Vazio
A ausência de lembranças é um triste vazio. A memória é o elo entre o passado e o presente, entre o corpo e a alma, entre o vivido e o sonhado.
(Tostão)
ESPERANÇA
Quando a esperança morre, nasce um vazio que parece engolir tudo por dentro.
A vida perde o sentido. É como se algo essencial na nossa existência apodrecesse — algo que não se recupera com palavras bonitas ou com frases prontas de motivação.
O que sobra é o instinto mais primitivo: sobreviver.
Dormir depois de uma batalha, acordar para outra… torcendo apenas para chegar ao fim do dia respirando, e repetir o ciclo no dia seguinte. Sem cor. Sem brilho. Sem magia. Apenas sobrevivência.
É caminhar no escuro, sentindo o peso da desesperança e a ausência de qualquer promessa de luz.
É conviver com um vazio que não explica nada, não consola, não responde. Apenas ocupa.
E o mais doloroso é perceber que, quando a esperança se perde, nenhum argumento parece capaz de trazê-la de volta.
É só o silêncio… e o vazio.
O banquete do ego vazio: Alimentam-se exclusivamente do próprio ego para justificar a recusa em ajudar qualquer pessoa, achando que uma camada de vaidade substitui a solidariedade e lhes dá o direito de olhar os outros com superioridade.
A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO
O bar estava quase vazio naquela quarta-feira.
Aquele tipo de noite em que até os bêbados pareciam cansados de suas próprias histórias.
Havia duas mesas ocupadas. Um homem sozinho perto da janela, mexendo no celular como se esperasse uma mensagem que nunca chegaria. No balcão, três sujeitos discutiam futebol, política e o mundo inteiro com a mesma certeza de quem nunca precisou consertar nada do que destruiu.
A televisão estava ligada sem som alto.
Era mais um noticiário.
Mais uma guerra.
Mais uma cidade destruída.
Mais uma fotografia de pessoas correndo com aquilo que conseguiram salvar da própria vida.
Ninguém levantou a cabeça.
Até que alguém comentou:
— O problema é que esse povo também procura confusão.
Foi dito com a tranquilidade de quem pede outra cerveja.
Outro respondeu:
— Cada um tem o governo que merece.
E todos continuaram bebendo.
Essa é uma das coisas mais estranhas que aprendi depois de certa idade.
O ser humano consegue assistir ao sofrimento de alguém enquanto termina o jantar.
Consegue condenar uma vítima que nunca conheceu.
Consegue transformar uma tragédia em opinião antes mesmo de tentar entender o que aconteceu.
A cidade não fede por causa do esgoto.
Isso seria simples demais.
A cidade fede quando a consciência começa a apodrecer sem fazer barulho.
Depois dos sessenta, você percebe algumas coisas.
Não porque ficou mais sábio.
Mas porque perdeu algumas ilusões.
O espelho começa a cobrar dívidas antigas.
Amigos viram fotografias.
Conversas que pareciam eternas acabam guardadas em algum lugar da memória.
Os cães que acompanhavam seus dias ficam apenas em lembranças.
Os lugares onde você gastou noites inteiras desaparecem, substituídos por farmácias, bancos e lojas iguais a todas as outras.
A vida continua.
Essa talvez seja a maior crueldade dela.
Ela não diminui o passo porque alguém foi embora.
O mundo amanhece no horário marcado.
O café continua quente.
Os boletos continuam chegando.
E nenhuma ausência parece grande o suficiente para interromper a rotina.
Mas naquela noite, olhando aquelas pessoas no bar, pensei que o problema nunca foram apenas os monstros.
Eles são poucos.
O problema sempre foi a multidão de pessoas comuns que olha para tudo e diz:
“Não é comigo.”
Essa frase já construiu mais tragédias do que muitos exércitos.
Porque a violência raramente começa com alguém puxando um gatilho.
Às vezes começa com alguém escolhendo não olhar.
A indiferença é confortável.
Ela senta na poltrona.
Liga a televisão.
Passa o dedo pela tela.
Olha uma criança ferida durante três segundos e depois procura um vídeo engraçado para esquecer.
Não porque seja cruel.
Pior.
Porque aprendeu a não sentir.
A alma não desaparece de uma vez.
Ela vai enferrujando.
Primeiro você deixa de sentir a dor do desconhecido.
Depois do velho abandonado.
Depois da mulher agredida.
Depois da criança que nasceu no lugar errado do mundo.
Até que um dia você percebe que também não sente mais a própria dor.
E chama isso de maturidade.
Como se ficar vazio fosse uma forma de crescer.
Passei muitos anos em bares.
Vi muita gente quebrada.
