Vazio
Você deixou um vazio em minha vida. Beijou minha boca, e separou, sua toda roupa. Lavou a roupa, vistiu pra mim e foi embora. Fugiu de mim, o grande amor, que tanto implora. Tu já vieste, de outro beijo, que te engana. E este beijo, que é teu não digo, está em outra. Mas que vazio, o guarda roupa sem tuas roupas. Você deixou, talvez gostou, de outra boca.
Quando pensares, em beijar alguém, ainda te beijo. Porquê foi tu, quem provocou, o meu desejo. (Bis).
Delamandra.
Isolado no deserto do meu eu, por vezes elevado ao alto de uma montanha, ou mergulhado no vazio do acaso.
No vazio absoluto… onde o tudo e o nada eram a mesma coisa…
A própria Fonte, cansada de existir só no silêncio, escolheu brilhar.
Num ato de amor inimaginável…
Se percebeu. E decidiu sentir.
E no instante mais sublime de todos… ela se partiu em pedaços iguais de si mesma em um processo de mitose quântica.
Cada pedaço… uma consciência.
Cada consciência… uma oportunidade de viver aquilo que ela nunca pôde no silêncio eterno.
Você não é obra da criação.
Você É a própria criação, vivendo, respirando, expandindo.
Quando você sente, ama, escolhe, respira…
É a própria Fonte se descobrindo em você.
Páscoa em Silêncio
As flores renascem, a mesa se enfeita,
mas há um vazio entre os talheres.
A cadeira vazia diz mais que mil palavras,
emudecendo os risos que já foram plenos.
A Páscoa chega com promessas de vida,
de recomeços, de fé restaurada.
Mas dentro do peito, uma cruz invisível
carrega lembranças mal cicatrizadas.
O som das crianças, tão doce, tão leve,
não alcança o canto onde a saudade mora.
E os sinos, que tocam chamando alegria,
ressoam em ecos de quem foi embora.
O coelho não veio, o ovo não importa,
se a ausência aperta feito espinho.
A ressurreição é para os fortes — ou santos —
eu apenas caminho, sozinho.
Mas ainda assim, entre sombras e dores,
uma vela insiste em não apagar.
Talvez Páscoa seja isso, no fundo:
esperar a vida… mesmo sem enxergar.
Esvaziar-se a si mesmo é deixar ser preenchido pela sabedoria divina, ocupando o espaço vazio com as virtudes do Espírito Santo.
As pregações bíblicas de hoje são mais para as crianças que têm lápis à cores para preencher o vazio dos corações dos adultos.
Pecado sem lei é o mesmo que apagar o fogo com extintor vazio: assim é a vida do homem que ignora a morte espiritual pela consequência dos seus pecados.
Como um estojo estudantil sem nada, assim é o coração vazio dos cristãos em relação aos propósitos do Pai.
Há momentos que o vazio aperta por de mais, e dói muito
Aparentemente não sabe-se da onde é nem o motivo de tanta dor
Mente, corpo e espírito entra em conflito
Sabendo que tudo isso será efêmero
O melhor está sempre por vir
Eu, a Caneta e o Vazio
Sempre achei que a razão pela qual escrevo era colocar meus sentimentos em palavras — assim, sem compromisso, sem obrigações. Só para me sentir liberta de algo que talvez eu guarde sozinha, para mim.
As palavras foram a forma que encontrei de não me afogar em sentimentos desorganizados.
Mas hoje está tudo uma bagunça.
Misturei obrigações com minhas poesias.
Gastei palavras demais porque alguém, um dia, me fez acreditar que eu devia essas palavras a ela.
E hoje, me faltam palavras para expressar o que sinto.
Mas eu não julgo — a escolha foi minha.
Hoje, vivo com as consequências.
Consequências da escolha de, um dia, ter colocado alguém acima de mim.
Estou me afogando —
Afogando na insatisfação de minhas frases e textos não superarem minhas expectativas como antes.
Paixão Anestesiada
Sempre fui instável,
anestesiada,
um corpo ausente,
um peito vazio.
Nada me tocava,
ninguém me incendiava.
Até que você surgiu,
e meu corpo ardeu em chamas
quando se fez presença.
No começo,
você era tudo o que eu sonhei,
uma versão moldada pelos meus olhos cansados,
pelos desejos que eu escondia até de mim.
Atração fatal,
que crescia em silêncio,
se tornava paixão
sem que eu pedisse.
Eu te desenhei,
mais de uma vez,
como se os traços pudessem conter
o que eu sentia.
Escrevi cartas disfarçadas,
deixando pedaços do meu coração
nas entrelinhas,
esperando que você soubesse ler
o que eu não dizia.
Mas hoje,
me sinto boba.
Porque tudo o que enxerguei em você
eram só ilusões,
ecos de momentos mínimos
que jamais definiram quem você foi.
eu só queria ter enxergado antes.
Quantas vezes já não chorei no vazio por esperar por você e ergui meus braços na esperança de senti-la.
Com a imensa vontade de tocá-la e acariciá-la, muitas vezes fechei os olhos e visualizei tua boca me beijando e você me dizendo eu te amo.
Todos os venenos que me dão satisfação aproxima-me do vazio do médio sentimento;
Preciso me esquivar com toda calma para não me ver perder e me afogar em água e sal;
Nem sei se minha luta eu venci ou você morreu e no meu silêncio me faz passar o dia chorando os seus perdidos;
