDRADE, E., Até Amanhã, 1956

O silêncio é igual ao vento, calmo como uma aura ou devastador como uma tempestade.

Soneto XXXVIII

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Uma pausa
Um pouso
Eu ouso
Quando escuto o silêncio
do vento
Ainda dá tempo
De tocar
De sentir
De viver
De voar .
Nunca é tarde
para ver a paz
ecoar
Nunca é tarde
para sentir a brisa
nos abraçar
Nunca é tarde
para nos
amar .

..Tempo nublado, vento gelado, música Popular Brasileira, seis copos de café. Por favor, sirva-me estou afim de viajar, pra longe..

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço: sábado ao vento é a rosa da semana. Sábado de manhã é quintal, uma abelha esvoaça, e o vento: uma picada de abelha, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. Nos quintais da infância no sábado é que as formigas subiam em fila pela pedra. Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia carne-seca e pirão: era sábado de tarde e nós já tínhamos tomado banho. Às duas da tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: e ao vento sábado era a rosa de nossa insípida semana. Se chovia, só eu sabia que era sábado: uma rosa molhada, não? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana exausta vai morrer, ela com grande esforço metálico se abre em rosa: na Avenida Atlântica o carro freia de súbito com estridência e, de súbito, antes do vento espantado poder recomeçar, sinto que é sábado de tarde. Tem sido sábado mas já não é o mesmo. Então eu não digo nada, aparentemente submissa: mas na verdade já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo de manhã também é a rosa da semana. Embora sábado seja muito mais. Nunca vou saber por quê.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Crônica Sábado.

...Mais

O vento só me atiça
ao valor do tempo.
É um beijo da vida
me fazendo acordar.
Colho as flores,
que da tempestade nasceu,
depois de uma longa estiagem.
Me enfeito do que é meu.
Desvio as pedras...
Há de ficar linda
essa vida que Deus me deu.

Quando vossos pensamentos estiverem em conflitos, vos falais ao vento. As palavras mutularão a solidão por um tempo e a paz de vossos pensamentos entrará harmoniosamente no seu eixo.

A INSENSATEZ DO VENTO

Um dia perguntei ao vento:
- Porque sopras tão forte, parece que queres devastar o mundo?
Há dias que a tua brisa é tão suave, pareces esmorecido.
E o vento respondeu:
- Assim como vossa vida eu também tenho meus dias de insensatez e loucura.

Que seja LEVE,
Se não for pra ser LEVE
Que o vento LEVE.

Olhar

Não esqueça que estou aqui.
Estarei sempre dentro de ti...
Que o vento sempre te leve um abraço
sincero e seguro,que o vento me traga
o teu cheiro,fixando em mim.

Sempre te vi pelo olhar,sentindo contigo
a tua sinceridade,sentindo em ti uma paz
sem tamanho ou explicação.

O que é essencial em nossas vidas,
guardamos dentro de nós,bem no
fundinho do coração,porque lá
ninguém tira,nem modifica.

O que é para ser nosso,virá no momento
certo.Algo nos espera,esperamos sempre
por algo.

⁠A distância é para o amor como o vento para o fogo. Apaga os pequenos e dá força aos maiores.

Abandonada por você, apaixonada por você... Eu vi o vento te levar, mas tem estrelas para sonhar. Te espero todo dia, mas você não vem, nem leva com você toda esta saudade... Não vou desistir nem desanimar, sei que a vida passa se a gente parar de lutar.

Olhares...

Nesse momento, momento em que o vento frio insiste em fazer a janela bater tentando ultrapassa-la e esfriar este cômodo, onde sentada sobre o carpete e escorada na parede me encontro.
Começo a perceber que antes o coração que pulsava calor, hoje pulsa o vazio...
Começo a relembrar os momentos já vividos, algumas das historias que trilharam meu caminho até aqui. Procurando indícios de onde foi que comecei a me perder.
E nesta procura começo a reparar, que por mais que eu tente afastar é o seu olhar que insiste em invadir minha mente...
São os olhares tão estreitos e sempre acompanhados de singelos e discretos sorrisos que mais me lembro.
E paro, desisto de procurar onde me perdi e por alguns momentos, começo a brincar com os planos, lugares e momentos que eu não fiz, não visitei e principalmente não vivi...
Brinco de imaginar teu cheiro, teu gosto, teus jeitos e defeitos...
E vou mais além, as danças juntinhas, teu rosto colado ao meu onde por segundos parece que a música se silencia que o chão perde sua estabilidade, e se não olharmos para baixo até poderíamos acreditar que não havia chão sob nossos pés... Ah! Quantas músicas ficaram por serem dançadas...
Começo então a brincar de quebra cabeça, junto às peças da imaginação com as da realidade, tentando formar uma delicada e simples bela paisagem.
Lembro-me das repetidas perguntas sobre o final de semana e tento juntá-las com tantas perguntas não feitas.
Lembro-me das repetidas palavras de saudações e tento juntá-las com os abraços de saudações não dados, percebo o quanto durante a vida, nós costumamos desperdiçar a oportunidade de demonstrar carinho.
Lembro-me das repetidas frases feitas e tento junta-las com os conjuntos de palavras não faladas perdidas no tempo.
E relembro que as nossas maiores conversas, que nossos tão simples sentimentos foram demonstrados pelos repletos olhares que em silêncios trocamos.
Tivemos nossos poucos momentos, sempre compartilhados com outras pessoas e agora reparo quantos foram os momentos, as lembranças e as histórias que juntos somente nós nunca compartilhamos, quantos foram os passos não dados, as palavras jamais ditas e os caminhos que juntos somente nós nunca andamos... Quanta e quantas foram às oportunidades que juntos eu e você desperdiçamos...

Mas reparo principalmente quanta falta faz os tantos olhares escondidos em memórias que nunca se quer existiram...

Mesmo em meio a guerras e areia, é possível valorizar a brisa do vento.

Augusto Cury
Gestão da Emoção

Quase tudo passa...
O vento, a tristeza, a chuva, a felicidade...
Mas não importa o que eu faça...
A ’saudade’ não passa.

Prefiro a música do mar e do vento, porque ela faz eco na minha alma.

Borboleta parece flor que o vento tirou para dançar.
Ê tempo. Que tudo vê, tudo muda e tudo cura quando o silêncio preenche, é porque chegou o fim.

Brisa no rosto, som do mar, folhas ao vento, um lindo entardecer... tudo isso deixa a minha alma feliz. Eu não espero grandes coisas, apenas sou feliz com aquilo que posso tocar e com aquilo que me toca.