E aprendi uma coisa estranha.
Alguns bêbados eram mais honestos do que muitos homens respeitáveis.
Pelo menos eles sabiam que estavam perdidos.
Os outros escondiam a própria podridão atrás de roupas caras, frases bonitas e discursos sobre valores.
A verdadeira humanidade nunca apareceu quando alguém falou sobre bondade.
Apareceu quando a dor de um desconhecido tirou seu sono.
Quando uma notícia estragou seu café.
Quando você percebeu que aquela fotografia distante não era sobre “eles”.
Era sobre nós.
Porque essa é a parte que ninguém gosta de aceitar.
Nunca existiram eles.
Sempre fomos nós.
E quando essa verdade aparece, as desculpas acabam.
Não é mais a culpa do governo.
Não é mais a culpa de uma ideologia.
Não é mais a culpa do destino.
Sobra você.
Apenas você.
E uma escolha simples que quase todo mundo tenta evitar:
importar-se.
Não para parecer uma pessoa melhor.
Não para ganhar recompensa.
Não para contar aos outros que possui um coração.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar você, talvez continue andando pelas ruas, pagando contas e conversando normalmente...
Mas alguma coisa essencial já terá morrido.
E ninguém perceberá.
Porque a humanidade, diferente do corpo, não morre de uma vez.
Ela morre em silêncio.
O seu vazio afetou estruturas que eu duvidava existir;
O medo e a inconstância não podem habitar aqui;
Num existir à flor da pele, o raso que você traz não sente o que sou e acomete meu ego o querer fútil de um olhar;
Um olhar pra dentro que você não é capaz de dar.
Ninguém é abrigado se não é lar.
“A solidão não é um vazio que precisa ser preenchido a qualquer custo, mas um espaço que pode ser habitado com dignidade."
—By Coelhinha
EU E O MAR...
Sol , mar , praia
Tudo é silêncio
Espaço vazio
areia quente ,
mar a me chamar
Prefiro ficar
debaixo do guarda sol
a sós com minha água de coco
Saboreando aquele momento
toque do vento
murmúrio do mar...
Deus a me espreitar
Eu a louvar ..
edite lima , Novembro/2019.
Enquanto o mundo faz barulhos para compensar os vazios, a alma repleta vai no vazio em silêncio sentir as recompensas.
O coração humano permanece vazio e desprovido de tudo até que se una a Cristo; porém, acolhendo o Verbo Divino, torna-se pleno e nada mais lhe falta.
A arrogância tenta gritar alto para esconder o vazio, mas a humildade sussurra verdades que ecoam para sempre.
Quem gasta tempo e energia tentando esvaziar o amor do outro demonstra um vazio enorme dentro da própria vida.
A consistência de um sonho puro desmascara o vazio daqueles que tentam corromper com palavras o que não conseguem alcançar.
A fama que vem do desrespeito é um eco vazio: faz barulho no início, mas logo desaparece sem deixar nada de bom para trás.
Quem despreza a bondade alheia revela o próprio vazio; a verdadeira nobreza não precisa de ofensas para mostrar o seu valor.
Silêncio
O silêncio não é vazio.
É casa cheia de coisa que a gente não fala.
É a noite em Salvador
quando o vento para
e só o mar conversa baixinho.
É o espaço entre uma palavra e outra,
onde a alma respira
e Deus conserta o que quebrou por dentro.
O silêncio cura.
Tira a poeira da mente,
acalma o coração apressado,
ensina a ouvir o que o barulho esconde.
Tem silêncio que pesa,
de solidão.
E tem silêncio que abraça,
de paz.
No silêncio a gente se encontra.
Escuta o próprio pensamento,
escuta o outro sem interromper,
escuta a vida acontecendo mansinha.
Porque às vezes
o que mais precisa ser dito
se diz calado.
"A opinião do mundo é um eco vazio que bate na janela. Quem conhece a própria essência não se perde no barulho de fora."
Era ela
Estava triste, cabisbaixo, as lágrimas escorriam lentamente pelos meus olhos; um vazio profundo. Mas, de repente, uma voz doce e suave me perguntou: por que choras, poeta? Por que choras, poeta? Ah, meu deus, era a moça do sorriso lindo! A moça das flores, a musa dos meus versos. Ah, meu deus, era ela! Era ela! Era ela!
(Só lágrimas)
Hoje eu acordei só lágrimas,
Olhei para o céu, um vazio
Profundo.
Olhei para o jardim, não me
Encantei,
E chorei.
Será, meu Deus,
Que estou perdendo aquela
Essência bonita do poeta,
Ou será apenas um momento
De desilusão,
De desilusão?
