Vazio
A dor da mudança é apenas a lagarta se preparando para voar, enquanto o vazio deixado por alguém se torna o espaço essencial para a reconstrução da própria alma. Entender que a luz só é valorizada na escuridão transforma a saudade em força para caminhar em direção a um novo amanhecer.
O tempo, cruel, passou em vão.
Viu a estação mudar, o ponteiro avançar.
Mas o vazio aqui, no meu coração,
recusa-se a sair, a se findar.
Somos dois mundos, sem a ponte.
Distantes, sim, e o drama é meu.
Vejo o futuro lá no horizonte,
mas ele é igual ao dia que você partiu.
Nada mudou.
Na quietude fria da sala,
onde só o silêncio me acompanha,
escutei, em uma onda, uma farra,
o murmúrio da sua voz, tão estranha.
É o toque final desta melancolia:
saber que a dor tem seu nome, sua morada.
O amor se foi, mas a saudade é magia
que te traz de volta, em cada madrugada.
O mundo lá fora é gelado sem você. Não me deixe à mercê desse vazio; estenda a mão e me tire do frio, pois meu lugar é guardado no calor do seu peito.
Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.
Essa solidão é um eco que ressoa no vazio dentro de mim. O medo, uma sombra a dançar nas paredes da minha mente demente. A tristeza, uma chuva fina a molhar minha alma sem aviso. O desânimo, um peso a amarrar meus pés ao chão. Juntos, tudo forma uma tempestade silenciosa... cada gota carrega o sabor amargo da ausência de tudo. Mas e que bom que sempre há um 'mas'...
mesmo na noite mais escura, estrelas teimam em brilhar. Respiro fundo e lembrar que toda nuvem é passageira, mais ou menos ligeira...
e a luz, por mais tênue, nunca desaparece de verdade. Mantenho sempre um pouco de sanidade.
A ausência de amor na infância não condena ninguém ao vazio, mas pode ensinar a alma a amar com medo.
Entre o abismo e o sopro
Perdi-me em mim, num silêncio que ninguém ouve, num vazio que devora por dentro, numa dor inexplicável que não encontra tradução. Era como se o mundo me chamasse para fora dele, como se uma voz sussurrasse: “deixa ir, solta, termina…”. E eu, sem forças, só queria calar aquela angústia, só queria pular da ponte para escapar da ponte que havia em mim. Mas não era escolha, não era vontade, era um medo escondido, um segredo escuro, uma batalha sem testemunhas. Até hoje carrego essa luta constante: não cair nas armadilhas da vida, não ceder ao convite da desistência, não desejar apagar a própria luz. E quando sorrio, ninguém vê que por trás do riso há uma alma cansada, travando guerras invisíveis. A cada amanhecer, sou sobrevivente de um combate silencioso, uma rosa vermelha perfumada, com espinhos que perfuraram a alma. E ainda que doa, escrevo, choro, respiro… porque a vida insiste em mim, mesmo quando eu não consigo insistir para viver.
A sabedoria começa no reconhecimento do vazio, mas se constrói através do acumulo contínuo de frações infinitesimais e complementares.
"Nenhum amanhã se sustenta no vazio. O presente é a sólida arquitetura erguida sobre os alicerces do ontem, sustentando o peso do futuro que está por vir.
Sobre o Vazio (Diálogo)
"Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas sei que devo procurar.”
— “E como pretendes procurar por algo que nem sequer sabes definir?”
“Não sei. Talvez certas buscas existam antes mesmo da compreensão delas.”
— “Ou talvez estejas apenas tentando dar sentido a um vazio comum.”
“Talvez. Mas ignorá-lo parece pior do que me perder tentando compreendê-lo.”
— “E se não houver nada para encontrar?”
“Então ao menos terei descoberto isso por mim mesmo.”
— “E se essa busca apenas te frustrar?”
“A frustração talvez seja inevitável para quem pensa demais sobre a própria existência.”
— “Então procuras respostas?”
“Não exatamente. Respostas costumam encerrar as coisas… e há algo em mim que não deseja um fim, apenas compreensão.”
— “Compreensão do quê?”
“Do vazio.
Dessa sensação constante de que existe algo faltando, mesmo quando aparentemente nada falta.”
— “E acreditas mesmo que encontrarás isso?”
“Não sei.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.”
— “Ou talvez percebas que tudo isso nunca passou de ilusão.”
“Sim… ou talvez eu perceba algo ainda mais inquietante.”
— “O quê?”
“Que aquilo que passei a vida inteira procurando sempre esteve comigo… e eu simplesmente era incapaz de reconhecê-lo.”
Sobre o vazio (monólogo)
Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas existe algo em mim que insiste que eu devo procurar.
Engraçado… como alguém procura por algo que nem sabe o que é?
Talvez eu esteja apenas correndo atrás de um vazio sem nome. Talvez eu esteja destinado à frustração. Ainda assim… ficar parado parece pior.
Então eu procuro.
Não porque eu saiba onde encontrar respostas, mas porque alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar que isso seja tudo.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez eu encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio finalmente se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.
Ou talvez, no fim de tudo, eu perceba que nunca precisei procurar coisa alguma… porque aquilo que eu buscava já estava comigo desde o início.
E talvez seja isso que mais me assusta.
Não o vazio…
mas passar a vida inteira procurando algo sem perceber que já o carregava dentro de mim.
*Meu amigo?*
Eu tenho um amigo
É o silêncio, consciência, mente, vazio, tanto faz
Nunca consegui dar um nome pra ele,
Só sei que ele é parte de mim
Ele é muito bom em atuar
Sempre fazendo as cenas que imagino
Cenas onde sou mais sincero com aqueles que conheço,
Cenas que nunca irão sair entre as paredes da imaginação
Ele é bem calado,
Ele faz muito bem as pessoas que conheço
Mas ele mesmo... Não tem personalidade
Como seria...
E se...
Todos ele consegue fazer muito bem
Só que no final...
Silêncio.
Ele é muito calado
E isso me deixa triste
Quando eu choro,
Ele não me consola
Odeio ele.
O vazio mais doloroso não é o de estar sozinho, mas o de estar cercado por quem deveria nos acolher e só nos julga.
Quando o núcleo giratório do tempo consome o vazio da existência, descobrimos que a eternidade não é a extensão dos dias, mas o próprio movimento que molda o nada em significado.
Reno Fioraso
Depois...
restou apenas o eco das ausências,
um vazio que corrói como ferrugem.
Os encontros se despedaçaram,osolhares se perderam,
as mãos nunca mais se reconheceram.O depois é cruel,um abismo que engole lembranças,
um veneno lento que apaga até o que foi belo.E no fim,o depois não é futuro,
é só a ruína do que já não existe.
