Vaidade
Facebook - espaço onde se permite liberar a vaidade a toda prova, passar ao outro a imagem daquilo que não se é. Espaço onde se permite apenas concordar, tecer elogios falsos e lisonjear a fim de manter o contato com alguém desconhecido que se supõe ser amigo. Local ideal para solitários e infelizes que se satisfazem com um simples sinal de aquiescência nos posts que ali são colocados. Alienação total.
Sem título, sem (re)make
vá.idade
não importa o que faça
teu batom resseca logo
teus lábios de fo.foca
ursos polares te engolem
e cospem pandas
mesmo que te adorem
por estas bandas vieste
e te mandei pra lá
a máscara é teu lugar
de(s) verdade
SOBRE A VAIDADE DO HIPÓCRITA:
Hoje em dia, como se não bastasse a vaidade dos bens, temos o orgulho do que é feio e caquético. As pessoas não têm mais vergonha do que é feio. Elas querem ser feias! Enquanto há pobres que trabalham e se empenham em melhorar, honestamente, de vida, há outros que, não bastasse refestelarem-se no que a pobreza tem de malsã, acham-se no “direito” de serem malandras e pusilânimes! Para esses, é uma dádiva viver numa sociedade que lhes dá a alfafa mofada de cada dia para que tenham motivos para maldizer a sociedade, vandalizar o bem público e ainda se fazerem de vítimas, não obstante sua conduta indolente e corrompida.
É nesse cadafalso que os ideais morais de virtude caem, hoje em dia. O hipócrita: 1) assume um erro e a vontade de corrigí-lo, sem jamais se esforçar para tal; 2) prega a virtude contrária ao seu próprio erro para forjar uma imagem positiva, para, então; 3) passar a ideia de que a virtude (caminho da retidão) é algo humanamente opressivo e que a probabilidade do erro não vem na medida de sua frouxidão, mas do fato de ser humano como todos e, por isso, se identificar com todos que lhe ouvem. Assim, transforma um discurso em prol da virtude em uma Constituinte que torne aceitável o que antes ele próprio mostrava ser repugnante.
(Em "Sobre a Hipocrisia e o verbo Revelar": http://wp.me/pwUpj-1jF)
"A vaidade tem o poder de transformar grandes homens em meros bobos quando estes dão mais valor para os elogios do que para as atitudes"
Se juntarmos...
Um pouquinho de vaidade
Um tantinho de verdade
Um beijinho com vontade
Tadinha da saudade!
Pobre de mim, aumentando a idade e refém da vaidade.
Responsabilidade? Nem sei o que é na verdade.
Pensamentos infantis me invadem, Ainda na mocidade.
Nem ilusões e Paixões, E nem as desejo em fim.
Corpos sem Aspas e Textos sem Rugas
A vaidade invade a sociedade daqueles preocupados com a imagem.
Vírgulas e aspas são retiradas dos textos, o mesmo que corpos
Que tentam se livrar das rugas e marcas de expressão.
Verdadeiras marcas das pausas e ressaltos da vida! Que custam...
Que custam tempo, custam suor, que custam dor, paixão.
Sobrancelhas feitas e pele lisa, ela corrige pontos tortos...
Como apagar as pérolas ditas àqueles que amam?
E o corpo? Pernas malhadas e bem torneadas, quanto custa?
Será que excreta o mesmo que os malfeitos de formas imperfeitas?
Quanto custa? Quanto custa corrigir o corpo e qual o preço?
Qual o preço de apagar as ofensas lançadas?
Talvez o tempo que impõe vírgulas e aspas à vida...
Talvez o autor que insere as rugas e marcas no corpo a viver...
Os faça apagar da mente dos infelizes destinatários das pérolas,
As joias guardadas na medida do autor, o tempo...
Textos sem aspas não valem o destaque,
Outrora sem vírgulas não mostram sentido...
Corpos sem rugas não mostram os ataques,
Do autor e temido tempo vivido....
E a imagem para a sociedade dos corpos sarados?
Ah! Esta é uma lauda na mão do autor,
Que sem palavras não mostra o passado,
Que deixa marcas de amor e de dor.
Aspas e vírgulas são valiosas, como a expressão do velho autor.
Marcelo ULisses
